O município de Quatro Irmãos vive uma condição diferenciada em função de ser novo, com uma estrutura que permite certa capacidade de investimento, afirma o prefeito Adilson de Valle. Contudo, seria fundamental para o desenvolvimento do município a pavimentação da rodovia Transbrasiliana (BR 153) e o acesso asfáltico. “Mas ainda acho que tudo passa pelo asfaltamento da BR 153, nosso acesso não vai se viabilizar antes das obras da BR, primeiro tem que acontecer a rodovia, e depois até ela, nós estamos muito bem servidos”, afirma.
Segundo Adilson, com a pavimentação da Transbrasiliana se abre a possibilidade de instalação de uma área industrial nas margens da rodovia em Quatro Irmãos. “O que mudaria todo cenário do nosso município, essa é uma das questões”, explica.
O prefeito lembra que o discurso do governo é descentralizar recursos, mas não sabe até que ponto isso vai se concretizar na prática. “É preciso descentralizar os recursos, mas também a conscientização dos prefeitos, vereadores, gestores, para não criar políticas públicas novas que não se sustentem. Eles estão com essa responsabilidade de não criar políticas públicas que comprometam os municípios. O futuro dos municípios depende do bom senso e da responsabilidade dos gestores”, diz.
Para ele o estado é um bom exemplo e reflexo disso, criou benefícios que hoje não consegue mais sustentar e que comprometem a máquina pública e a capacidade de investimento, sem saber de onde viriam os recursos para financiar os benefícios. E acrescenta, “o futuro dos municípios vai depender da responsabilidade dos gestores que estão hoje e dos que virão, de trabalhar com responsabilidade, não fazer governo populista”.
Adilson enfatiza que Quatro Irmãos está muito bem estruturado no que diz respeito à educação e saúde. “Estamos muito bem servidos, não precisaria implementar mais nada”, afirma. A demanda principal hoje se dá em relação ao hospital referência que o município utiliza. “O hospital Santa Terezinha de Erechim, que é nossa referência e passa por dificuldades, precisaria de mais financiamento. Aí os municípios não precisariam complementar os recursos do hospital, que seria autossuficiente com verbas do Estado e da União”, comenta.
Conforme o gestor, outra questão que acaba travando o crescimento do município é o assistencialismo. “No nosso caso, temos condições de dar todos os medicamentos à população, como todo tipo de terraplanagem, mas que logo em seguida se tornam impedimento ao desenvolvimento do município, como entregamos todos os medicamentos isso impede que se abra uma farmácia, gere emprego e renda”, observa. E, acrescenta, “na questão de obras é a mesma coisa, a prefeitura faz todo esse serviço”.
De acordo com Adilson é preciso avaliar essa situação nos pequenos municípios e fazer esta transformação. “Retirar subsídios para que o município possa criar oportunidades com a própria comunidade, criando serviços e emprego”, observa.
Na sua avaliação, o futuro e o desenvolvimento dos pequenos municípios também vai passar pela participação da comunidade e redefiniçao da estrutura do município. “As pessoas precisam gostar do lugar, acreditar e investir no município, não vai ter nenhuma fórmula pronta, é isso que vai gerar desenvolvimento. As pessoas que ali estão precisam acreditar e implementar ações”, afirma.