A sociedade vivencia um momento diferenciado em razão da pandemia do novo coronavírus. O período registra uma mistura de sentimentos, entre os quais, medos, incertezas e também expectativas quanto a melhorias desse cenário e o menor impacto possível dessa problemática denominada Covid-19.
O reflexo de mudanças atinge, também, os diferentes setores e atividades. Nesse sentido, não há dúvidas da repercussão no âmbito da atividade religiosa, até porque as práticas geralmente são realizadas com a participação do povo, com várias pessoas.
O reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Erechim, Valter Girelli, relata que de forma inédita, a orientação da igreja e das autoridades é celebrar de forma restritiva.
“De modo especial, celebrar via Internet. Percebemos uma interação muito expressiva, algo extraordinário. Nas missas ao vivo sempre registramos, em média, a participação de 250 pessoas. Atualmente, milhares de pessoas acompanham as orações virtuais pela Internet. Sempre quisemos isso, em uma conexão profunda em termos de mística e espiritualidade. Não nos sentimos abandonados, mas sim, em comunhão com essas pessoas. Há uma interação e sentimos a força que vem do povo”, destaca.
Importância da espiritualidade
Padre Valter reforça a importância da oração e da espiritualidade, frisando que ela sempre fez sentido para quem tem fé. “Quem não a possui, busca o sentido da vida em outras realidade, as quais temos que respeitar. Muitos acreditam em outras religiões ou vivem no ateísmo. Mas para os católicos, por exemplo, existe a questão de nos comunicarmos com Deus. Sempre costumo dizer que a oração não resolve nossos problemas, Deus não age magicamente de forma que eu peço e ele responde. A importância da oração é que ela nos dá forças para nos mantermos firmes e encontrarmos luz e caminho sobre como superar as dificuldades”, comenta, citando, ainda: “Devemos agir como se tudo dependesse de nós, mas confiar em Deus como se tudo dependesse dele”.
De acordo com o reitor, essa interação entre a graça de Deus que deve ser correspondida pela responsabilidade de cada fiel, é que o dá forças para cada um prosseguir a caminhada. “Certamente todos temos a experiência de que, nos momentos de crise, se não tivéssemos fé, o que iríamos fazer? A fé nos dá serenidade e forças”, acrescenta.
Manter o bom humor
Do ponto de vista do padre, outro forte aliado no controle da saúde mental é o bom humor. “Certamente nunca tinha visto tanta criatividade, tantas ações humorísticas que recebi pelo WhatsApp, em torno da questão do coronavírus. Isso tudo ajuda a aliviar as tensões”, pontua.
De acordo com ele, uma questão muito delicada é a imunidade física, mas também existe a imunidade emocional, psicológica e espiritual, que precisa de cuidados intensivos. “Se uma pessoa se abate demais, baixa a imunidade e isso faz com que sintam-se enfraquecidos e alguma doença pode atingir”, explica.
O reitor relata que nos últimos dias, praticamente não assistiu televisão, até mesmo porque, segundo ele, o impacto da imagem é muito mais forte no campo psicológico. “Opto pela leitura e mantenho a expectativa de ouvir a notícia que descobriram a vacina contra o coronavírus”, salienta, acrescentando que passou por uma experiência interessante, recentemente, em que postou dois vídeos, com muita alegria e centenas de pessoas reagiram e até compartilharam. “O bom humor é fundamental. Os artistas nos ajudam muito nisso também, sem ficarmos alienados. Devemos nos cuidar, seguir todas as orientações dos profissionais de saúde, e também, manter um equilíbrio, pois, com certeza essa situação de confinamento é muito estressante”, destaca.
Mensagem
“Deus nos fez livres, para podermos seguir um caminho ou outro, tomar uma decisão ou outra, e sabemos também, que a nossa liberdade é condicionada a fatores como o contexto e a realidade onde vivemos. Procuro seguir as orientações das autoridades sanitárias, até pelo risco que isso significa. Sabemos que há muitas pessoas que precisam prosseguir suas atividades. Mas quem pode ficar em casa, é melhor, principalmente as pessoas que integram o grupo de risco. O momento exige muita atenção.
Sejamos caridosos, amáveis, afáveis, o amor haverá de vencer, é por ele que conseguiremos superar essa situação de crise”.