Este mês é marcado por mais uma campanha no âmbito da saúde. O ‘Dezembro Vermelho’ tem o objetivo de chamar a atenção e sensibilizar a população quanto à importância do acesso à informação adequada sobre HIV, sobre a evolução dos métodos de prevenção e de tratamento. Em 1º de dezembro foi celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids.
No município de Erechim, o cenário é tenso. A preocupação é muito expressiva em razão do aumento significativo nos casos de Sífilis e HIV.
No caso da Aids, enquanto no ano passado havia uma média de um diagnóstico novo a cada 15 dias, agora as estatísticas demonstram que há um diagnóstico novo a cada 10 dias.
Conforme a enfermeira do Serviço de Assistência Especializada em Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids (SAE/IST/Aids), Clarice Maroso, entre os públicos em que a doença apresenta maior incidência, estão os jovens, de 18 a 30 anos. Contudo, a Aids afeta pessoas de todas as faixas etárias, inclusive idosos.
Dados do SAE revelam que 2018 encerrou com 20 novos casos, enquanto este ano, até 28 de novembro, foram registrados 39, sendo 16 do sexo feminino e 23 do masculino.
Clarice salienta que, por mais que a Aids e a Sífilis estejam em foco, outras infecções sexualmente transmissíveis também trazem preocupação, tais como uretrites, herpes, e HPV. “Diante de tudo isso, percebe-se que a prevenção está sendo deixada de lado. O uso de preservativo não é hábito e, consequentemente, há esse aumento no número de casos de doenças que poderiam ser evitadas. Vale o alerta, reforçado pela campanha do Ministério da Saúde: ‘Sem camisinha você assume o risco de pegar uma Infecção Sexualmente Transmissível’. Quer dizer, a camisinha auxilia na prevenção da herpes, sífilis, gonorreia, HPV, HIV, hepatites ou, até mesmo, no caso de uma gravidez não planejada”, destaca.
Conforme a enfermeira, as pessoas tem conhecimento de que a única forma de prevenir é usando preservativo, porém, por algum motivo, estão deixando de usar e os reflexos em forma de problemas, assustam.
Suporte pelo SUS
Para as pessoas que são portadoras de HIV, o Sistema Único de Saúde fornece todo o suporte e acompanhamento, desde exames a tratamento. “O Brasil é o único país que disponibiliza 100% do tratamento de forma gratuita aos pacientes com o vírus. Por isso, a população de Erechim e região pode acessar qualquer serviço especializado para obter auxílio”, comenta.
Dia de fazer o teste
Com o intuito de mobilizar e chamar a atenção da população, haverá nesta quarta-feira (4), o Dia D de teste rápido para detecção do HIV e Sífilis. Basta uma picadinha no dedo e após 15 minutos é possível obter o diagnóstico.
A mobilização acontece em todas as Unidades Básicas de Saúde, nos dois Caps, da 7h30 às 13h30. Na UPA os testes acontecem das 7h30 às 17h, sem fechar o meio dia. “É por demanda espontânea, qual pessoa pode fazer, basta apresentar um documento”, orienta.
No Brasil estima-se que há, em média, 135 mil portadores de HIV que não sabem da condição sorológica. “As pessoas podem passar para outras e, ao mesmo tempo, estão em risco, pois, com o vírus do HIV pode ocorrer uma baixa de imunidade e surgir outras doenças. Por isso, quanto antes for feito o diagnóstico, mais rapidamente é possível pode ser iniciado o tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, reforça Clarice.
A partir do momento que acontece o diagnóstico de Sífilis ou HIV, é fornecido todo o acompanhamento via SUS. Vale ressaltar que a prevenção é prioritária. “O uso de preservativo deve estar na linha de frente”, frisa a enfermeira do SAE.
ISTs
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são causadas por mais de 30 vírus e bactérias. Elas são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual sem o uso de camisinha com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer ainda da mãe para a criança durante a gestação.
O tratamento melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções.
As ISTs aumentam em até 18 vezes a chance de a pessoa ser infectada pelo HIV. Isso porque para ser infectado, a relação, além de contato com secreções, precisa ter contato com sangue. As ISTs, geralmente causam lesões nos órgãos genitais, o que aumenta a vulnerabilidade para a pessoa adquirir o HIV. Sem contar que as IST, como sífilis, gonorreia e clamídia, por exemplo, podem causar morte, malformações de feto, aborto, entre outros problemas.
As IST têm impacto direto na saúde reprodutiva e infantil, pois podem provocar infertilidade e complicações na gravidez e parto, além de causar morte fetal e agravos à saúde da criança.