As equipes que atuam na área de Saúde Mental no município de Erechim, desenvolvem um trabalho contínuo na comunidade, durante todo o ano. Contudo, neste mês, os debates em torno desse assunto são reforçados por meio da campanha ‘Setembro Amarelo’.
Diante disso, com o foco na prevenção do suicídio, o Caps II promove uma palestra no próximo dia 30, às 14h, no Anfiteatro do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco. A ocasião tem o objetivo de oportunizar à comunidade erechinense, um espaço para discussão do tema. Os adolescentes são o público-alvo da atividade.
A palestra será ministrada pela psiquiatra Raissa Narsalla Souza. Logo após haverá uma caminhada.
A diretora de Saúde Mental, Vânia Specht e a coordenadora do Caps II, Andresa Almeida, estiveram na redação do Bom Dia na manhã de ontem (25) e comentaram um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido no município.
Este é o terceiro ano em que é realizada uma programação referente ao ‘Setembro Amarelo’. Além de caminhadas e ações mais internas nos setores, neste ano o diferencial é a palestra sobre cuidados da saúde mental.
Também foi promovida, ontem (25), uma abordagem das pessoas na rua com a pergunta: “você já pensou sobre suicídio ou conhece alguém que enfrentou esse tipo de situação?”. Nos casos de resposta positiva, era concedida uma flor amarela.
Conforme Andresa, pessoas com sintomas relacionados à depressão são as que mais procuram ajuda. “Tristeza, desânimo, sentimentos de desvalia, angústia, ansiedade, são muito comuns no dia a dia dos serviços de saúde mental. Tais situações podem passar para um quadro mais grave e por isso, é fundamental que haja um tratamento”, alerta.
A psicóloga cita que o risco está relacionado aos casos de pessoas que não procuram ajuda. “Esse alerta é que gostaríamos de fazer: se você precisa de ajuda ou conhece alguém que esteja enfrentando uma situação preocupante, saiba que o serviço está à disposição”, ressalta.
Conforme as profissionais, entre as faixas etárias que mais procuram atendimento estão os adultos-jovens, na faixa dos 22 aos 35 anos, onde as situações como perder um emprego, problemas de relacionamento, de saúde física, muitas vezes causam a sensação de um “impacto muito maior” e, por consequência, desequilíbrios na saúde mental.
Sobre o serviço
Andresa explica que a ‘porta de entrada’ de atendimento é a Unidade Básica de Saúde, onde uma equipe vai avaliar e, caso necessário, há o encaminhamento para o serviço de saúde mental. “Nos Caps, por exemplo, há o acolhimento sem a necessidade de um documento de referência. Um profissional recebe a pessoa que busca ajuda, em paralelo é avaliada a rede de apoio, o que há de recursos a serem trabalhados, e com isso inicia-se o acompanhamento”, esclarece.
O trabalho é contínuo, há pacientes que se tratam no Caps desde a abertura da unidade, em 2002 ou ainda antes, no Núcleo de Saúde mental.
Uma das dificuldades, segundo Andresa e Vânia, é integrar os familiares ao tratamento. “Nem sempre há essa atenção, esse suporte. Contudo, quando alguém adoece, todos sofrem com aquela situação. É importante que a família se conscientize sobre o problema e os riscos”, destacam.
Como ajudar?
Em muitos casos surge aquele questionamento: ‘Como podemos auxiliar nosso familiar ou amigo a enfrentar esse problema?’. Andresa enfatiza que o mais importante, a partir do desejo de ajudar alguém, é a disponibilidade de ouvir, sem julgar. “Poder ouvir e perceber que aquela situação vai além de um cansaço, isolamento ou dificuldade de relacionamento. Nem sempre a pessoa que enfrenta uma depressão ou ansiedade, tem essa “força” para buscar o atendimento. Então, o principal é orientar nesse caminho, fornecer um apoio. Percebemos o quanto esse apoio social e familiar é importante”, cita.
A palestra
Diante desse propósito de oportunizar um espaço de reflexão e debate, a atividade que será realizada no próximo dia 30 é uma espécie de ‘conversa’ com o estímulo de falar mais e desmistificar o assunto. “Reforçamos o convite a toda comunidade. Ter as informações, participar e saber como agir diante dessas situações, seja com familiares e amigos e toda pessoa da comunidade, é fundamental. Nosso objetivo é fornecer uma “ferramenta” à população”, reitera Vânia.