Um período voltado à reflexão e conscientização sobre a importância do Aleitamento Materno. Assim é considerado o ‘Agosto Dourado’, especialmente a semana que encerra nesta quarta-feira (7) e teve como lema: “Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação, hoje e para o futuro”.
A médica pediatra e pneumopediatra, natural de Erechim e que atua em Porto Alegre, Fernanda Mocelin, ressaltou em entrevista ao Bom Dia, que o ‘Agosto Dourado’ foi criado para que as famílias possam buscar informação de qualidade em relação à amamentação. “Esta necessidade surgiu quando percebeu-se que o tempo de aleitamento materno exclusivo é muito baixo: no Brasil, apenas 38% dos bebês estão em aleitamento materno exclusivo no sexto mês. Muito disto se dá por falta de informação sobre os benefícios do leite materno e, principalmente, pela falta de rede de apoio das lactantes”, explicou.
Fernanda salientou que há pouco tempo, era comum que a avó ensinasse a nova mãe a amamentar, enquanto as tias cuidavam da casa e das crianças mais velhas. Segundo ela, esta rede de apoio era essencial para o sucesso da amamentação. “O que se vê hoje, é que muitas mães querem amamentar, mas não conseguem porque as famílias diminuíram de tamanho e as mulheres ficam sobrecarregadas com as funções domésticas, com os outros filhos e não se sentem acolhidas por familiares nesta fase tão importante, em que ela está exposta à grande variação hormonal e está conhecendo aquele bebê.
Conforme Fernanda, neste momento, o pai tem um papel importantíssimo, que é ser o sustento emocional da mãe para que ela possa estar em fusão emocional com o bebê. “Essa é uma experiência tão intensa e tão pouco enfatizada nas consultas de pré natal e de puericultura. O ‘Agosto dourado’ quer que a solidão da mãe que amamenta seja colocada em pauta”, acrescentou.
A especialista reforçou que o leite materno é considerado o alimento mais completo do mundo e traz expressivos benefícios para os bebês e suas mães. “A ocitocina, liberada durante o aleitamento, tem poderoso efeito antidepressivo para a mãe, o que ajuda no vinculo mãe-bebê. O colostro, que é o primeiro leite produzido, é considerado a primeira vacina do bebê, pois é riquíssimo em anticorpos. Além disso, o leite materno reduz a incidência de doenças respiratórias, diarreia, alergias, obesidade, hipertensão, diabetes, câncer infantil (principalmente linfoma e leucemia) e sabe-se que o QI de crianças que mamaram em seio materno é maior”, citou. Para as mães, também há benefícios: reduz a chance de câncer de mama e ovário e protege de doenças cardiovasculares.
A consulta com o pediatra antes de o bebê nascer é importante para o esclarecimento das dúvidas em relação à amamentação. Na oportunidade, pontua a médica, deve-se falar sobre os benefícios, sobre a pega correta, importância da ingesta hídrica durante a amamentação e sobre as dores da amamentação. “Muitas mulheres desenvolvem fissuras no seio, bastante dolorosas, mas que costumam melhorar com a pega adequada e com a queratinização ("engrossamento" da pele) do mamilo. Geralmente, após cerca de 15 dias, a amamentação engrena, o bebê aprende a pegar corretamente, o mamilo queratiniza e o amamentar passa a ser um momento prazeroso para a díade mãe-bebe”, orientou.
Nenhuma mãe amamenta sozinha
A médica frisou, ainda, um recado a todas as pessoas: “se você conhece uma mãe que está amamentando: cuide dela! Se ofereça para arrumar a casa, fazer uma comidinha, ficar com o bebê enquanto ela toma um banho demorado ou descansa um pouquinho. Uma mãe feliz e que se sente apoiada consegue amamentar melhor e por muito mais tempo! Amamentar é tarefa de todos!”, enfatizou.
Para as mães que perguntam como amamentar, a especialista sempre diz: “aprenda a pedir ajuda (envolva a família toda nisto, principalmente o papai!), leia sobre (sempre digo que é infinitamente mais importante ler sobre amamentação do que preparar o enxoval. Particularmente, gosto muito do livro "Maternidade e o encontro com a própria sombra", da Laura Gutman), tome muito liquido e acredite: a natureza é perfeita e vai fazer a parte dela! Boa sorte nesta experiência mágica!”.
Ações para orientar e promover
A gerente do setor materno infantil da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, de Erechim, Kerli Orso, explica que cada mãe produz um leite exclusivo para seu próprio bebê. “Nele estão todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do recém-nascido e prevenção de doenças. Por isso realizamos algumas ações, conversamos com as equipes para promover o aleitamento”.
Conforme Kerli, algumas doenças e uso de medicamentos podem interferir e até mesmo impedir a amamentação. Porém, são poucas as situações e o médico vai orientar sobre como deve ser o processo de alimentação do bebê, nesses casos. “Diariamente concedemos orientações às gestantes, desde o pré-parto até a fase após o nascimento”, citou.
Bons exemplos
Esse ato de amor e carinho é seguido pela jovem erechinense, Caroline Guarnieri Rolin, de 26 anos. Ao Bom Dia ela salientou que, ao dar à luz ao quarto filho, Lucas, a amamentação é algo mágico. “É um momento inexplicável, muito bom e importante para ele e para mim. Uma sensação de poder, de alguma forma, fornecer proteção. Eles ficam calmos”, comentou. Lucas nasceu no sábado (3), na Fundação Hospitalar Santa Terezinha.
A fisioterapeuta intensivista em Neonatologia e Pediatria, Iascara Kirst, relatou que sua filha está com dois anos e meio e ainda é contemplada com o leite da mamãe. “Sempre tive o desejo de amamentar, desde quando decidi ser mãe. Forneço o melhor alimento do mundo para ela, que é o leite materno. Consegui amamentar ela de forma exclusiva até os seis meses, conforme é preconizado. Até hoje tenho esse vínculo com ela, pois além de ser um alimento, é um vínculo afetivo, com troca de olhar, uma relação que levaremos para a vida toda. Pretendo que ela faça esse desmame, nem pensei em interromper. É um amor incondicional e que bom quando as mães querem, pois essa é a primeira questão para a mulher amamentar”, ressaltou emocionada.