Evolução constante. Essa é a palavra que resume os treinamentos de goleiros que são realizados no Brasil. E se o país do futebol não possuía tanta tradição nas atividades direcionadas aos arqueiros, essa situação vem mudando nos últimos anos. Táticas e treinos específicos que são trazidos pelos treinadores, e que se inspiram nas atividades que são feitas na Europa e também na Ásia, são alguns dos ingredientes por traz do sucesso desta posição.
No Ypiranga, o treinador de goleiros é André Guimarães. Com passagens por times nacional e também internacionais, André começou a sua trajetória na Bahia – durante as categorias de base. No profissional e em treinamentos de alto rendimento foi na Arábias Saudita. “Iniciei minha carreira no Oriente Médio, mais especificamente no futebol da Arábia Saudita. Trabalhei por duas temporadas no futebol árabe, em 2014 e 2015. Posteriormente vim para o sub20 do Ypiranga em 2016, e depois cheguei ao time principal. Após o Canarinho trabalhei na Serra Gaúcha, no Brasil de Farroupilha, Barra, no futebol catarinense e por último o Novo Hamburgo, no Gauchão deste ano”, destaca Guimarães.
Métodos poucos convencionais, mas que aos poucos estão se tornando mais rotineiro nos treinos que são realizados ao longo da temporada. André acredita na potencialidade destas atividades. “Entendo que os trabalhos cognitivos são importantes dentro do treinamento, não apenas a parte física e a técnica. Cada dia mais estamos vendo os colegas fazendo trabalhos nessa linhagem”.
O treinador ainda destaca os treinamentos que são realizados na pré-temporada. “O enfoque é na parte física e técnica, já que os goleiros vêm de um período de férias. No dia a dia, são exercitadas as capacidades físicas importantes para o bom funcionamento dos goleiros, como velocidade, coordenação motora, agilidade, potência e força específica. Nestes exercícios, também são implementados elementos que direcionam os treinamentos para a 'realidade do jogo', que estimulam e lapidam a parte cognitiva dos goleiros. Além desses aspectos neste período, também buscamos a rápida integração tática para o modelo de jogo do time, já que os goleiros necessitam estar sistematizados nesta parte”.
Os goleiros do Ypiranga para a temporada 2020
Deivity, Carlão, Allan e Renato permanecem no Canarinho. Os quatro goleiros possuem características diferentes, mas lutam por um mesmo objetivo.
Destaque do time erechinense na temporada de 2019, Deivity foi o goleiro menos vazado da Série C. “Feliz por permanecer, o clube priorizou e fez um esforço para manter a minha permanência. Priorizei o Ypiranga e deixei claro que só ia sair se fosse além da proposta que o clube fez. Foi uma cidade e um clube pelo qual eu gostei”, salienta o goleiro.
Carlão também tem uma trajetória vitoriosa no Canarinho, o arqueiro conquistou a Divisão de Acesso em 2014 e uma vaga na Série C do Campeonato Brasileiro de 2017, além de importantes vitórias na Copa do Brasil. “Essa identificação é cheia de carinho. Esperamos juntamente com todos os goleiros e o grupo podermos ter um grande ano. Que vem sendo projetado ainda nesta temporada. O clube me abriu as portas e temos mais um Gauchão pela frente. Cada jogo será uma decisão e assim vamos mentalizar”.
Formados e revelados nas categorias de base do Ypiranga, Renato e Allan compõe o grupo de goleiros. “Estamos fazendo um bom trabalho, estou indo para a minha quarta temporada no clube. Estamos focados e com certeza vamos trabalhar para buscar os objetivos”, destaca Renato. “É um clube que me amparou, indo para a minha quarta temporada. Grandes coisas aconteceram e tenho certeza que será mais uma temporada vitoriosa onde temos grandes goleiros”, salienta Allan.
O início da carreira
“Comecei no futsal, todos nós meio que começamos. Sempre fui goleiro. Sempre foi uma posição e um dia a dia que me chamaram a atenção. E a cada dia me apaixono, nunca pensei em mudar”. Fã Rogério Ceni, Deivity vê no ídolo da torcida são-paulina um diferencial. “Era um goleiro que sempre chamou a atenção, seja pela sua liderança, qualidade nas defesas”, finaliza Deivity.
Já Carlão era jogador de linha e ao mesmo tempo desempenhava a função de goleiro. Mas como foi que o paranaense escolheu pelas luvas? “Não foi fácil essa escolha. Acho que escolhi a certa, por colhe os frutos de muitos trabalhos e as conquistas que obtive. Espero que realmente Deus abençoe e que muitas outras conquistas venham a acontecer”.
Aos sete anos, Renato atuava como zagueiro no futebol de campo. Aos poucos o seu irmão (que também é goleiro), acabou influenciando e aos 11 anos, os treinos passaram a ser focados na posição. “Por ser uma posição defensiva foi fácil a adaptação, meu irmão me ajudava muito”. Colorado, Renato tem como ídolo Alisson – que nesta semana recebeu o Troféu Yashin no prêmio Ballon D’Or da revista France Football, e se espelha no jogador que também defendeu as cores do seu time do coração.
A altura influenciou que Allan trocasse as quadras pelo campo. E aos poucos o goleiro foi ganhando o seu espaço e buscando as oportunidades que surgem. As inspirações em campo são inúmeras desde o espanhol Iker Casillas até Taffarel.
E se...
E se Deivity, Carlão, Allan e Renato pudessem dar um conselho a si, qual seria?
“Tenho uma experiência onde sempre que troco ideia acabo passando que é a questão que fiquei muito tempo no Cerâmica, esperando por uma oportunidade. Então se eu tivesse que dar esse conselho era para eu ter saído antes do clube, ter saído da zona de conforto poderia ter obtido o meu lugar no futebol gaúcho” – Deivity
“Difícil dizer. Feliz de realizar sonhos e ser atleta profissional. Difícil pensar em algo, mas tem coisas que passam e que não aconteceu como queríamos, isso faz parte da profissão. Estou feliz de estar trabalhando e buscando fazer o meu melhor” – Carlão
“Olha, é uma pergunta difícil por ser novo. De certa forma é um início de trabalho. Estou feliz em ter alcançado o meu sonho e buscar o meu espaço. Sonho em estrear profissionalmente, ainda não fiz essa estreia” – Renato
“Falaria para ele ter mais paciência desde sempre. O Allan sempre foi o menino mais estourado, rebelde lá no início. Mas evoluiu muito. Se tivesse maturidade antes, talvez as coisas teriam acontecido melhor” - Allan