Há 32 anos na profissão, a médica otorrinolaringologista de Erechim, Lis Tozatti Fernandes, revelou em entrevista ao Bom Dia que desde muito cedo já pensava em atuar na profissão. O vínculo com a área veio de casa, pois seu pai, Paulo, também é médico e ela o acompanhava, quando criança, e gostava de ir ao hospital. “Foi algo quase natural”, destacou.
Lis nasceu em Erechim e estudou na cidade até os 16 anos. Após, participou de um intercâmbio nos Estados Unidos e no retorno ingressou na faculdade de Medicina em Passo Fundo. Em seguida, fez a residência médica em São Paulo e foi novamente ao exterior para cursar a especialização. Na sequência, retornou à Erechim.
A especialista destacou que a área da Medicina já foi ainda mais respeitada e valorizada. “As pessoas acreditavam muito na área. Hoje em dia, muitas ouvem outras opiniões, fazem pesquisa na Internet, buscam informações com vizinhos, farmacêuticos e isso também preocupa. Claro que é importante ouvir outras opiniões de médicos quando se tem uma dúvida quanto a um diagnóstico, mas vale ressaltar a importância do médico nesse processo”, frisou.
Segundo ela, o médico é um profissional que sempre terá seu espaço, considerando que sempre há demandas nas diferentes áreas e há especialidades novas que estão surgindo.
Nesse sentido, Lis ressaltou que as tecnologias são muito importantes, fornecem suportes, mas a mão, o apoio, a presença do profissional médico, é fundamental. “Acredito que algo que não irá se perder é esse contato, a palavra, a pesquisa, o exame, o toque. É algo muito importante ao paciente e ao familiar”, acrescentou.
A especialidade
A primeira especialização da médica foi em Otorrinolaringologia (estudo das doenças que afetam o ouvido, nariz e garganta). Um tempo depois, Lis se especializou na área de plástica facial. “No Brasil, há mais de 25 anos era um assunto que pouco se falava. Por isso, resolvi buscar esse conhecimento no exterior, onde essa área já fazia parte da Otorrinolaringologia. É algo muito interessante e está relacionada à problemas que afetam o nariz, orelhas, pálpebras”, citou.
Aos poucos foi adotando procedimentos na clínica (minimamente invasivos) e outros que são realizados no hospital. “No início éramos em poucos profissionais nesse campo e hoje já são vários especialistas. Entre as primeiras técnicas e substâncias utilizadas cita-se a toxina botulínica, os preenchedores, laser, luz pulsada. Resolvi limitar os atendimentos na área de face, com tratamentos, cirurgias, pois é um setor bem complexo e há bastante demanda”, comentou.
A procura expressiva dos jovens por tratamento
Erechim cresceu muito e a faixa etária mudou bastante. De acordo com a médica, enquanto há alguns anos a maior parte dos atendimentos estava voltada para as mulheres, acima dos 40 anos, hoje isso mudou e o cenário sinaliza para um alerta. “Atualmente mais jovens estão procurando a clínica para processos em 3D, voluminização, entre outras técnicas. Muito além de propriamente problemas de saúde, o que eles desejam são tratamentos estéticos. Esse fato de pessoas cada vez mais jovens procurarem esse atendimento, preocupa um pouco, pois como em tudo, deve haver equilíbrio”, explicou, ponderando que, por outro lado, como os procedimentos, em sua maioria, não são definitivos, principalmente os não-cirúrgicos, é possível ter um controle e, caso não fique de acordo com o planejado, é possível reverter.
Desafios no atendimento
Na opinião de Lis, como a população de Erechim cresceu expressivamente e a região também busca atendimento na ‘Capital da Amizade’, surgem algumas dificuldades, isso porque o serviço oferecido é muito bom, com praticamente todas as especialidades. “Antigamente era preciso procurar os centros maiores para encontrar algo mais específico em determinada área, por exemplo. Diante disso, aumentou a população, porém, os recursos não obtiveram tanto crescimento. Essa é uma questão que está sempre em debate”, atentou.
Mensagem aos colegas:
“Gostaria de dizer, principalmente aos novos colegas que estão surgindo, inclusive a meu filho que está cursando Medicina, que sempre persistam diante dos desafios, mantenham paixão pelo que fazem, pois o agradecimento vem muitas vezes em gestos, muito além daquela compensação financeira que muitos também esperam. Sempre vale a pena, pois é uma profissão muito bonita”, declarou.