Você é uma daquelas pessoas que tem a prática de exercícios físicos como um verdadeiro hábito? Se sua resposta é sim, imagino que os últimos dias estão sendo um tanto delicados, inclusive nesse aspecto, considerando todo o cenário de isolamento domiciliar. Isso porque, a partir das determinações de profissionais da saúde, autoridades e órgãos oficiais, os quais destacam a medida como uma das principais no combate ao novo coronavirus, é preciso lidar com uma mudança de comportamento. Diante disso, as caminhadas ou idas às academias, foram suspensas por alguns dias. Mas qual será o reflexo dessas alterações na saúde?
O personal trainer de Erechim, Cristian Andreolla, é quem explica: “o que se observa na grande maioria das pessoas é que a rotina cria uma "zona de conforto" para todas as atividades, que podem ser atividades saudáveis, como prática de exercícios físicos e manutenção de uma boa prática alimentar, bem como, podem ser atividades que não fazem bem para a saúde, como é o caso de sair do trabalho, chegar em casa e ficar sentado assistindo TV. Ambas as atividades são mantidas pela rotina normal, que são quebradas em casos como de uma pandemia”.
De acordo com Cristian, a saída da rotina normal pode fazer com que pessoas que praticavam exercícios físicos regulares a pouco tempo, por exemplo, deixem de fazê-lo, pois pode ser perdido o foco e os motivos que faziam a pessoa se movimentar. “Esse tempo de parada pode eventualmente bagunçar o sistema hormonal, seja por exageros alimentares, seja por uma abrupta parada. Obviamente que eles serão tão pequenos quanto o volume de tempo que se faz o tempo de abstinência de exercícios”, pontua.
Outro ponto muito importante no que se refere à saúde, diz respeito à psique. O personal trainer comenta que, sem nada para fazer é muito provável que um indivíduo propenso, desenvolva sintomas de depressão e ansiedade, que vão atuar diretamente no sistema imune e poderão favorecer outros tipos de problemas. Por isso, é essencial manter pelo menos uma atividade para ocupar o tempo. “Já diz o ditado: ‘cabeça vazia, oficina do diabo’. Levamos em conta que as pessoas praticam exercícios físicos como uma forma de se sentirem melhores. Utilizo com frequência a expressão de que o exercício é um carro que nos leva ao nosso destino. Se a pessoa tem isso em mente, um período de parada não servirá de desculpa para que ela deixe de se exercitar”, acrescenta.
É possível criar uma rotina de exercícios dentro de casa?
Na opinião de Cristian, não só é possível, como pode ser muito benéfico. “O corpo, em si, já tem carga, que é o nosso próprio peso, e se bem "manipulado" pode dar muito estímulo para treinar com qualidade”, cita. Confira algumas dicas:
- Podemos usar o peso do corpo para fazer agachamentos e flexões de cotovelo;
- Realizar polichinelos;
- Pular corda;
- Levantar garrafões de água, sacos de arroz, açúcar;
- Outros exercícios que podem ser realizados, principalmente nessa fase de maior inatividade, são os alongamentos para evitar encurtamentos e dores provenientes de má postura.
Mantenha a disciplina
Algumas pessoas podem pensar: mas é difícil manter uma disciplina dentro de casa. Será? A principal dica, conforme o personal, é sempre lembrar o motivo mais íntimo que nos fez começar. “Vale lembrar que a motivação é um aspecto muito particular e psicológico, que depende do momento de vida da pessoa. Não conheço nenhuma outra forma de ter resultado que não seja estar constantemente motivado para realizar os próprios sonhos e desejos”, ressalta.
Mobilize a família
Considerando a fase em que muitas famílias estão reunidas em casa, é possível organizar atividades que possibilitem interação e contribuam tanto na saúde física como no bem-estar. “Devemos considerar que o ser humano tem três esferas de organização: biológica, psicológica e social, e são elas que indicam a saúde. Um indivíduo pode estar doente por viver em solidão, por ter doença ou por estar desmotivado com a própria vida. Ambas as situações podem afetá-lo intensamente e causar dor. Nesse momento de maior convívio social com a família, devemos nos unir para impedir uma crise depois da retomada da rotina”, destaca.
Para tanto, existem muitos jogos que podem trazer atividade física, contato social e ainda estimular a cabeça. Como exemplos, estão os jogos de tabuleiro, jogos de carta, brincar com o cachorro, com o gato, cuidar do jardim, plantar algumas verduras, organizar a casa e encontrar coisas que não havia mais lembrança. “Tudo isso pode ser muito positivo nesse momento em que estamos em repouso em casa, esperado a ordem ser reestabelecida”, aconselha o personal trainer.
Exercícios ao ar livre ou na academia: qual ausência pode gerar mais “estranhamento”?
Segundo Cristian, para responder essa questão deve-se levar em consideração o tipo de atividade que a pessoa procura e qual o resultado que ela deseja com a atividade física. "No entanto, em um contexto geral, a academia tem mais ressalvas nesse período e, inclusive, estão fechadas em Erechim. Na rua não tem nenhuma limitação, pois o contato é menor e a disseminação do vírus é bem baixa", explica.
Uma dica é utilizar esse período pra melhorar o sistema cardiorrespiratório. "Atividades aeróbias necessitam muito menos materiais e implementos do que um treino de força que vise a o ganho de massa magra", completa.