O que você faria se o seu clube do coração contratasse um feminicida ou um jogador acusado de espancar a esposa? O debate voltou a ser assunto nas redes sociais após o Operário do Mato Grosso negociar com o goleiro Bruno – condenado por homicídio triplamente qualificado, e deve cumprir uma pena de mais de 20 anos por sequestro, assassinato e ocultação de cadáver.
Na última segunda-feira (27), Bruno que é ex-goleiro do Flamengo, concedeu uma entrevista à Rede Record, onde na oportunidade enfatizou não entender porque a sociedade não quer aceitar ele a voltar a fazer o que ama. “O que eu estou buscando é uma oportunidade de trabalhar, de recomeçar a minha vida. É uma pergunta que eu faço para mim mesmo. Por que eu não posso voltar a fazer o que eu amo fazer? A sociedade é a primeira a cobrar daquela pessoa que ela tem que trabalhar. Mas ao mesmo tempo que ela cobra, ela não dá oportunidade”, revelou o jogador.
Para a acadêmica de Ciências Sociais, Daniele Marek, o patriarcado, machismo e acobertamento da figura masculina frente ao sucesso eminente do jogador fez com que várias pessoas saíssem em defesa do goleiro. “O que me leva ainda a achar mais controverso é saber que muitas crianças e também adultos veem através do futebol e de seus atletas figuras heroicas, de orgulho e espelhamento, agora trazer um feminicida para esse cenário novamente é gatilho para que possamos entender que é ‘normal’ o fato ocorrido e ‘importante’ colocar ele novamente um local de destaque”, salienta Daniele.
Mas Bruno não é apenas o único goleiro que traz marcas sombrias. Jean, ex-arqueiro do São Paulo, foi acusado de espancar a ex-esposa, durante as férias, nos Estados Unidos. Após o Tricolor Paulista rescindir o contrato, o jogador foi emprestado ao Atlético Goianiense – que retornou a elite do futebol nacional. Bruno e Jean são apenas dois atletas que estão envolvidos em casos de agressão e morte, e que continuam sendo ovacionados por torcedores. “Esquecemos por um lapso de tempo o quão o sucesso dos jogadores de futebol é pano para acobertar tantas atrocidades que realizam, não é a primeira e infelizmente não será a última, que estará em holofotes na grande mídia. O poder que o mesmo detém parece se multiplicar e endeusar seus comportamentos, como se isso fosse aceitável e correto”.