O consumidor erechinense vai ter mais uma surpresa indesejada: os preços do gás de cozinha e do gás industrial serão reajustados. O valor ainda está indefinido, mas as revendas locais devem repassar, a partir de hoje, aos seus clientes o acréscimo, que por menor que seja, num período de recessão econômica e desemprego, vai pesar no orçamento das famílias do Alto Uruguai.
Segundo o revendedor de gás de cozinha, Carlos Alberto Dall’Agnol (Carlinhos), que trabalha há 26 anos no setor, o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) informou que a Petrobras anunciou às distribuidoras aumento do preço do GLP residencial e empresarial a partir desta terça-feira (22). O GLP residencial terá aumento entre 4,8% e 5,3% e o GLP empresarial entre 2,9% e 3,2%.
Conforme Carlinhos, segundo o Sindigás o valor ao P13 será de R$ 1,20, P20 de R$ 1,17 e ao P45 de R$ 2,63 nas distribuidoras. “Sendo que este já é o terceiro aumento da Petrobrás e não repassamos nada aos clientes, mas agora vamos ter que repassar, mas não sabemos ainda quanto será”, disse.
Carlinhos comenta que esse reajuste foi uma surpresa e que já é o terceiro nos últimos 120 dias. “O último aumento dos três reajustes foi de R$ 4,10 e não repassamos nada ao P13”, afirma.
Segundo o sócio proprietário da revenda de gás, Jorge Carraro, somente depois de chegar a nova carga é que a empresa vai saber qual foi o acréscimo no preço do gás. “A gente não sabe quanto vai ser exatamente, depois de carregar a carga vem a nota fiscal com o aumento do gás de cozinha e o industrial”, disse.
Jorge comenta que hoje o P13 é vendido a R$ 70 para quem compra na revenda, e que esse é o preço médio de Erechim. Já o P45 industrial gira na faixa de R$ 280 a R$ 300 no município.
O comerciante enfatiza que faz 30 dias que houve um reajuste e não foi repassado aos consumidores, mas que dessa vez terá algum acréscimo no valor. Jorge ressalta que, neste ano, já foram vários aumentos e nenhum deles foi repassado para o cliente. “A gente absorveu todos eles. Amanhã (hoje) saberemos bem certo qual foi o valor do aumento quando chegar a nossa carga”, diz.
Ele comenta que a empresa vende em Erechim em torno de dois mil botijões por mês. E, na Petrobrás, o gás de cozinha custa em torno de R$ 26 antes se ser envasado, em média R$ 2 o quilo.
Segundo Jorge, para a empresa de Erechim o custo do botijão P13, gás de cozinha, com o frete e os impostos passa de R$ 56. “Se somar as despesas de funcionários, aluguel, entrega, sobra R$ 7 a R$ 8 por botijão, bem na ponta do lápis, se não tiver nenhum problema”, diz.
Ele explica que numa outra região que a empresa atua está tendo prejuízo com o gás de cozinha. “Estamos entregando só para não perder o cliente, tendo prejuízo de R$ 1,50 por cada P13 vendido. Não valeria mais a pena fazer esta região, porque é rodagem de pneus, combustível, tacógrafo, impostos, despesas de funcionários, é só prejuízo”, desabafa.
De acordo com Jorge, um dos grandes problemas dessa situação toda são os impostos. O comerciante enfatiza que a situação está bem complicada para consumidores e revendedores. “Está muito difícil para quem está no comércio de gás”, diz.