Você já parou para pensar na saúde dos seus rins? É, isso mesmo. Nem todos sabem, mas os bons hábitos de vida contribuem, entre muitas outras coisas, para evitar problemas renais. Com o propósito de alertar a população sobre a importância da prevenção das doenças renais crônicas, nesta quinta-feira (12) é celebrado, em todo o mundo, o Dia Mundial do Rim.
Neste ano, a campanha traz o tema ‘Saúde dos Rins para Todos’ e o slogan ‘Ame seus rins. Dose sua creatinina’.
O médico erechinense, especialista em Medicina Interna/Nefrologia, Jean Carlos Zanardo, que também atua como intensivista, especialista em Terapia Intensiva e professor da Faculdade de Medicina, na URI, destaca que o slogan remete à ideia de que é um direito de todos ter saúde, mas um dever de cada um, cuidar de si, dar importância para o próprio corpo.
Segundo o especialista, os rins são órgãos que se tornam alvo de doenças como hipertensão, diabete e infecções diretas, as pielonefrites, cálculos renais, desgastando progressivamente, piorando a função renal, o que pode levar a estágios avançados de total insuficiência renal, necessitando de terapia renal substitutiva: a hemodiálise.
Fatores e sintomas
Zanardo destaca que, entre os fatores relacionados aos problemas renais, estão os maus hábitos de vida, tais como sedentarismo, fumo, álcool, drogas, alimentação com excesso de sal, gordura e açúcar, sobrepeso e pouca ingestão de água.
Já os principais sintomas e sinais de doenças se apresentam em forma de edema (inchaço), diminuição do volume urinário, náusea, vômito, fraqueza, perda de peso, urina com espuma ou concentrada e aparecimento de hipertensão.
Tratamento
O especialista de Erechim ressalta que o tratamento correto e o acompanhamento partem de um diagnóstico preciso, com uma consulta especializada e exames. “A partir disso é orientado sobre a medicação, dieta, controle de peso e exercícios, além de consultas periódicas. Caso isso não ocorra, com tratamento descontinuado o paciente evoluirá com piora progressiva da função renal, passando a estágios superiores com declínio rápido da filtração renal, evoluindo para insuficiência renal crônica com necessidade de hemodiálise para retirada das impurezas e manutenção da vida e do bem estar físico”, alerta.
Conforme a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a cada década, o número de pacientes de hemodiálise aumenta 10% no País. Sobre a estrutura de tratamento ofertada na região, Zanardo comenta que, felizmente todos os pacientes estão sendo atendidos. Ele frisa, ainda, que: “com o aumento da expectativa de vida, a melhora dos atendimentos médicos hospitalares, o progressivo subsídio das medicações para doenças crônicas, ocorrerá um expressivo aumento de pacientes renais crônicos, bem como em todo o sistema de saúde. Não sobram vagas mas estamos trabalhando com os gestores de saúde para o aumento de área para atender com mais conforto todos os pacientes acometidos desta enfermidade”, acrescenta.
Segundo o médico, as pesquisas nesta área bem como em toda medicina, não param. “As medicações evoluíram muito e o aumento da expectativa de vida é real. Como exemplos está o tratamento da hipertensão, que melhorou muito nos últimos 20 anos”, salienta.
Saiba mais
DRC (Doença Renal Crônica)
* Estima-se que cerca de 37 milhões de adultos nos EUA tenham DRC e a maioria não é diagnosticada.
* No Brasil esse número chega a 24 milhões.
* As doenças renais são a nona principal causa de morte nos Estados Unidos.
* No Brasil a realidade é semelhante.
* Nos EUA 48% das pessoas com função renal severamente reduzida e que não fazem diálise, nem sabem que têm DRC.
* No Brasil, mais de 50% não sabem.
* Nos EUA a cada 24 horas, cerca de 340 pessoas iniciam o tratamento dialítico para insuficiência renal.
* No Brasil são 55 pessoas.
* Nos Estados Unidos, diabetes e pressão alta são a principal causa de insuficiência renal, representando cerca de três em cada quatro novos casos.
* No Brasil é a mesma realidade.
* Nos EUA, em 2017, o tratamento de beneficiários do Medicare com DRC custou mais de US$ 84 bilhões e o tratamento de pessoas com DRT custou US$ 36 bilhões adicionais.
* No Brasil a diálise representa um custo de 6,7 bilhões de reais.