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Rural

‘Estiagem, a resiliência do agricultor sendo testada’, afirma consultor

Diante de um cenário em que a probabilidade de estiagens com maior ou menor intensidade é acima de 65%, engenheiro agrônomo e consultor, Gian Lucas Beledelli, explica como é possível aprender a conviver com estes eventos climáticos

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Nos meses de janeiro e fevereiro, mais de 90% das lavouras de soja se encontram em fase reprodutiva
Gian Lucas Beledelli
Por Da redação
Foto Divulgação

Mesmo com a chuva registrada ontem (16) na região, várias localidades já registraram prejuízos em razão da estiagem. Recentemente, Ponte Preta e Itatiba do Sul decretaram situação de emergência devido aos sérios danos identificados no meio agrícola.

Segundo dados climatológicos, a probabilidade de o Alto Uruguai sofrer estiagens com maior ou menor intensidade, é acima de 65%. Nesse sentido, é necessário aprender a conviver com estes eventos climáticos. O engenheiro agrônomo e consultor, Gian Lucas Beledelli, que atua também com pesquisas na área, explica melhor o assunto.

Segundo ele, a estiagem é compreendida como a falta de precipitação pluvial ou mesmo baixos volumes acumulados em um determinado período de tempo, ocasionando a redução ou propriamente o término de cursos de águas fluviais. Além disso, pode gerar sérios problemas à população e principalmente para a fauna e flora.

Impactos a partir da seca

Gian Lucas explica que, para o cenário agrícola, a gravidade desta falta de chuvas pode variar. “Nos estágios vegetativos das plantas, os danos podem ser menores, pois o consumo médio de plantas de soja e milho nestas fases, fica em torno de três a cinco milímetros por dia. Já quando estes entram em períodos reprodutivos (floração e formação de grãos) o consumo aumenta para até oito milímetros por dia. A falta de água além afetar todos os processos biológicos das plantas e ocasionar danos indiretos como a falta de disponibilidade de nutrientes do solo para a planta e, com o solo mais seco, dificultar a penetração de raízes”, pontua, citando que nos meses de janeiro e fevereiro, mais de 90% das lavouras de soja se encontram em fase reprodutiva (nas regiões Alto Uruguai e Planalto), aumentando significativamente as perdas na produtividade de grãos. “Já para o milho o mês fundamental é dezembro onde a maior parte das lavouras inicia o processo reprodutivo”, acrescenta.

Como reduzir os danos econômicos nas lavouras?

De acordo com o engenheiro agrônomo, otimizar os recursos é a palavra-chave. Isso porque um solo em equilíbrio e com capacidades físico, química e biológica, irá reter e disponibilizar mais água para as plantas, mitigando e retardando os efeitos das estiagens.

Gian salienta que a parte física do solo é a mais importante quando se trata de taxa de infiltração e retenção de água no solo.

Nesse sentido, os principais fatores que alteram estes fluxos de água no solo são: compactação: (pressão no solo por maquinas agrícolas ou animais) e o adensamento do solo (produção de palha e raízes abaixo da demanda do solo) ocasionando a obstrução da porosidade do solo, a qual auxilia a penetração e a retenção de água para as plantas, sendo que muitas vezes podem ser observados pela presença de erosão superficial do solo, o qual não aproveita as águas das chuvas além de carregar solo e nutrientes para as partes mais baixas e rios. Isso não e só um problema econômico mas também ambiental. “O adensamento também impede a subida por capilaridade no perfil do solo, a qual muitas vezes poderia suprir as plantas durante períodos de estresses, além de dificultar a penetração das raízes das plantas”, relata.

Como é possível perceber, vários são os danos diretos e indiretos para os cultivos. “A descompactação do solo pode ser feita com máquinas especificamente direcionadas para isto como escarificadores, subsoladores e arados de disco. Todos estes processos devem conter, ainda, no ciclo culturas, gramíneas de verão para auxiliar na estabilização do solo. Para efetuar estas correções o agricultor deve solicitar os serviços de um agrônomo capacitado para avaliar o modo da intervenção que deve ser realizado utilizando como base o processo com critérios provados cientificamente pelo pesquisador Dr. José Eloir Denardin da Embrapa”, orienta o consultor.

Correções de solo

Outro fator que deve ser aliado ao mesmo momento de ajustes da parte física, são as correções químicas do solo, visando o equilíbrio e a plena disponibilidade de todos nutrientes para o cultivo implantado. “Desta forma, as plantas podem crescer mais rapidamente e se estabelecer, podendo assim apresentar uma maior capacidade de tolerância às faltas de chuva, devido ao maior crescimento de raízes, explorando, assim, um maior volume de solo (desde que este possibilite fisicamente). Também há o maior crescimento das plantas; estas criam condições melhores (maiores volumes de raízes e palha) para manutenção das caraterísticas físicas do solo”, explica.

Gerenciamento de cultivos

Por último e não menos importante, fica com o gerenciamento de cultivos utilizados para obter renda e manter os atributos corrigidos. “O plantio escalonado com cultivares ou híbridos em diferentes ciclos faz com que a janela de período reprodutivo das plantas aumente, assim nem todas as épocas e períodos reprodutivos serão afetados severamente, diluindo o risco de frustração”, comenta Gian, que alerta: “as culturas que antecedem e sucedem os cultivos de verão também são de fundamental importância para o equilíbrio físico químico e biológico do solo”.

O engenheiro agrônomo ressalta que, como inovação tecnológica, muitas linhas de melhoramento estão voltadas para que em um futuro próximo seja possível ter cultivares e híbridos com maior tolerância a estes possíveis estresses durante o ciclo de cultivo.

Sistemas de irrigação

Outra alternativa para minimizar os danos de estiagens pode ser a utilização de irrigações que, mesmo de forma mais onerosa ao produtor, é diretamente eficiente.  

Potencial das lavouras

“Se seguidos estes três passos, o risco de o produtor ter uma grave frustração, diminui muito, além de aumentar significativamente o potencial das lavouras se o ano for de chuvas acima da média. As secas não vão deixar de existir, assim devemos estar sempre prevenidos e aprendendo com a natureza para sermos o mais eficiente possível, com os recursos que a natureza nos oferece”, reitera Gian.

 

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