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Saúde

Alimentos orgânicos: “O que produzir vende”, diz produtor

O mercado de alimentos orgânicos, agroecológicos, vem crescendo no Brasil nos últimos anos. O diferencial desse segmento é a produção de um alimento sem agrotóxicos, mais saudável, com maior valor de mercado e, principalmente, um sistema produtivo que preserva a saúde de quem cultiva o alimento. A produção de orgânicos tem hoje a venda garantida, mas para chegar nesse estágio precisa de assistência técnica, mudar o manejo produtivo e, também, apoio do poder público

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Feira de produtos orgânicos em Aratiba
Vilson no seu pomar
Horta ogânica
Projeto também envolve apresentação sobre alimentação saudável nas escolas
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O mercado de alimentos orgânicos, agroecológicos, vem crescendo no Brasil nos últimos anos. O diferencial desse segmento é a produção de um alimento sem agrotóxicos, mais saudável, com maior valor de mercado e, principalmente, um sistema produtivo que preserva a saúde de quem cultiva o alimento. A produção de orgânicos tem hoje a venda garantida, mas para chegar nesse estágio precisa de assistência técnica, mudar o manejo produtivo e, também, apoio do poder público.    

Um exemplo é o município de Aratiba, no Alto Uruguai, que vem investindo significativamente nesse setor e fomentando a produção agroecológica entre os agricultores locais. Nesse mês, o Programa de Incentivo à Produção de Alimentos Orgânicos completa dois anos em execução com resultados efetivos, transformadores.

Segundo a engenheira de Alimentos, Rafaela Dellagostin, antes do projeto havia cinco produtos certificados e, hoje, já são 23 alimentos orgânicos com certificação. “São mais de 40 famílias no processo de transição, que dura 18 meses. Tem famílias que se mantém só com a renda provinda da produção orgânica”, afirma.

Produtor - “É rentável” 

Há cinco anos o agricultor de Aratiba, Vilson Bugs, de 54 anos, cultiva alimentos orgânicos com certificado, o carro-chefe da sua propriedade é a laranja valência, mas também produz gengibre, açafrão, mirtilo, batata yacon e batata cará-moela.

“A agricultura orgânica é viável, está em expansão, cresce 10% a 15% o consumo de alimentos orgânicos todo ano, está em ascensão, esse é um mercado promissor, quem entrar nesse setor não vai se arrepender”, comenta.

Vilson cultiva laranja desde 1990 e o principal razão que o levou a mudar a maneira de produzir e partir para o sistema orgânico foi a questão da saúde. “Isso que me motivou, pensar na saúde, esse foi o principal objetivo”, diz.

Resultados

A transição para a produção orgânica não foi difícil, diz Vilson, no entanto, tem que se respeitar o período de transição, não usar agrotóxicos se adaptar as outras técnicas de cultivo e controle de pragas. O pomar do Vilson tem uma produtividade média de 40 toneladas de laranja por hectare.

 “Hoje dá para produzir sem usar agrotóxicos e a produção é idêntica em termos de produtividade. No início, diminuiu um pouco no período de transição, mas com o tempo a cultura se adapta e volta ao normal”, afirma.

Ele afirma que, por exemplo, para combater a mosca da fruta se faz armadilhas, além disso, se aplica na cultura as caldas permitidas e recomendadas.

Custos

Ele diz que o custo no início aumenta um pouco, no período de transição, até conseguir reequilibrar o ambiente, a natureza, mas com o tempo a tendência é diminuir, e o resultado ser melhor no sistema orgânico.

Rentabilidade – mercado

Conforme Vilson, a agricultura orgânica é rentável e um dos diferenciais é o preço, a diferença chega a mais de 200% no valor entre a laranja orgânica e convencional. “Se ganha R$ 700 a tonelada da laranja orgânica, já a convencional está em torno de R$ 250. O produto orgânico não baixa o preço, no máximo ele fica igual em tempo de crise”, observa. E, acrescenta “o mercado orgânico está crescendo, falta citros e o que produzir vende, batata-doce, batatinha, feijão”.

Desmistificando

Vilson faz questão de ressaltar que o produto orgânico tem aparência tão boa ou até melhor que o alimento convencional, e que é uma falsa ideia dizer que o orgânico não tem apresentação, é feio. “É até melhor”, diz.

Políticas públicas

O produtor ressalta que o suporte da prefeitura foi muito importante para se inserir na produção orgânica. “Temos um técnico exclusivo para nós que nos auxilia direto no campo, em caso de dúvida, temos um técnico preparado para auxiliar”, diz.

Produção agroflorestal

No momento, Vilson está implantando também em uma área de um hectare um projeto experimental de produção agroflorestal. “Produzir juntamente com a natureza, frutíferas, erva-mate, árvores nativas. A cultura orgânica está em harmonia com a natureza, respeita e preserva o meio ambiente”, afirma.

Assistência técnica

O técnico do Cetap, Emelson Bonamigo, afirma que até o fim desse ano se espera ter 40 famílias certificadas em agroecologia. “Um número bem significativo para o município de Aratiba”, diz. Ele destaca a parceria e o apoio do poder público.

Segundo Emelson, muitas famílias estão aderindo à produção orgânica em função da saúde, e como as pesquisas avançaram nessa área, hoje é possível produzir tudo. “Tem culturas que se comparam a produção convencional em termos de produtividade, e a qualidade do orgânico vai sempre além do produto convencional”, afirma. 

O técnico lembra que o município partiu de cinco produtos certificados para, atualmente, 23 alimentos, desde laranja, banana, chuchu, hortaliças, brócolis, repolho, alface, beterraba, cenoura, entre outros. Ele acrescenta, ainda, que Aratiba tem potencial, por estar na beira do lago da barragem, de produzir frutas tropicais como mamão e banana.

Por mais que haja produção convencional ao lado da propriedade ainda dá para se inserir no sistema orgânico, no entanto, é necessário mudar o manejo, não usar agrotóxicos e implantar, por exemplo, barreiras ecológicas. “Fazendo as barreiras se está dentro da lei para produzir orgânicos”, diz.

Ele afirma que a demanda por produtos orgânicos é cada vez maior e o que for produzido se consegue vender. “A Ecoterra comercializou mais de 600 toneladas de alimentos, a demanda que existe teríamos que dobrar a produção, só de laranja. O que produzir tem comércio, e isso está também incentivando as famílias a sair da produção convencional e ir para a orgânica”, observa.

Conforme Emelson, a laranja Bahia que vai para mesa está em torno de R$ 1 o quilo da fruta orgânica e a convencional está em torno de R$ 0,25 o quilo.  “Isto é, quatro vezes mais. O produtor tem segurança para vender e sabe até quanto vai ganhar na safra, tem o preço garantido”, afirma.

O projeto envolve ainda outras ações, e uma delas é a apresentação sobre alimentação saudável nas escolas municipais. Emelson afirma que para a produção agroecológica se expandir no Alto Uruguai precisaria, inicialmente, do apoio do poder público local. Hoje, a produção de orgânicos de Aratiba vai para São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Bahia.

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