Mobilizar a sociedade por meio da conscientização contra o sobrepeso dos baixinhos. Com esse propósito o Ministério da Saúde lançou, na semana passada, a campanha ‘1, 2, 3 e já! Vamos prevenir a obesidade infantil’. A ideia é incentivar as crianças a seguir três passos simples: alimentação saudável, atividade física e brincadeiras longe das telas da TV, celular e jogos eletrônicos.
A nutricionista e coach de Erechim, Luana Lermen, explica que, já conhecida como uma ‘epidemia’ no Brasil, a obesidade infantil pode trazer sérios riscos à saúde, tanto a médio como a longo prazo. “Crianças obesas são mais propensas a problemas respiratórios como asma, além de colesterol elevado, diabetes Tipo 2, transtornos psicológicos relacionados ao excesso de peso (bullying, isolamento social, baixa autoestima, e muitas vezes até depressão, compulsão alimentar e bulimia).
Apesar de existir fatores genéticos responsáveis pelo seu desenvolvimento, Luana assinala que atualmente é possível ter conhecimento que as maiores causas da obesidade seja infantil ou não, são a inatividade física e a alimentação desequilibrada. “Como é nesta fase em que se desenvolvem os hábitos alimentares para a vida adulta, o cuidado com a alimentação para o tratamento e prevenção da obesidade, é imprescindível”, frisa, salientando, ainda, que “devemos entender que as crianças se espelham nos pais. Então, não adianta querer que seu filho se alimente corretamente se você não faz isso. Do mesmo modo, é importante fazer acompanhamento médico regular e buscar a ajuda de um profissional nutricionista, caso houver alteração nos exames laboratoriais do seu filho e se ele tiver dificuldades de se alimentar corretamente”.
Dicas da nutricionista
Luana cita algumas dicas gerais que podem ser implementadas para ajudar na alimentação saudável do seu filho. Confira:
- A alimentação de uma criança deve ser composta de cinco a seis refeições diárias, incluindo café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche vespertino, jantar e lanche da noite;
- A refeição deve ser variada, que inclua todos os grupos alimentares, (carboidratos, proteínas e gorduras boas);
- Evitar a substituição de refeições por lanches, é fundamental;
- Fazer as refeições na mesa, em local tranquilo, sem música alta ou televisão ligada;
- Estabelecer horários certos para as refeições, evitando beliscar ao longo do dia;
- Mastigar bem todos os alimentos;
- Alimentos gordurosos e frituras devem ser evitados; prefira alimentos assados, grelhados ou cozidos;
- Diminua o consumo de sal e produtos industrializados;
- Estimule a criança a beber bastante água e sucos naturais (não ultrapassando a quantidade máxima de 240ml/dia), de preferência nos intervalos das refeições, para manter a hidratação e a saúde do corpo;
- Inclua diariamente alimentos como cereais (arroz, milho), tubérculos (batatas), raízes (mandioca/macaxeira/aipim), pães e massas (preferencialmente integrais) distribuindo esses alimentos nas refeições e lanches do seu filho ao longo do dia;
- Ofereça grãos e sementes como aveia, granola, chia, linhaça ou semente de girassol pelo menos uma vez ao dia. Esses alimentos são ricos em fibras que ajudam a baixar o colesterol e os triglicerídeos;
- Procure oferecer diariamente legumes e verduras como parte das refeições da criança. As frutas podem ser distribuídas nas refeições, sobremesas e lanches;
- Ofereça feijão com arroz todos os dias ou no mínimo cinco vezes por semana;
- Ofereça diariamente leite e derivados, como queijo e iogurte, nos lanches, e carnes, aves, peixes ou ovos na refeição principal de seu filho;
- Tenha sempre alimentos saudáveis por perto;
- Diminua a oferta de alimentos muito calóricos, principalmente doces em geral, tais como: biscoitos recheados, balas, chocolates, salgadinhos e wafers;
- Incentive a criança a ser ativa e evite que ela passe muitas horas assistindo TV, jogando videogame ou brincando no computador.
Mais sobre o lançamento do campanha
* Com informações: Akemi Nitahara – Agência Brasil - Rio de Janeiro
O lançamento da campanha do governo ocorreu durante a abertura do 15° Encontro Nacional de Aleitamento Materno (Enam) e o 5° Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (Enacs), no Rio de Janeiro.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou que o problema é um “verdadeiro drama” e o fenômeno é global. Dados do Ministério apontam que, três de cada 10 crianças de cinco a nove anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão acima do peso, um total de 4,4 milhões. Do total de crianças, 16% (2,4 milhões) estão com sobrepeso, 8% (1,2 milhão) com obesidade e 5% (755 mil) com obesidade grave. Abaixo de cinco anos, são 15,9% com excesso de peso.
O ministro informou que a campanha será multimídia e vai utilizar datas como o dia das mães para trazer o assunto à tona ao longo de 2020. De acordo com ele, os cursos para agente comunitário de saúde também vão incluir o tema da amamentação, dentro da campanha de prevenção à obesidade.