O Alto Uruguai é formado por 32 municípios e uma população de aproximadamente 240 mil pessoas. A pergunta é: em caso de um surto de contaminação do coronavírus na região, o sistema de saúde público e privado teriam condições de atender a todos?
Outro ponto a ser destacado é que a região tem uma grande concentração de idosos, grupo de risco mais afetado pela doença. Em alguns municípios, os idosos representam mais de 30% da população, como Jacutinga, o que é muito preocupante, sendo que a média do Rio Grande do Sul, que é um dos estados com mais idosos no país é de 18,6% da população dentro do grupo de 60 anos ou mais.
Para complementar, segundo o IBGE, “a população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios”.
As autoridades médicas falam em colapso do sistema de saúde do país se a contaminação do coronavírus não for contida. Situação trágica que já vem ocorrendo em outros países como Espanha e Itália, que registou na sexta-feira (27) 919 mortes, até o fechamento da matéria.
Comitê
Segundo o coordenador do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, Jackson Arpini, a meta prioritária do Ministério da Saúde e preconizada por vários especialistas, mundialmente reconhecidos, é achatar a curva epidemiológica para que a contaminação não seja de forma aguda e abrupta. “O que causará, caso aconteça, uma sobrecarga do sistema de saúde, em outras palavras, muitas pessoas contaminadas ao mesmo tempo procurando os serviços de saúde e superlotando os hospitais”, afirma.
“Tomando como base os dados censitários de 2010, Erechim e região, numa projeção estimada, deve ter aproximadamente 53 mil idosos (acima de 60 anos), grupo que requer uma atenção redobrada quando falamos de COVID-19. E considerando que na contaminação poderá ocorrer agravamento da doença com necessidade de internação e utilização de leitos de terapia intensiva (UTI) e de ventiladores pulmonares”, comenta.
O coordenador regional explica que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o ideal seja 1 a 3 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. “Trazendo esses indicadores para o cenário local, verificamos que os números ideais oscilam de 6 a 16 leitos por 10.000 habitantes, considerando, apenas, a população acima dos 60 anos”, afirma.
Jackson ressalta que os planos de contingência da região para o covid-19 estão trabalhando para disponibilizar à comunidade 45 leitos de UTI, entre o hospital público e o filantrópico. “O que seria satisfatório, segundo dados da OMS. Porém, estamos falando de uma situação pandêmica, de um vírus de alta transmissibilidade, que já contaminou meio milhão de pessoas no mundo e mais de 22.900 mortes, na grande maioria pessoas acima de 60 anos e com enfermidades pré-existentes”, observa.
E, acrescenta, “com certeza, caso percamos o controle da situação a exemplo da Itália, teremos grandes dificuldades no sistema de saúde, que poderá entrar em colapso com a falta de UTI e ventiladores, causando, além de transtornos administrativos (recursos humanos), de insumos e testes rápidos, óbitos”.
O coordenador reforça a relevância, neste momento inicial da epidemia, que iniciou no Brasil em 26 de fevereiro, portanto, está em curso a um mês. “O isolamento social desse grupo etário é ação preponderante, porque as estatísticas indicam que a exposição desnecessária e o contato com pessoas contaminadas levarão ao agravamento, internação, UTI e, inevitavelmente, a óbitos”, afirma.