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Saúde

Mudanças de hábitos: base da prevenção do colesterol

Nutricionista de Erechim, Diana Riquetti, explica que tendências genéticas ou hereditárias, obesidade, diabetes e sedentarismo são fatores que podem favorecer o aumento do colesterol

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A alimentação é um dos principais fatores que devem ser observados
Diana Riquetti, nutricionista
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O Dia Nacional do Combate ao Colesterol, comemorado hoje (8), tem o propósito de conscientizar a população e ampliar o acesso à informação. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um comunicado em Genebra, na Suíça, alertando que cerca de 5 bilhões de pessoas no mundo convivem com os riscos de desenvolver doenças associadas ao uso das gorduras trans, ingrediente amplamente utilizado pela indústria que pode causar o aumento do colesterol total e colesterol ruim (LDL). Além disso, o colesterol elevado no sangue é uma das principais causas de doenças cardiovasculares, entre elas infarto e acidente vascular cerebral. Segundo a entidade, as gorduras trans atualmente são responsáveis por aproximadamente 500 mil mortes ao ano.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aponta que 60 milhões de pessoas têm colesterol elevado.

A nutricionista de Erechim, Diana Riquetti, explica que o colesterol é necessário para o organismo, pois realiza funções importantes como a produção de alguns hormônios, tais como vitamina D, testosterona, estrógeno, cortisol e ácidos biliares que auxiliam na digestão das gorduras. “É, ainda, parte estrutural das membranas celulares em nosso corpo em vários órgãos como coração, cérebro, fígado, intestinos, músculos, nervos e pele. Contudo, o colesterol causa problemas quando em excesso, pois aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares devido à capacidade de formar placas de gorduras na parede das artérias, dificultando ou até obstruindo a passagem do sangue”, explica, citando, também, os riscos de infarto, AVC, complicações nos rins, síndrome coronariana aguda, angina e trombose.

Como prevenir a incidência do colesterol alto?

Conforme Diana, tendências genéticas ou hereditárias, obesidade, idade, gênero, diabetes e sedentarismo são fatores que podem favorecer o aumento do colesterol. A alimentação é outro fator, sobretudo as gorduras saturadas, presentes no bacon, pele da carne das aves, manteiga, creme de leite, nata, salsichas, embutidos (salame, mortadela, presunto), gema de ovo, carnes gordas e produtos com gordura trans (hidrogenada) como biscoitos, margarina, salgadinhos de pacote, comidas congeladas, bolos prontos e sorvete. “Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais evita o aumento do colesterol, além da prática de exercícios físicos e evitar o fumo e o estresse. Em muitos casos está indicado o uso contínuo de medicamentos”, alerta.

A nutricionista reforça que a alimentação contribui cerca de 30% para o aumento do colesterol. O restante é causado por fatores genéticos e estilo de vida. “Os níveis de colesterol no sangue dependem da capacidade do fígado de removê-lo da circulação sanguínea para formar bile. Isso varia de pessoa para pessoa”, acrescenta.

Diana menciona que o excesso de colesterol LDL pode causar doenças vasculares por se depositar na parede interna das artérias e pouco a pouco formar uma placa chamada ateroma. Estes ateromas vão obstruindo gradualmente as artérias, podendo causar infarto e AVC. “Por levar muitos anos para uma placa de ateroma se desenvolver é importante controlar os outros fatores de risco como níveis de LDL adequados, a glicose, a pressão, parar de fumar e reduzir o peso, quando excessivo, além de praticar alguma atividade física regularmente”, pontua.

O tratamento do colesterol alto deve ser preventivo e para a vida toda.

O que pode auxiliar na prevenção e controle do problema

De acordo com a nutricionista, para a prevenção e tratamento do excesso de colesterol sanguíneo é necessário evitar alimentos com gorduras saturadas e consumir alimentos com gorduras insaturadas, tais como abacate, óleo de canola, azeite de oliva, óleo ou semente de girassol, gergelim, óleo de soja, óleo de peixe, castanhas e nozes. Em contrapartida, deve-se aumentar o consumo de alimentos integrais, legumes, verduras, frutas, aveia, psyllium, linhaça, chia, açafrão, alho, cebola, uva, suco de uva, chá verde, cacau em pó ou chocolate amargo.

Cuidados com o colesterol alto devem começar na infância, alertam especialistas

O Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em parceria com o Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), preparou um material ilustrativo (folder e vídeo) voltado aos pais e pediatras para esclarecer dúvidas sobre o tema.

Na infância, a principal causa de colesterol alto se deve a uma alimentação rica em gorduras, ao excesso de peso e ao sedentarismo. Entretanto, algumas crianças e adolescentes terão colesterol alto mesmo seguindo uma dieta saudável. Para os especialistas, considerando ser primordial para o funcionamento do corpo humano, é importante ter os níveis do colesterol sob controle.

Depois de passar pela circulação, o colesterol precisa ser removido novamente pelo fígado para formar bile. Os níveis de colesterol no sangue dependem, portanto, principalmente da capacidade do fígado em removê-lo. Isso varia de pessoa para pessoa.

Dosagem – Atualmente, consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita, em toda a criança, entre nove e 11 anos. Crianças obesas, com idade entre dois e oito anos, com diagnóstico de diabetes ou que tenham histórico de doença cardíaca ou colesterol alto, devem ter os níveis de colesterol dosados.

O presidente do DC de Endocrinologia da SBP, Dr. Crésio Dantas Alves, explica que “se o LDL-colesterol da criança, ou seja, a fração ruim do colesterol no sangue, estiver acima de 130mg/dl, os pais deverão procurar um pediatra ou endocrinologista para que possam avaliar seu filho”. Dr. Crésio ressalta que a infância e a adolescência são fases importantes na prevenção de doenças do coração e que os hábitos de vida formados nesta fase são fundamentais para a qualidade de vida do adulto.

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