Para o economista e consultor financeiro Ricardo Amorim, o Brasil deve entrar num ‘longo ciclo virtuoso’, catapultado, especialmente, pela resolução de problemas fiscais, com a aprovação da reforma da previdência e o avanço das reformas administrativa e tributária; a política de privatizações; e o crescimento da economia de países emergentes, o que aumentará a demanda por alimentos, beneficiando o agronegócio nacional.
A estes elementos, Amorim lista, ainda, o fato de que o país está ‘em liquidação’ para investidores externos. ‘Tão logo a confiança no Brasil seja retomada, devemos receber uma enxurrada de investimentos estrangeiros. Está sobrando dinheiro no mundo’, destacou o debatedor do programa Manhattan Conection durante sua participação no Encontro de Presidentes e Executivos de Cooperativas (Epecoop), promovido pela Ocergs-Sescoop/RS, na última semana no Hotel Sheraton, em Porto Alegre.
Durante o evento, que teve a cobertura do Grupo Bom Dia, Ricardo Amorim também falou do que lhe causa apreensão e poderia travar o desenhado otimismo:
1 - Uma recessão global, puxada pelas economias da China, União Europeia e EUA;
2 - Eventuais trapalhadas do governo Bolsonaro - que, para tanto, teria que ser ‘tão ou mais caótico do que o da ex-presidente Dilma’, o que ele diz não acreditar.
Mesmo se der ‘tudo errado’, Amorim avalia que a economia nacional deve crescer mais do que 2% no ano que vem. A seguir, reproduzimos algumas ideias do palestrante, que falou com exclusividade para o Bom Dia:
Economia
‘Devemos ter juros baixos no Brasil por bastante tempo’.
‘O que faz a economia crescer é a confiança’.
‘Se a economia do Brasil crescer mais do que o projetado - e eu creio nisso - devem se abrir oportunidades que hoje não estão no radar, especialmente, em áreas como educação e saúde. A pergunta é: sua empresa está pronta para tirar vantagem disso?’.
‘Quem conhece o (ministro da Economia) Paulo Guedes sabe que ele tem um temperamento explosivo. Não sei o que ele está tomando para se manter calmo, mas está funcionando. Continue tomando’.
‘Para aproveitar as variações dos ciclos econômicos é preciso se posicionar de forma diferente da maioria das pessoas’.
Inovação
‘O Brasil precisa investir em inovação. Vejo, no entanto, que devemos agilizar o processo; do contrário, ficaremos ainda mais para trás. Não podemos perder tempo’.
‘A transformação digital ajuda a entender melhor o cliente, que é a razão de ser de qualquer negócio’.
“Estamos vivendo a fase de maior oportunidades dos últimos tempos. Estamos no lugar certo e na hora certa. Ou nos adaptamos, ou as tecnologias vão nos atropelar’.
‘Se você não for tecnológico, você não vai atrair os jovens’.
‘Oferecer tratamento personalizado ainda é diferencial no mercado; logo será obrigação’.
‘O timing é algo fundamental. Não basta você fazer o certo, tem que fazer o certo na hora certa’.
‘O cooperativismo tem as oportunidades na mão. Mas para isso acontecer, é preciso fazer a coisa certa na hora certa. O que vocês, cooperativistas, vão fazer de diferente saindo daqui para que as cooperativas de vocês tenham um ecossistema mais forte de apoio, saúde financeira mais firme, uma equipe mais forte e mais coesa, para que o produto e serviço de vocês seja melhor?’.
Política
‘A eleição de Trump está nas mãos dos chineses. Se eles quiserem facilitar a vida dele, basta promover acordos que estimulem a economia norte-americana; o contrário também é válido: caso a China aperte o cerco, há risco de recessão nos EUA e no mundo, o que dificultaria a reeleição do republicano’;
‘Em tempos de crise, em regra, os populistas de esquerda colocam a culpa nos ricos; os de direita nos imigrantes e nas minorias’.
‘A polarização no mundo deve aumentar. Precisamos de líderes capazes de unir, ao invés de separar. Nesta perspectiva, o modelo cooperativista pode ganhar espaço’.
‘A vitória da dupla Fernandez e Kirchner na Argentina é certa. A questão é o que vai acontecer depois. Temo que, no pior cenário (um novo calote no FMI), vocês, gaúchos, possam estar recebendo argentinos fugindo de seu país como acontece com os venezuelanos hoje’.
‘A política não aceita vácuo. O presidente da Câmara Rodrigo Maia sentiu a lacuna deixada pelo presidente Bolsonaro na condução do processo e liderou a reforma da previdência. O (presidente do Senado) Alcolumbre deve tentar fazer o mesmo com a reforma tributária’.