Para algumas pessoas, aquela saidinha após o expediente de trabalho para tomar uma cerveja, por exemplo, é um comportamento habitual. Contudo, o que nem sempre é lembrado, é que essa ação com o intuito de “relaxar”, pode originar exageros que, por sua vez, dão origem a sérias preocupações. É o que aponta dados do Ministério da Saúde divulgados na última semana. Conforme a pesquisa, em 13 anos, o uso abusivo de bebida alcoólica aumentou no país, chegando a atingir 17,9% da população adulta.
No ano passado, o percentual era 14,7% maior do que o registrado em 2006 (15,6%). O dado consta na Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Um dado que chama ainda mais a atenção, é que no período, o maior crescimento ocorreu entre as mulheres. O percentual (11%), porém, continua sendo mais baixo do que o dos homens (26%). No início da análise, os percentuais eram de 7,7% e 24,8%, respectivamente.
Segundo destaca o Ministério, entre mulheres, considera-se uso abusivo de álcool a ingestão de quatro ou mais doses em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias. Já no caso de homens, o comportamento se configura quando há ingestão de cinco ou mais doses.
Álcool: amplos prejuízos para as mulheres
A nutricionista e Coach de Erechim, Luana Lermen, confirma que, o consumo de álcool sempre foi mais atribuído aos homens do que as mulheres, contudo, acredita que a transformação do papel feminino na sociedade, tendo uma jornada dupla de trabalho por exemplo, lhe contribui níveis maiores de estresse e ansiedade. Isso possa estar influenciando o aumento do consumo de bebidas alcóolicas.
Conforme Luana, de forma geral o abuso destas bebidas causa efeitos negativos para ambos (homens e mulheres), porém as mulheres são mais sensíveis aos efeitos por terem menos enzimas capazes de metabolizar esse álcool e também por terem níveis menores de líquido corporal, o que aumenta ainda mais os efeitos negativos das bebidas. “A composição biológica da mulher também faz com que ela tenha mais gordura corporal o que potencializa ainda mais esses malefícios e faz com que a mulher possua ainda mais dificuldades para reduzir o peso (questão que também está associada a diversos tipos de doenças, inclusive psíquicas)”, explica.
A nutricionista assinala que, entre os malefícios da bebidas é possível citar:
* Desidratação que afeta praticamente todos os processos químicos que ocorrem no copo, inclusive a queima de gordura pois, a água é componente fundamental no processo de queima de gordura também;
* Atrapalha a capacidade do organismo absorver nutrientes. Isso acontece porque após a ingestão da bebida o fígado passa a trabalhar intensamente para eliminar as toxinas, excluindo também outras vitaminas e minerais, que deveriam ser absorvidas, mas acabam saindo pela urina;
* Aumenta ainda os estoques de gordura do corpo pois, ele não tem capacidade para estocar álcool e como é algo tóxico para o organismo, nosso corpo tem que se livrar dele o mais rápido possível. Este processo tem prioridade máxima e a queima de gordura ficará em segundo plano (é como se enquanto você tivesse uma grama de álcool no corpo, não existisse queima de gordura);
* Redução dos níveis de testosterona (cerca de 25%) o que prejudica o ganho de massa magra;
* Redução da qualidade do sono;
* Alguns estudos ainda indicam que mulheres podem ficar menos férteis se ingerirem álcool abusivamente, por alterarem a produção hormonal e ovulação. Sem falar é claro de diversas doenças comuns que podem ser agravadas, como doenças do fígado (esteatose), pâncreas, coração e rins.
Não há nível de consumo seguro
Segundo a Organização Mundial de Saúde, não existe um nível seguro para o consumo de álcool. “Se a pessoa bebe, há risco de problemas de saúde, especialmente se bebe mais de duas doses por dia. Desse modo, o ideal seria que as pessoas não usassem mais álcool, porém, como isso é quase impossível de acontecer, pelo menos seria importante beber pouco, com moderação, para evitar seus efeitos negativos”, pontua Luana.
Ela orienta ainda, que, sempre que puder, é melhor optar por cerveja sem álcool, o que diminui pela metade os prejuízos produzidos pela bebida. Se for beber algo, é importante ingerir bastante água intercalada com a bebida alcoólica pois, desta forma é possível reduzir os danos da desidratação e diminuir a absorção das calorias.
Além disso, é fundamental fazer uma boa refeição antes de beber. Desta forma minimiza-se os efeitos negativos do álcool, mantendo-se alimentado.
Outras dicas
* Faça o consumo de preferência nos dias em que não treinou, pois, certamente terá sua recuperação prejudicada. Por exemplo, se o seu último dia de treino foi na sexta-feira, então, procure beber (sempre com moderação) no sábado. É claro que dependendo da intensidade do seu treinamento, seus músculos precisarão de mais alguns dias para se recuperar completamente, mas, pelo menos alguma coisa você já fez para minimizar os prejuízos da recuperação.
* Não beba retroativo! Ou seja, se não bebeu durante toda a semana, não beba no fim de semana tudo o que puder ou o que poderia ter bebido ao longo da semana.
* Prefira vinhos e espumantes do que vodkas e cervejas pois em geral, são menos calóricas. E sempre intercale com água!
Enfim, fique ciente de que o consumo de álcool irá afetar a sua saúde de alguma forma e minimize os efeitos adotando estas estratégias!
Mais sobre a pesquisa
* Com informações da Agência Brasil
O comportamento é visto com mais frequência entre grupos populacionais mais jovens e tende a diminuir à medida que a idade avança. Segundo a Vigitel, há preponderância entre homens de 25 a 34 anos (34,2%) e mulheres de 18 a 24 anos (18%). Já entre mulheres com mais de 65 anos, o percentual é de somente 2%, o que representa 5,2% a menos do que em homens da mesma idade (7,2%).
O uso abusivo de bebidas alcoólicas é um fator de risco que contribui para a ocorrência de acidentes de trânsito e para a suscetibilidade a Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), que abrangem câncer, doenças respiratórias crônicas e cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC). Na perspectiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), não há volume de álcool que possa ser classificado como "seguro", uma vez que a substância é tóxica para o organismo humano.
Mortalidade
O Ministério da Saúde calcula que 1,45% do total de óbitos registrados entre 2000 e 2017 pode ser "totalmente atribuído" à ingestão abusiva de bebidas, como doença hepática alcoólica. A estatística prova que a vulnerabilidade dos homens está diretamente relacionada à embriaguez. Eles morrem aproximadamente nove vezes mais do que as mulheres por causas ligadas exclusivamente ao álcool.
Atualmente, o governo federal oferece, por meio da Política Nacional de Saúde Mental, atendimento a pessoas que sofrem de dependência do álcool (alcoolismo). O atendimento é disponibilizado gratuitamente, das unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps).