O Brasil tem cerca de 10 milhões de hectares de árvores plantadas. Desse total, 6 milhões de hectares são destinados à conservação, somando áreas de restauração, preservação permanente (APP), reserva legal (RL) e Reserva Particular do Patrimônio Natural. Os dados são do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). Um mapeamento do setor mostra que 35% das áreas de florestas plantadas no Brasil são de propriedade das indústrias de celulose e papel; 13% siderurgia e carvão vegetal; 6% painéis de madeira e pisos laminados; 9% investidores financeiros; 30% produtores independentes; 4% produtos sólidos de madeira; 3% outros.
Por ano, o Brasil produz uma média de 35,7 metros cúbicos por hectare para o plantio de eucalipto e, no caso do pinus, o plantio atinge 30,5 por hectare, média que coloca o País na liderança do ranking global de produtividade florestal, de acordo com balanço da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
Nesse contexto, inclusive, há uma expressiva competitividade no mercado (interno e externo) de produtos florestais. No entanto, mesmo com um potencial em expansão, o segmento nem sempre recebe o devido reconhecimento.
O engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional da Emater de Erechim, Luiz Angelo Poletto, relata que por volta dos anos de 2005 e 2006 houve um grande incremento de áreas plantadas na região. Conforme levantamentos feitos pela equipe técnica do escritório regional da Emater, nos 32 municípios de abrangência, foram contabilizados em torno de 18 mil hectares de floresta de eucalipto e 4 mil de pinos elliottii. “O que está se notando é que principalmente nos últimos sete anos, quase nada vem sendo plantado. A Emater vem atuando no sentido de realizar atividades para manejar corretamente essas florestas”, alerta.
Se observado o cenário do setor nos 32 municípios que abrangem a região, há uma quantidade considerável de matas nativas, frisa Poletto. “Há em torno de 640 mil hectares de área, abrangendo espaços em que há cultivo da soja e milho, cidades, comunidades, pastagens. Conforme levantamento da Emater, chegamos a uma área de pouco mais de 100 mil hectares”, pontua.
Consumo e baixa reposição
O engenheiro agrônomo destaca que há, também, um grande consumo na região e empresas dependem do setor florestal para gerar energia. “Um levantamento realizado no mês passado sinaliza para 57 serrarias e existem algumas empresas de segmentos como erva-mate, frigoríficos, entre muitas outras, que consomem mais de 400 metros de madeira por dia”.
Do mesmo modo, atualmente são retirados em torno de 2.300 a 2.700 hectares de florestas do solo do Alto Uruguai e não está havendo reposição dessa área. O motivo se refere aos preços que não estão sendo favoráveis para o plantio. Já nas áreas de topografia mais plana, o produtor tem optado pelo cultivo de soja, por exemplo. “Conversamos com produtores e, se os preços do cavaco e da lenha não melhorarem, não há expectativa de plantio. Alguns produtores poderão plantar visando o segmento tora – pelo qual é possível obter mais lucros”, pontua Poletto, acrescentando que o ideal, seria um plantio de aproximadamente 2 a 3 mil hectares por ano para continuarmos com um patamar positivo de florestas na região. “Isso é preocupante, pois as empresas precisam parte dessa matéria-prima para gerar energia e as serrarias para prosseguir com as atividades. O segmento florestal é muito importante e nem sempre é dado o reconhecimento a essa área”, salienta.
Potencial que pode ser melhor aproveitado
Mesmo com esses desafios do setor e o preço baixo pelo produto, há muitas pessoas atuando na área florestal, destacando-se alguns municípios como Aratiba, Erval Grande, Itatiba do Sul, Floriano Peixoto, Barão de Cotegipe, entre outros. “Há um potencial e que poderia receber um incremento para se desenvolver. Em paralelo à derrubada, há outra prática que é a extração de resina, a qual acontece na região. O preço e lucro talvez não sejam elevados, porém, é uma forma de conservar a planta. Uma alternativa extra, sendo que os pinos se desenvolvem muito bem”, explica Poletto.
O trabalho é realizado por empresas de São Paulo, Irani, Mostardas e de outras localidades. Elas vêm para a região, fazem a extração e encaminham a resina para mercados da Europa, principalmente Portugal, e exportam para outros países, inclusive asiáticos. “Por meio da resina é possível fazer o breu e com ele, vários outros produtos.
Há em torno de 300 mil árvores contratadas, em municípios como Erval Grande, Severiano de Almeida, Três Arroios, Aratiba, Itatiba do Sul e começa-se a ampliar um pouco para Erechim”, relata.
A Emater auxilia no assessoramento e vale ressaltar que para a extração da resina possa ser feita, é preciso ser a espécie pinus elliottii.
Outras possibilidades
Na opinião do engenheiro agrônomo, uma alternativa que pode ser viável, e que já acontece no Paraná, é o Plano de Regularização Ambiental. Por meio dele, o produtor que, no momento do Cadastro Ambiental Rural, informou que precisa reflorestar, tem no documento, um reforço nesse compromisso. “No PR isso pode ser feito numa espécie de troca, em que o produtor pode comprar outras áreas de mata nativa, por exemplo, para haver um controle maior e para evitar uma diminuição muito significativa de florestas”, assinala, declarando ainda, que é fundamental explorar esse potencial, inclusive para inserir mais os jovens (que estão saindo do campo) nessa atividade e gerar empregos.
De acordo com Poletto, a tendência é que o setor florestal obtenha uma reação e atividades voltadas às toras, pinus e eucalipto, tenham mais reconhecimento e os produtores possam aumentar a lucratividade nesse segmento.