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Esportes

Giba e Marquinhos Xavier comandam dois times de expressão na final da Taça Brasil

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Giba foi anunciado oficialmente como técnico do Atlântico em 2017
Marquinhos é técnico da ACBF desde 2014
Por Kaliandra Alves Dias
Foto Débora Zandonai e Edson Castro

Atlântico e ACBF são duas equipes tradicionais do futsal brasileiro. Com títulos expressivos como a Taça Brasil, Libertadores da América e Mundial, os times gaúchos chegam a mais uma final e partilham o mesmo sonho: conquistar a Taça Brasil. E para que o objetivo se concretize, o Galo e a Laranja vão contar com a experiência de dois personagens da trajetória das equipes até a final: os técnicos.

Giba e Marquinhos têm uma história parecida. Ambos começaram suas carreiras como jogadores de futsal e escolheram o comando técnico como a continuidade de um trabalho.

Das quadras a casa mata e uma carreira vitoriosa

Giba conciliava o futsal com o futebol. Mas a vida impôs que ele optasse por uma das modalidades, e a paixão pelo futsal falou mais alto. Jogando como pivô, passou a atuar como beck no primeiro ano de profissional.

Iniciou sua carreira como técnico na ADS em Sananduva, mas foi na Alaf de Lajeado, que o ex-jogador conquistou os títulos mais importantes da história do clube. A saída de Giba no comando técnico da equipe aconteceu em 2017, quando assumiu o América de Tapera. “A passagem pelo América marcou a minha trajetória. Levei a equipe a uma semifinal, onde o time nunca havia chegado. Na Liga Gaúcha conseguimos liderar. Pelo trabalho realizado, recebi o troféu de melhor técnico da temporada”.

Marquinhos também se aventurou pelas quadras. Após passagens por times brasileiros e também europeus, o jovem começou a faculdade, e depois de desempenhar a função de preparador físico e auxiliar, foi efetivado.

Em 2005, Marquinhos deu o pontapé inicial na sua carreira como técnico. O técnico teve passagens por times brasileiros e também europeus. No seu retorno ao Brasil, disputou a sua primeira Liga em 2008 pela John Deere de Horizontina. Mas foi no Copragril, time de Marechal Cândido Rondon, que Marquinhos teve destaque. Em sua passagem pelo time paranaense, foi finalista da Liga em 2010. Chegou a ACBF em 2014, e de lá para cá, foram 12 títulos conquistados em 18 finais. “Venci praticamente todos os títulos a nível nacional e internacional”.

No currículo, Marquinhos conquistou a Liga Nacional, a Taça Brasil (2016), o tricampeonato na Libertadores, dois campeonatos gaúchos e paranaenses. Além disso, também recebeu premiações individuais, como foi o caso de 2010 e 2015, onde foi escolhido o melhor técnico da Liga nacional. Marquinhos também foi indicado três vezes à premiação de melhor técnico do mundo.

O convite de comandar o Atlântico

A história com o Galo de Erechim começou ainda quando Giba era jogador. Em 2017, ele foi anunciado como técnico do time. “Tenho a competitividade aflorada e aceitei o desafio. Aqui, tenho identificação com o clube, os torcedores e com a cidade. Tem sido positivo o trabalho que vem sendo realizado. Nenhum time chegou a tantas finais como o Atlântico nos últimos anos. O clube entrou em evidência, apesar de ser mundialmente conhecido, mas voltar ao cenário nacional é motivo de orgulho”.

Dos ensinamentos de ex-técnicos, Giba leva as lições que aprendeu sobre a forma de lidar com o grupo. “Muitas vezes tu tens que ser amigo e passar a mão, e em outras é preciso cobrar mais. O tempo de técnico te mostra essa maneira de como lidar com o grupo, porém, o principal é o amadurecimento e as experiências que vivemos como atleta e o que fazemos de certo e errado”.

A evolução na competição

Embora o Atlântico tenha garantido a classificação à semifinal da Taça Brasil na última rodada, Giba demonstrou satisfação com a evolução que o time manteve ao longo da competição. “Trabalhamos muito para chegar bem nessa Taça Brasil. Não abrimos mãos de jogos pela Liga Gaúcha, mas tiramos o “pé”. Conseguimos manter a boa condição física dos jogadores para a competição. Perdemos um jogador para a Taça (que foi o goleiro Careca). Não esperávamos e conseguimos, dentro da competição, mostrar que as nossas escolhas foram positivas”.

Aos 25 anos, o goleiro Jackson viveu a sua primeira experiência como titular no Galo. Durante a fase de grupos, o camisa 2 sofreu apenas quatro gols. “O Jackson é um goleiro que nos passa segurança. E sabíamos que poderia contribuir muito pela qualidade que ele sempre mostrou, não tínhamos dúvida de que ele faria uma boa competição”, destaca Giba.

O conhecimento prático com a vida acadêmica

Formado em Educação Física, Marquinhos defende a prática de aliar o conhecimento prático com a vida acadêmica. Além de aliar o comando técnico da ACBF com a Seleção Brasileira, ele também concilia as funções com as aulas do mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com as palestras e minicursos. “Defendo a tese de que quanto mais você fala do seu trabalho, mais você conhece sobre ele. Acho legal essa questão de palestrar e dar minicursos, porque tudo o que você fala é o que acontece no seu dia a dia e vai conhecendo a metodologia. Aprendemos a lidar com jogador, dirigente, imprensa e com os torcedores, e isso acaba refletindo no resultado. O bom resultado deseja alcançar o nível de alta performance de falar sobre isso”.

O cenário atual que o futsal brasileiro enfrenta

Falta de apoio e visibilidade são algumas situações que a modalidade enfrenta. O futsal ainda “engatinha” no Brasil, e apesar das recentes conquistas de times brasileiros em competições sul-americanas e mundiais, o futsal ainda não tem um espaço maior na programação de canais abertos e fechados na televisão. “Infelizmente o problema geral é na gestão e a forma como as pessoas enxergam. Não conseguem fomentar o esporte como uma ferramenta social, e que poderia auxiliar na melhoria da imagem dos patrocinadores como um evento esportivo e cultural – dessa maneira encontramos dificuldades no crescimento. Na parte da gestão, poderíamos ter uma valorização maior com ações que colocassem o futsal em uma situação de exposição positiva sobre o que fazemos. É um ponto importante a ser refletido”, destaca Marquinhos.

Os desafios de treinar a Seleção Brasileira

Em 2017, Marquinhos Xavier assumiu o comando da Seleção Brasileira de Futsal. Em dois anos de trabalho, o técnico avalia os desafios que enfrenta ao comandar as duas equipes simultaneamente. “São duas engrenagens pesadas, e que precisa de um esforço muito grande. É motivo de satisfação e ao mesmo tempo desafiador”.

O primeiro título de Marquinhos no comando da Seleção veio no ano passado, quando o Brasil venceu de virada a República Tcheca. Mas os desafios vão além do que se possa imaginar. “Não é tão simples. Em um clube você tem treino para ajustar com mais perfeição. Na Seleção, é preciso ser cirúrgico nas convocações e nas escolhas dos atletas. O clube te dá mais possibilidades e na Seleção tem que ser mais rápido. Isso me dá muito prazer apesar do desgaste emocional. É um trabalho que também tem um prazo de validade”.

A expectativa para a final da Taça Brasil

ACBF e Atlântico realizam a grande final da competição neste domingo (25), às 14h, no Caldeirão do Galo. Mas a disputa pelo título será marcada por uma homenagem ao pivô Douglas Nunes, do Corinthians, que foi assassinado no domingo (11). “Hoje, para mim, a importância é outra, prestar uma homenagem a um atleta que esteve na competição e que teve a sua vida ceifada. Para mim, não tem o gosto de uma disputa pelo título. A expectativa é fazermos um jogo tranquilo, aberto e sem problemas. Assim, as duas equipes poderão dar uma demonstração de profissionalismo, ética e grande homenagem a um atleta que estava na competição”, destaca Marquinhos.

Com o apoio da torcida, o Atlântico busca o bicampeonato na competição. E para o técnico Giba, é necessário manter a atenção, principalmente, pelas qualidades que o adversário apresenta em quadra. “A ACBF sempre foi forte, e sabemos que todos os confrontos foram equilibrados. Eles apresentam uma grande performance de jogo. Não podemos deixar de jogar para pensar na ACBF. Precisamos manter um jogo equilibrado”, finaliza Giba.

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