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Saúde

Diálogo na base preventiva da gravidez na adolescência

Médico de Erechim, Alberto André Pippi Schmidt, destaca que jovens devem ter acesso a um canal de conversa, consultas sobre métodos anticonceptivos e acompanhamento de um especialista, seja um ginecologista, um pediatra ou um hebiatra

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Conforme especialista, houve um período em que os debates sobre prevenção estiveram mais integrados
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Nesta semana, o tema relacionado à prevenção da gravidez em adolescentes tem sido alvo de debates, principalmente em razão do anúncio feito pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ao indicar a abstinência sexual como método eletivo para prevenção da gravidez na adolescência e outras situações de risco à saúde reprodutiva e sexual.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento científico com considerações a respeito. No texto, o órgão enfatiza que o amplo acesso à educação e à informação, associado à disponibilidade de serviços de saúde qualificados, representam a única ferramenta comprovadamente eficaz para lidar com a questão.

Conforme a SBP, o tema da prevenção da gravidez em adolescentes é extremamente importante e exige mais esclarecimentos e informações, sobretudo para serem repassados aos pais e aos próprios adolescentes. Especificamente sobre o início da vida sexual, questões biológicas, psicológicas e sociais precisam ser consideradas neste contexto, segundo os especialistas.

Para a entidade, a ausência do uso de métodos contraceptivos, a dificuldade de acesso a programas de planejamento familiar e sobretudo a falta de informação adequada e sistematizada para os jovens têm contribuído para o aumento da gravidez precoce. Além disso, o início cada vez mais precoce da puberdade constitui outro fator relevante, com repercussão na ampliação do intervalo entre o preparo físico do corpo para a atividade sexual e o amadurecimento psicossocial necessário à prática da sexualidade.

O que diz o especialista?

O médico pediatra de Erechim, Alberto André Pippi Schmidt, ressalta que o profissional da sua área de atuação tem um papel muito importante na prevenção, a qual inclui discussões nas escolas, nas aulas de educação sexual, biologia, entre outras. “Algumas instituições promovem debates sobre o tema com os estudantes, incluindo a gravidez na adolescência. Acredito que o primeiro passo é prevenir no sentido da educar, para conhecimento do corpo, saber como se proteger para que não haja uma gravidez indesejada e outras questões. É um assunto delicado e que deve estar em destaque”, comenta.

Em segundo lugar, conforme o especialista, as jovens devem ter acesso a um canal de conversa, a consultas no ambulatório sobre métodos anticonceptivos para que elas possam ter um acompanhamento no uso de medicamentos, seja por um ginecologista, um pediatra ou um hebiatra (médico dos adolescentes). “Essas orientações acontecem de modo diferente com o público adolescente, inicialmente com a participação da mãe, depois de forma individual, debatendo diferentes aspectos como: o que significa o “ficar”, o avanço dessa fase e os cuidados que devem ser tomados, tudo de forma planejada”, destaca, citando, ainda, que deve haver esclarecimentos sobre todos os métodos anticonceptivos. “Inclusive a pílula do dia seguinte, claro, respeitando as convicções religiosas de cada um, mas as opções devem ser expostas”, acrescenta.

Na opinião de Schmidt, houve um período que esse assunto foi mais comentado e parecia que estava mais integrado à rotina dos jovens e professores. “Sinto que nos últimos anos há um “esquecimento” desse tema e isso preocupa. A faixa etária dos 12 anos já merece um reforço desse debate”, frisa.

Outro aspecto, pontua o pediatra, é que, caso aconteça a gravidez, devem ser oferecidas todas as condições para um pré-natal adequado. “É fundamental que as adolescentes façam as nove consultas e que elas contem com toda a estrutura organizada”, explica, declarando que, além da parte médica, o suporte familiar e da própria comunidade, faz toda a diferença.

Mais sobre o documento da SBP

De acordo com o documento científico da SBP, para fazer frente a esse tema, diversas possibilidades têm sido mobilizadas em todo o mundo. Os Estados Unidos (EUA), por exemplo, que detêm um dos maiores índices de gravidez na adolescência entre os países desenvolvidos, têm gasto bilhões de dólares na busca de alternativas. Além disso, conforme destaca a publicação, a abordagem de abstinência sexual exclusiva exclui da política de prevenção uma série de grupos, incluindo os adolescentes sexualmente ativos, aqueles que já são pais, os que não se consideram heterossexuais e as vítimas de abuso sexual.

Assistência à saúde

Segundo a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, muitas mudanças ocorreram nos âmbitos biológicos e culturais e todos os profissionais que lidam com os adolescentes sabem que a iniciação sexual ocorre cada dia mais precocemente, sendo que apenas a informação adequada pode evitar tanto a gravidez precoce quanto as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). “A abstinência somente é saudável se for uma escolha genuína do adolescente e não uma imposição ou a única opção oferecida. É fundamental garantir espaço para a autonomia. Qualquer programa com o objetivo de reduzir a prevalência de gravidez precoce deve promover o acesso à orientação adequada. Nesse sentido, é importante considerar a educação, tanto no meio familiar quanto na escola, e sobretudo a assistência à saúde, com destaque para a figura do pediatra, que nos últimos anos tem sido paulatinamente retirado dos programas de Atenção Primária”, comenta.

A Lei nº 13.798 instituiu a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A medida passa a vigorar no Art. 8º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e será celebrada, anualmente, na semana que incluir o dia 1º de fevereiro.

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