O Campeonato Brasileiro feminino começa neste sábado (8), com 16 times buscando o título da competição. A oitava edição do Brasileirão é considerada o “torneio mais disputado de todos os tempos”, isto porque, nunca houve um número tão grande de equipes vindas do futebol masculino.
Além do investimento dos clubes, o Brasileirão também terá as suas partidas sendo transmitidas com a continuidade da parceria entre a CBF e a plataforma de streaming MyCujoo. Além disto, a TV Bandeirantes também fará a transmissão de algumas partidas.
A atual campeã brasileira, a Ferroviária manteve a base que conquistou o bicampeonato no ano passado. Para a temporada, as Guerreiras Grenás trouxeram seis reforços e duas atletas que disputavam as categorias de base foram integradas ao time profissional.
O futebol feminino no país do futebol
As torcedoras também estão na expectativa para o Brasileirão. Torcedora do Grêmio, Marina Staudt, destaca o abraço que a torcida vem dando ao futebol feminino e entendendo que a modalidade faz parte do clube. “O Grêmio tem tudo para fazer um bom campeonato. A expectativa está altíssima. As equipes vêm se preparando e será um campeonato disputado com um nível técnico bem alto. O Grêmio retornando à elite precisa focar porque não vai ser fácil. Vai ser peleia atrás de peleia, mas temos condições. O Tricolor fez boas contratações e fez um time competitivo - com jogadoras que já tiveram a experiência de jogar a competição e outras maiores como a Copa do Brasil e a Libertadores. Vejo esse retorno como um recomeço”, salienta Marina.
Já para a torcedora colorada, Mitiele Ferreira, os investimentos realizados no futebol feminino estão sendo convertidos em títulos. “A expectativa está grande. Nosso ataque vem com tudo. Confio muito na Fabi Simões e na Byanca Brasil. A nossa defesa também é muito forte. Temos um elenco competitivo e a direção acertou nas contratações. Vejo a reformulação como um ponto positivo”, finaliza Mitiele.
A visibilidade e a ascensão do futebol feminino também são comemoradas pelas jogadoras. Para a volante Thessa, do Internacional, está havendo um desenvolvimento com os campeonatos, incluindo as categorias de base. “A situação do futebol feminino, atualmente, é a melhor vivida em muitos anos. Os clubes tradicionais do Brasil estão estruturando seus departamentos e a mídia vem dando um espaço maior para a categoria. Tudo isso, claro, contribui para que haja um aumento gradativo de visibilidade e para que o público possa frequentar os estádios e acompanhar jogos de qualidade”, destaca a jogadora.
Assim como Thessa, a atacante do Grêmio, Karina Balestra também destacou a valorização das categorias de base. “O futebol feminino está crescendo nas bases. Os grupos estão com equipes no sub18 e também em outras categorias. Acreditamos no crescimento da modalidade, quanto no adulto e base. Vimos mudanças na Seleção Brasileira, e esperamos evoluir dentro da modalidade e fazer com que a modalidade cresça. Precisamos muito do apoio dos torcedores e dos clubes. O futebol feminino está no caminho certo”, finaliza.
A expectativa das jogadoras para a competição
Luciana, a muralha da Ferroviária
Campeã do Brasileirão Série A1 e vice da Libertadores Feminina de 2019, a goleira Luciana irá disputar a sua quinta temporada na Ferroviária. A primeira passagem da mineira no time das Guerreiras Grenás aconteceu na temporada de 2013/2014. No ano seguinte, conquistou o título do Brasileirão com o Rio Preto. E em 2017, retorno para o time de Araraquara. “Ainda tem muita coisa a ser feita, mas estou muito feliz pelo que já conquistamos”, salienta Luciana.
Carinhosamente chamada pela torcida como a “melhor goleira do mundo”, Luciana se tornou a primeira jogadora a conquistar o bicampeonato pela mesma equipe. Em 2014, a goleira fez parte do elenco que venceu o Avaí Kindermann e no ano passado, se tornou a heroína no título conquistado diante do Corinthians nas penalidades. Ao longo da competição foram quatro pênaltis defendidos: dois nas quartas de final, dois na semi e um na grande final.
O bom desempenho em campo também lhe rendeu o prêmio de melhor goleira do Brasileirão de 2019. Neste ano, Luciana quer dar continuidade as conquistas e trazer mais alegria ao torcedor grená. “Minhas expectativas são as melhores. Estamos com um elenco bom e bem entrosado. Também estamos nos preparando para os grandes jogos que teremos”, destaca a camisa 1.
Karina, a artilheira tricolor
Defendendo a camisa do Grêmio desde 2017, a atacante Karina Balestra irá para a sua quarta temporada no time das Gurias Gremistas. Capitã tricolor na temporada de 2019, Balestra marcou 18 gols no Brasileirão Série A2. “Minha permanência é de total confiança da comissão técnica e também da diretoria. Hoje sou uma das referências do futebol feminino, e sempre procuro passar para as meninas mais novas a importância que é jogar uma Série A1 com a camisa do Grêmio, a importância de estar em uma competição forte”, ressalta Balestra.
Neste ano, a disputa do Grêmio na competição será com novos rostos. Para a jogadora, as mudanças foram necessárias. “Saímos de uma competição mais fraca que é a Série A2, e passamos para uma competição mais difícil e que exige mais. Os reforços vieram para somar, fazer uma boa temporada para chegarmos entre os finalistas da competição”. Aos 38 anos, Karina é a jogadora mais experiente do elenco. Com passagens pelo futebol asiático e pela Seleção Brasileira. A atacante busca passar as suas experiências em campo.
Rosana e Stefany, a experiência e a motivação
Quatro Copas do Mundo e Olímpiadas. Uma das referências do futebol feminino é a lateral-esquerda e meia, Rosana. Depois de ter conquistado o título do Brasileirão com as Guerreiras da Ferroviária, a ex-jogadora da Seleção tem um novo desafio: defender o Palmeiras. O alviverde investiu no futebol feminino e além de Rosana, outras seis jogadoras foram anunciadas no início do ano, entre elas, a erechinense Stefany Krebs. Mas as contratações do time paulista não devem parar por aí. “O Palmeiras montou um elenco bom e é bem provável que se reforce com algumas peças pontuais. O elenco é dinâmico e competitivo”, ressalta Rosana.
A estreia do Palmeiras será em um clássico diante das Minas do Corinthians. A primeira partida com a camisa do Verdão traz animação a Rosana. “Estamos trabalhando muito. Vamos começar logo com um Derby, é uma responsabilidade grande, principalmente para fazer um bom jogo. Vamos atrair mais público (com a partida), as perspectivas melhoram no futebol feminino. É um fator positivo fazer um bom jogo”, finaliza a jogadora.
Desde o momento em que foi anunciada como reforço do Palmeiras, Stefany vive a realização de um sonho. “No momento estou ansiosa. Concentrando nos treinos, estou me adaptando ainda. Completei um mês em São Paulo na sexta-feira (7). Se tiver oportunidade de jogar na estreia do Campeonato Brasileiro, com certeza entrarei e dar o meu melhor para poder ajudar na equipe. Estamos indo bem e unidas sempre”, destaca Krebs.
Thessa, a volante das Gurias Coloradas
Quando se trata das Gurias Coloradas, a história do time se confunde com a carreira da volante Thessa. A jogadora de 32 anos integra o elenco do time gaúcho desde a retomada do futebol feminino. “Escolhi permanecer no clube porque acredito no projeto e quero contribuir para que ele seja cumprido com êxito. Quanto as mudanças, elas foram essenciais. Precisávamos de atletas de alto nível, experientes, e elas chegaram. Com certeza irão contribuir, juntamente com o restante do nosso grupo, para darmos alegria a direção e aos torcedores”, salienta a jogadora.
No ano passado, Thessa dividiu a braçadeira de capitã com a zagueira Bruna Benites. As duas jogadoras continuam integrando o elenco das Gurias Coloradas. E para a temporada, Thessa vê um envolvimento maior da imprensa e também da torcida. “A expectativa é que seja uma das melhores edições da competição. Teremos grandes equipes na disputa, quem contam com jogadoras renomadas em seus plantéis, e a própria mídia e torcida vêm demonstrando que acompanharão de perto o Brasileirão deste ano. Lógico que essa alta competitividade influência para quem está dentro de campo”.