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Saúde

Excesso de peso em mochilas pode acarretar problemas na fase adulta

Ortopedista de Erechim, Marcos Antônio Busetto, orienta crianças e pais a redobrar os cuidados, desde cedo, para evitar complicações

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Outra questão é a forma como as crianças carregam as mochilas
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: o excesso de peso nas mochilas escolares e o esforço repetitivo na infância e adolescência ocasionam 70% dos problemas de coluna na fase adulta. O que nem todos sabem, é que o grande problema não é só o peso do material, mas a forma como as crianças carregam as mochilas.

O médico ortopedista de Erechim, Marcos Antônio Busetto, orienta que o ideal é observar desde o momento da compra, optando por mochilas que não sejam muito pesadas. Outro cuidado está relacionado às mochilas de rodinhas, pois elas, por vezes, têm um peso extra.

Conforme o especialista, uma dica às crianças e adolescentes, é levar para a escola somente o que for necessário, evitando cadernos pesados e livros que não sejam necessários para o dia específico. “Caso houver exagero no peso da mochila, poderão sofrer com alguns problemas no futuro, principalmente relacionados a desvios na coluna, tais como escoliose, cifose, ou, ainda, problemas discais”, pontua.

Segundo ele, isso poderá se manifestar por volta dos 30, 40 anos e são doenças degenerativas. “Não quer dizer que seja um causador direto, mas a ação poderá acelerar o processo”, explica o especialista.

Busetto reforça que a postura é algo que merece cuidado constante. “Sempre digo aos pacientes: ‘vá para a escola com a mochila nas costas e volte com ela na frente’. Ao mesmo tempo, o mais indicado seria que todas as escolas tivessem um armário individual em que os alunos pudessem guardar seus materiais naquele espaço. Isso facilitaria, não sendo preciso carregar todos os livros”, comenta.

Do mesmo modo, o ortopedista acrescenta outra dica importante: incentivar as crianças a deixar um pouco o celular de lado e a fazer atividades físicas. Desde ginástica, caminhadas, passeios de bicicleta, enfim, atividades ao ar livre, as quais são fundamentais.

Qual é o peso ideal?

O cirurgião Luiz Cláudio Lacerda Rodrigues, disse, em entrevista à Agência Brasil, que não existe um peso ideal. “O cálculo é feito em relação ao peso da criança. O que se recomenda é que o peso máximo para cada criança seja 10% do peso corporal. Não ultrapasse esse peso”. Isso significa que, para uma criança que pesa 30 quilos (kg), por exemplo, o ideal é que ela carregue, no máximo, uma mochila com três quilos.

O especialista citou também que a mochila tem que ficar sempre muito justa nas costas. “As crianças têm tendência a usar mochila muito baixa e solta. Além de ela ficar puxando a criança para trás, ela fica como se estivesse batendo nas costas da criança o tempo inteiro”, comentou. A orientação é que a mochila seja usada o mais alto possível e sempre bem justa nas costas.

Sugestões

Para ajudar pais, responsáveis e as próprias crianças e jovens na missão de organizar a mochila no dia a dia, a psicopedagoga Adriana Ferreira sugere algumas providências que favorecem a saúde dos estudantes. Entre elas, a dica de organizar a mochila de forma a distribuir o peso. “Os materiais mais pesados precisam estar mais próximos ao corpo e, havendo bolsos laterais, distribua uniformemente os objetos para equilibrar o peso”.

Outra recomendação é que as crianças separem os itens necessários para a aula do dia seguinte na véspera. “Os jovens têm tendência a arrumar a mochila para a semana com medo de esquecer algo. Isso é um erro terrível, uma vez que aumenta em demasia o peso a ser carregado”. Além disso, muitas mochilas são produzidas com material que já é pesado ou tem tantos acessórios que comprometem esse aspecto. “Mochilas menores também podem ser uma boa alternativa para que os alunos não precisem carregar material supérfluo”.

Adriana Ferreira alertou ainda que as capas duras tornam o caderno um dos vilões do peso na mochila. “É sempre recomendável a compra de cadernos individuais mais finos. É também preferível substituir os cadernos no meio do ano, evitando que o aluno sofra com as dores provocadas pelo excesso de peso”, indicou. Outra sugestão é que os pais ensinem a criança a ser organizada, mas não devem fazer o trabalho de arrumar a mochila pelos filhos. “Esse é um dos piores erros cometidos por pais e responsáveis. Fazer por eles não vai ensiná-los e, sim, acomodará os estudantes que, com o passar do tempo, terão ainda mais responsabilidade e peso para carregar”, concluiu.

 

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