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Saúde

Uma conversa que pode prevenir e salvar

Andresa Almeida e Vânia Specht relatam a importância de debater sobre os cuidados da saúde mental

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Coordenadora do Caps II, Andresa Almeida e a diretora de Saúde Mental, Vânia Specht
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

As equipes que atuam na área de Saúde Mental no município de Erechim, desenvolvem um trabalho contínuo na comunidade, durante todo o ano. Contudo, neste mês, os debates em torno desse assunto são reforçados por meio da campanha ‘Setembro Amarelo’.

Diante disso, com o foco na prevenção do suicídio, o Caps II promove uma palestra no próximo dia 30, às 14h, no Anfiteatro do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco. A ocasião tem o objetivo de oportunizar à comunidade erechinense, um espaço para discussão do tema. Os adolescentes são o público-alvo da atividade.

A palestra será ministrada pela psiquiatra Raissa Narsalla Souza. Logo após haverá uma caminhada.  

A diretora de Saúde Mental, Vânia Specht e a coordenadora do Caps II, Andresa Almeida, estiveram na redação do Bom Dia na manhã de ontem (25) e comentaram um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido no município.

Este é o terceiro ano em que é realizada uma programação referente ao ‘Setembro Amarelo’. Além de caminhadas e ações mais internas nos setores, neste ano o diferencial é a palestra sobre cuidados da saúde mental.

Também foi promovida, ontem (25), uma abordagem das pessoas na rua com a pergunta: “você já pensou sobre suicídio ou conhece alguém que enfrentou esse tipo de situação?”. Nos casos de resposta positiva, era concedida uma flor amarela.

Conforme Andresa, pessoas com sintomas relacionados à depressão são as que mais procuram ajuda. “Tristeza, desânimo, sentimentos de desvalia, angústia, ansiedade, são muito comuns no dia a dia dos serviços de saúde mental. Tais situações podem passar para um quadro mais grave e por isso, é fundamental que haja um tratamento”, alerta.

A psicóloga cita que o risco está relacionado aos casos de pessoas que não procuram ajuda. “Esse alerta é que gostaríamos de fazer: se você precisa de ajuda ou conhece alguém que esteja enfrentando uma situação preocupante, saiba que o serviço está à disposição”, ressalta.

Conforme as profissionais, entre as faixas etárias que mais procuram atendimento estão os adultos-jovens, na faixa dos 22 aos 35 anos, onde as situações como perder um emprego, problemas de relacionamento, de saúde física, muitas vezes causam a sensação de um “impacto muito maior” e, por consequência, desequilíbrios na saúde mental.

Sobre o serviço

Andresa explica que a ‘porta de entrada’ de atendimento é a Unidade Básica de Saúde, onde uma equipe vai avaliar e, caso necessário, há o encaminhamento para o serviço de saúde mental. “Nos Caps, por exemplo, há o acolhimento sem a necessidade de um documento de referência. Um profissional recebe a pessoa que busca ajuda, em paralelo é avaliada a rede de apoio, o que há de recursos a serem trabalhados, e com isso inicia-se o acompanhamento”, esclarece.

O trabalho é contínuo, há pacientes que se tratam no Caps desde a abertura da unidade, em 2002 ou ainda antes, no Núcleo de Saúde mental.

Uma das dificuldades, segundo Andresa e Vânia, é integrar os familiares ao tratamento. “Nem sempre há essa atenção, esse suporte. Contudo, quando alguém adoece, todos sofrem com aquela situação. É importante que a família se conscientize sobre o problema e os riscos”, destacam.  

Como ajudar?

Em muitos casos surge aquele questionamento: ‘Como podemos auxiliar nosso familiar ou amigo a enfrentar esse problema?’. Andresa enfatiza que o mais importante, a partir do desejo de ajudar alguém, é a disponibilidade de ouvir, sem julgar. “Poder ouvir e perceber que aquela situação vai além de um cansaço, isolamento ou dificuldade de relacionamento. Nem sempre a pessoa que enfrenta uma depressão ou ansiedade, tem essa “força” para buscar o atendimento. Então, o principal é orientar nesse caminho, fornecer um apoio. Percebemos o quanto esse apoio social e familiar é importante”, cita.

A palestra

Diante desse propósito de oportunizar um espaço de reflexão e debate, a atividade que será realizada no próximo dia 30 é uma espécie de ‘conversa’ com o estímulo de falar mais e desmistificar o assunto. “Reforçamos o convite a toda comunidade. Ter as informações, participar e saber como agir diante dessas situações, seja com familiares e amigos e toda pessoa da comunidade, é fundamental. Nosso objetivo é fornecer uma “ferramenta” à população”, reitera Vânia.

 

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