O Setembro Amarelo tem como principal objetivo conscientizar sobre a prevenção do suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a cada 45 minutos, no Brasil, uma pessoa comete suicídio, enquanto no mundo a cada 40 segundos, uma pessoa tira a sua própria vida.
Considerada pela OMS como doença “mal do século”, o suicídio está atrelado à inúmeras causas e mais de 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo e esse dado é progressivo dia após dia. Nos últimos 10 anos, os casos de depressão cresceram 18% e no esporte estes índices também tem aumentado. Segundo estudo realizado pela Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFpro), os jogadores profissionais sofrem mais de doenças psiquiatras do que o público em geral – e 38% dos jogadores que estão em atividade no mundo, sofrem sintomas de depressão e/ou ansiedade.
Em Erechim, o Atlântico e o Ypiranga prestam este suporte aos atletas. No Canarinho, o Departamento de Psicologia surgiu em 2018. De acordo com o psicólogo, Paulo César Kautz, o objetivo é estabelecer condições e recursos técnicos psicológicos à comissão técnica e aos atletas – por isso, o suporte conta com uma ação conjunta com a Universidade Regional Integrada (URI), abrangendo o diretor da área (psicólogo), estagiário, departamento médico e de futebol.
O jogador não é um super-herói
Os dribles em campo e na quadra, se transformam em gols e fazem a alegria da torcida. Mas nem sempre os objetivos são alcançados, e os aplausos dão lugar as vaias. “O atleta é antes de tudo um ser humano, e os problemas psicológicos destes são os mesmos que qualquer pessoa em suas atividades ou dinâmica de vida pessoal. A diferença do atleta é que existe uma grande cobrança por perfeição e permanente alto desempenho, pressão geradora de enorme tensão emocional, acompanhamento de uma grande expectativa do clube que o contrata, da sociedade, da torcida, da imprensa, das famílias e dos próprios envolvidos. Assim, são vistos como super-heróis, homens máquinas”, destaca Paulo.
Supervisor do Atlântico, Elton Dalla Vecchia, destaca que o acompanhamento psicológico é realizado de forma contínua, abrangendo também os jogos decisivos, como foi o caso da Taça Brasil. “O aspecto psicológico é tão importante quanto o trabalho técnico, tático, físico, nutricional e fisioterapêutico. É através do aspecto psicológico que são obtidos os resultados positivos e o nível de concentração que eles (jogadores) precisam”.
Segundo Paulo, “o trabalho executado pelo departamento de psicologia em um clube de futebol se torna um importante auxílio no desenvolvimento de competências emocionais, que irão contribuir para que a comissão técnica e os atletas em especial, possam de forma mais estabilizada, humanizada e equilibrada psicologicamente, desenvolver um melhor suporte emocional, apresentando melhores resultados no desempenho, se associando ao trabalho conjunto com a parte física, tática e técnica do time”.