Como está a sua saúde mental? Para algumas pessoas essa é uma pergunta aparentemente simples. Já, para outros, é uma espécie de dilema e porque não dizer, luta diária. Isso porque as chamadas ‘doenças emocionais’ ganham espaço e é preciso atenção redobrada para lidar e contornar esses problemas, evitando, principalmente, complicações. Por isso, a campanha ‘Janeiro Branco’ visa promover o debate e reflexão sobre a importância do cuidado da saúde mental, com o foco, inclusive, na prevenção dos diferentes transtornos.
O médico psiquiatra, Anderson Madalozzo, avalia que a campanha é uma oportunidade estratégica para pensar, debater e planejar ações de cuidado, tanto de forma individual, como coletiva. “Abrir espaços na mídia, nas instituições e na sociedade, como um todo, para a circulação do discurso sobre saúde mental, é fundamental para a geração de um processo preventivo das doenças emocionais. Janeiro Branco é falar sobre nossa subjetividade, sentimentos, dores emocionais e amor. É falar sobre a medicalização da vida, ansiedade e depressão. É falar sobre desejos, amizades e o que nos faz feliz. E muito mais...”, destaca o especialista.
Em relação ao aumento expressivo de casos de pessoas com ansiedade e depressão, por exemplo, ele explica que são transtornos com causas multifatoriais, determinadas por fatores genéticos, biológicos e ambientais.
Conforme Madalozzo, além da população adulta, o aumento na incidência de depressão é percebido em crianças e adolescentes. “É uma fase de vulnerabilidade, de transição. Nesse sentido, situações que podem contribuir são o bullying ou ciberbullying, a exposição excessiva à televisão, celulares e redes sociais (relações virtuais em detrimento das relações reais); e a terceirização da infância com redução da presença dos pais”, pontua.
Em relação aos transtornos ansiosos, fatores como o estilo de vida acelerado e com excesso de demandas é um gerador de estresse. No País, a desigualdade social, a violência urbana e o desemprego, também contribuem para o aumento.
“Também temos mais conhecimentos à respeito desses transtornos e assim os identificamos melhor. Por outro lado, também há um fenômeno de uma “epidemia” de diagnósticos, em que algumas condições normais da vida são patologizadas e rotuladas com um diagnóstico”, alerta o médico.
Ao mesmo tempo, o psiquiatra acredita que as pessoas estão um pouco mais reflexivas e dispostas a buscar ajuda. Contudo, ainda há estigmas e preconceitos com a doença mental. “O que se observa é um aumento do esclarecimento e da consciência da população sobre a própria saúde mental. As campanhas como ‘Janeiro Branco’ e ‘Setembro Amarelo’ têm proporcionado uma maior discussão pela sociedade. As escolas, as Unidades de Saúde e o poder público tem se engajado e assim, aos poucos, estamos quebrando os tabus”, acrescenta.
Tratamentos
Quanto aos tratamentos em saúde mental, Madalozzo comenta que eles visam proporcionar maior qualidade de vida às pessoas.
As psicoterapias auxiliam na identificação e compreensão das experiências e comportamentos que levaram o indivíduo à determinada situação de sofrimento emocional. “Assim, conseguem construir novas soluções e maneiras mais adaptativas para enfrentar situações que antes só traziam desconforto e sofrimento”, destaca.
Já os medicamentos, quando indicados, agem no sistema nervoso central, reduzindo sintomas como a ansiedade excessiva, vista numa crise de pânico, por exemplo. As medicações também são utilizadas nos transtornos de humor, como a depressão.
Além disso, o especialista reitera que boas práticas no dia a dia podem contribuir para a qualidade de vida e bem-estar. Um exemplo é a prática de exercícios. “A atividade física regular tem efeitos notórios sobre a redução da ansiedade, na regulação do humor e na melhor qualidade do sono”, salienta, reforçando, ainda, que: “a modificação do estilo de vida, com a formação de hábitos saudáveis, contribui para a melhora dos pacientes”.
Dica do especialista
“É natural nos sentirmos tristes, irritados, ansiosos, estressados, de forma passageira. Entretanto, quando perceber-se ou observar uma pessoa próxima com esses sentimentos por um período prolongado ou com uma intensidade ao ponto de trazer prejuízos no trabalho, na vida social ou familiar, é o momento de procurar um profissional.
O tratamento adequado com um psiquiatra ou psicólogo, pode ser um divisor de águas na vida das pessoas, proporcionar amadurecimento emocional e alívio das dores da alma”.