Este mês é considerado especial ao público masculino, principalmente no campo da saúde. Por meio da campanha ‘Novembro Azul’, o alerta é para a prevenção de doenças, com ênfase no câncer de próstata, e cuidado do bem-estar.
No entanto, o diretor e secretário geral do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul – Simers, o endocrinologista, Marcos Rovinski, reforça ao Bom Dia que o período quer atentar para dois aspectos: o primeiro se refere ao câncer de próstata e o segundo se refere a 14 de novembro, considerado o Dia Mundial do Combate ao Diabetes – doença que também possui referência na cor azul. “Por isso, são dois eventos importantes e é fundamental ter um período específico para refletir sobre a saúde, pois o homem, normalmente negligencia esse atendimento. É muito comum o homem ter que ser conduzido por uma mulher até o médico”, comenta.
Rovinski assinala, ainda, que no caso do câncer de próstata, muitas vezes quando é diagnosticado, já está em um quadro mais avançado. Sendo assim, o mês destaca a necessidade de o público masculino buscar atendimento médico.
Sinais de alerta
Conforme o especialista e diretor do Simers, a dificuldade de urinar é um dos sintomas para algum problema na próstata. Outra questão é história de câncer de próstata na família. “No caso da mulher, é muito comum que o câncer de mama possa acometer várias gerações. No homem, isso também pode acontecer com doenças da próstata”.
Em relação à faixa etária, o médico cita que, tão cedo quanto possível, é fundamental buscar atendimento médico. “Há muitos outros problemas que merecem a mesma preocupação, tais como como hipertensão arterial, diabetes – doença que está aumentando significativamente na população em geral, devido ao sedentarismo, má alimentação, stress e outros hábitos de vida não saudáveis, como o tabagismo”, alerta.
Por fim, o especialista declara que este mês deve estimular a busca pelo cuidado da saúde.
Câncer de próstata: o segundo mais comum
De acordo com números divulgados pelo Ministério da Saúde, a estimativa é de que 68.220 novos casos de câncer de próstata tenham sido diagnosticados no Brasil em 2018. Tais valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos a cada 100 mil homens.
Com alta incidência e relação direta com o aumento da expectativa de vida da população masculina, o câncer de próstata foi também o segundo mais comum entre os homens no Brasil em 2018, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, e o segundo que mais matou em 2017, com 15.391 óbitos, enquanto traqueia, brônquios e pulmões teve 16.137 casos.
Preconceito com o exame ainda é obstáculo para diagnóstico
Para diminuir tais números, é importante acabar com o tabu em torno do exame de toque, que é necessário para detectar qualquer alteração na próstata. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), esse exame “é parte fundamental da avaliação prostática, servindo também para auxiliar na decisão da melhor forma de tratamento, caso o câncer esteja presente”.
Vale salientar, porém, que o câncer de próstata é diagnosticado exclusivamente por meio da biópsia do órgão. Para realizá-la, o médico precisa levar em consideração alguns fatores, entre eles o exame de toque retal e também o nível do Antígeno Prostático Específico (PSA, na sigla em inglês), uma proteína produzida pelo tecido prostático.
Ainda segundo a SBU, o início da avaliação do risco de câncer de próstata começa aos 50 anos. Entre homens negros, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau que já tiveram a doença, como o risco da doença é maior, os exames deverão ser realizados a partir dos 45 anos.
Fatores genéticos aumentam risco do câncer de próstata
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) indica que casos familiares de câncer de próstata pode ser consequência de fatores genéticos (hereditários) ou hábitos alimentares e estilo de vida destas famílias.
A médica geneticista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), que atua com ênfase em oncogenética, Dra. Daniele Konzen, ressalta que entre os fatores de risco mais comuns para esse câncer estão os genéticos. “Estudos recentes sugerem que 8% a 10% dos diagnósticos de câncer de próstata avançado estão associados a alterações genéticas, predisposição familiar, indicando um grande potencial para o diagnóstico precoce e diminuição da mortalidade”, revela a médica geneticista.
A história familiar de câncer de próstata é dos fatores de risco mais bem estabelecidos. A médica explica que homens que têm irmãos ou pais diagnosticados com câncer de próstata, especialmente em idade jovem, têm risco mais elevado em comparação aos outros homens da população.
A história familiar de outros tipos de câncer, como de pâncreas, de mama e de ovário, também é tão significativa quanto histórico de câncer de próstata e deve ser investigada. “As alterações genéticas que predispõem ao câncer de próstata podem ser herdadas tanto do lado paterno com pelo lado materno da família e podem também ser herdadas pelos filhos ou filhas do paciente”, observa Dra. Daniele.