Uma terapia que integra profissionais da área de saúde, um cavalo e a presença fundamental de familiares do praticante no acompanhamento de atividades. Essa é a equoterapia, trabalho desenvolvido há quatro anos por meio do Projeto Fortalecer, promovido pelo Patronato Agrícola e Profissional São José, em Erechim.
Atualmente são 43 praticantes da equoterapia, sendo a maior parte de Erechim, além de munícipes de Campinas do Sul e Severiano de Almeida.
Durante o atendimento, que dura em torno de 30 minutos, atuam uma assistente social, uma fisioterapeuta, uma psicóloga e um guia. Os atendimentos acontecem na segunda-feira de manhã, terça-feira (manhã e tarde), quarta-feira à tarde, quinta-feira (manhã e tarde) e sexta-feira (à tarde).
De acordo com a assistente social, Adriana Marcia Santana, o diferencial é acolher e integrar os familiares ao tratamento. “Se a família estiver bem, o praticante estará bem. Caso contrário, se os familiares não estiverem emocionalmente equilibrados, o desenvolvimento do praticante não vai acontecer da forma planejada. Por isso, há dinâmicas em grupo e individuais”, comenta.
Os praticantes têm a partir de dois anos e meio de idade e chegam até o Patronato por meio de encaminhamento médico. Há vagas gratuitas mas todas estão preenchidas. Aos outros praticantes o atendimento tem um custo, cujo valor é definido após uma avaliação socioeconômica da família. “Outro objetivo é não trabalhar com fila de espera. Isso porque não concedemos a alta do atendimento. Os que interrompem o tratamento é por pedido da família ou do próprio praticante. Por ser uma terapia mais lenta, é muito importante ter uma continuidade”, orienta.
A estrutura para desenvolver a equoterapia conta com um picadeiro interno, outro coberto, um espaço com areia, outro com grama e mais um ginásio coberto, de cimento. “Há, ainda, a trilha na floresta, onde alguns praticantes e familiares são levados para passear”.
Saúde mental
A psicóloga, Marisa Calgarotto, explica que seu papel inicial é fazer uma avaliação com crianças ou adultos, além dos praticantes. Nesse momento é explicado sobre o funcionamento da terapia. Na sequência é trabalhada a questão de aproximação com o animal, além de concedida atenção à equipe. “O contato com o cavalo envolve várias situações como regras, limites, afeto, e isso mexe com as emoções. Do mesmo modo, os resultados são muito gratificantes. Percebemos o quanto é importante o tratamento”, cita.
Marisa reforça que os familiares pontuam os principais benefícios da equoterapia, os quais estão na melhora da concentração, equilíbrio e calma. “É perceptível que a terapia desenvolve e estimula vários sentidos”, acrescenta.
Movimento e equilíbrio
A fisioterapeuta, Cassia Valmorbida, explica que a equoterapia considera o movimento do cavalo (o qual é muito parecido com a marcha humana). Por isso, ela frisa que as crianças podem obter vários benefícios, tais como o alinhamento corporal, a iniciativa do movimento, ajustes posturais, equilíbrio, entre outros. “A parte respiratória também é considerada durante a equoterapia. Por isso, são propostos exercícios de acordo com as habilidades individuais. Junto à cela é utilizada uma manta, pela qual os praticantes conseguem sentir o movimento do cavalo”, explica.
Vale ressaltar que a equoterapia não substitui outros tratamentos, mas atua de forma complementar e diferenciada, sendo proporcionada uma opção de forma mais lúdica.
Resultados que impressionam
O erebanguense Renato de Vargas acompanhou a filha Gabrielle, de seis anos, na manhã de terça-feira (24), para mais uma sessão de equoterapia. Segundo ele, a participação no Projeto iniciou há dois anos. “Assim que o médico concedeu o diagnóstico de autismo, começamos a buscar opções de tratamento para fazer tudo o que podemos para melhorar a qualidade de vida dela. Depois da equoterapia ela ficou mais calma, melhorou o contato com animais. Antes, não dava a mesma atenção a cachorros, gatos e agora essa sensibilidade melhorou muito”, relatou à reportagem.
Um trabalho, um apreço
Além de atuar como guia no Projeto Fortalecer, Renato Albrecht reside no Patronato desde o mês de janeiro e tem uma responsabilidade extra: cuidar dos cavalos. Ele observa a limpeza, a organização das baias, o controle da alimentação, entre outras tarefas. Um serviço que, conforme Renato, possibilita um retorno muito gratificante.
Como sempre residiu no interior, ele não esconde a satisfação de trabalhar em algo que tanto gosta. “Me sinto bem em atuar nessa área. Os cavalos trazem inúmeros benefícios, eles são grandes amigos. O carinho que concedemos é recíproco”, reforça.
Missão que vence desafios
O presidente do Patronato, Edson De Geroni, em conversa com a reportagem do Bom Dia, exalta que a equoterapia auxilia crianças e adultos, sendo que há resultados comprovados de muitos que passaram pela entidade.
Ao mesmo tempo, Edson cita que o Patronato enfrenta diversas dificuldades no campo financeiro. “Gostaríamos de ampliar nosso atendimento. A equipe atua de forma integrada para que a recuperação seja a melhor possível, utilizando toda a tecnologia e os conhecimentos que as áreas oferecem. Eles participaram de treinamentos da Associação Nacional de Equoterapia - Ande Brasil - órgão que orienta e disciplina o cavalo na equoterapia”, ressalta.
Segundo De Geroni, vale destacar esse esforço expressivo de toda equipe. “Nós lamentamos a perda significativa que tem a nossa região dos recursos do imposto de renda que nem sempre são destinados para as entidades. Essa realidade é diferente dos países evoluídos onde as fundações são mantidas por esses incentivos. Aqui no Brasil isso não acontece”, questiona, citando que atualmente é remetido em torno de R$ 300 mil por ano às entidades. “Esse valor poderia ser de aproximadamente R$ 12 milhões por ano”, completa.
Para mais informações sobre a equoterapia ou como você pode ajudar o Projeto Fortalecer, contate pelo telefone: 3321 1408 ou e-mail: patronatocontabilidade@uri.com.br
Equoterapia e indicações
* Síndrome de Down e Autismo;
* Paralisia Cerebral;
* Depressão, estresse e psicoses;
* Lesões neuromotoras;
* Doenças degenerativas;
* AVE (Acidente Vascular Encefálico) e TCE (Traumatismo Craniano Encefálico);
* Doença de Parkinson e Doença de Alzheimer;
* Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade;
* Deficiência auditiva, visual e intelectual;
* Dificuldades de aprendizagem e linguagem.