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Cultura

Um amor partilhado entre amigos

Erechinenses Isolda Both, Giovane Neumann, Mary Spinato e Mozart Lima, montaram um conjunto de música clássica para trazer sentido à rotina cotidiana

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Da esq. a dir. Giovane Neumann, Isolda Both, Mary Spinato e Mozart Lima
Para os amigos, a música se tornou uma terapia e uma alternativa para trazer sentido à vida
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes e Fernando Genro

Um amor partilhado entre quatro amigos, que se tornou uma terapia e uma alternativa para trazer sentido à vida. Assim se formou o quarteto de música clássica em Erechim, de Isolda Both, Giovane Neumann, Mary Spinato e Mozart Lima.

A música sempre esteve presente na vida de cada um, que atuavam em uma orquestra da Capital da Amizade, no entanto, o maestro regente se mudou, mas o desejo de permanecer tocando reuniu novamente o grupo.

“A Mary começou a nos incentivar para prosseguir os ensaios depois que nosso maestro fez um convite para um espetáculo que ele teria em Gaurama”, contou Mozart à reportagem do Jornal Bom Dia. As participações com o maestro se intensificaram e, hoje, o grupo se reúne semanalmente para ensaiar, mas, sobretudo, vivenciar juntos a paixão pela música.

Dos quatro integrantes, três são aposentados e Giovane, o mais novo, é bancário. Com isso, seus encontros ocorrem todas as terças-feiras, às 19h30 na casa de Mary. “Esses momentos significam muito para mim, em primeiro lugar pelo amor que sinto por esses três e em segundo considerando o amor que temos pela música”, pontuou Mary.

O repertório é composto principalmente por música clássica, mas também tocam ritmos populares. “Para nós, é uma terapia. Raramente desmarcamos algum ensaio, só às vezes quando preciso viajar, mas sinto falta quando não nos encontramos. Acredito que todos deveriam tentar aprender algum instrumento e o quanto antes. Eu, por exemplo, iniciei muito tarde, já era casada e tinha duas filhas, então meu conselho para os mais novos que têm interesse: comecem logo”, concluiu Mary.

Mozart, que seguiu carreira como oficial de justiça, comenta que a música foi essencial para deixá-lo lúcido. “Minha profissão atua em uma área que lida diariamente com os problemas sociais, então eu precisava ter algo que me fizesse fugir desse contexto, como uma válvula de escape, e seguir sendo alegre e a música foi minha única alternativa, pois ela me deixa fortalecido”.

Ele acrescenta que as terças-feiras se tornaram especial com os ensaios do grupo. “Não troco por nenhum outro compromisso, pois nos tornamos uma família, afinal, fazer música nos aproximou, e não só o corpo, mas a alma também, criamos uma intimidade significativa. Embora eu não seja especificamente amante da musica clássica, ela nos faz refletir”. 

O caçula do grupo teve sua formação extremamente influenciada pelos três amigos. “É muito gratificante partilhar esse amor com eles, porque essas pessoas praticamente me criaram musicalmente. Convivo com eles desde minha infância e isso foi muito importante para me tornar a pessoa que sou hoje, até porquê, considerando que nosso mundo possuí tantas opções e algumas não tão boas, acho que fiz as melhores e esse resultado eu atribuo a eles que sempre me acompanharam”, contou Giovane.

“A música me salva, porque meu ambiente de trabalho é muito complicado e todos temos problemas pessoais, mas ela vem para aliviar nossa alma, trazendo uma maneira diferente de aproveitar a vida”, concluiu Giovane. 

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