Todos os moradores da área rural de Erechim e região Alto Uruguai, que não se vacinaram contra a febre amarela, devem procurar um posto de saúde no município e fazer a vacina até o dia 22 desse mês. A ação faz parte do censo vacinal lançado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de saber qual a realidade da cobertura vacinal da doença no meio rural. Essa campanha é uma resposta preventiva ao caso ocorrido no estado vizinho de Santa Catarina, que levou recentemente uma pessoa a morte. A única maneira de se prevenir da febre amarela, doença que pode levar à morte, é por meio da vacina.
Vigilância Epidemiológica
Segundo a chefe do Serviço de Vigilância Epidemiológica de Erechim, Luciana Grendene, o Ministério da Saúde lançou um censo vacinal para a febre amarela com o objetivo de saber, na área rural, quem está vacinado ou não contra a doença. “Quem não estiver já pode fazer a vacina. As unidades básicas de saúde já estão orientadas de como proceder e realizar a vacina para quem for necessário”, diz. Pode receber a vacina crianças a partir dos nove meses até adultos com 59 anos de idade.
O trabalho iniciou nesta segunda-feira (8) e vai até o dia 22 desse mês, está sendo feito em todo o estado do Rio Grande do Sul, e é uma resposta ao óbito por febre amarela ocorrido em Santa Catarina, e pelo Ministério da Saúde ter observado uma baixa cobertura vacinal da febre amarela.
No momento, explica Luciana, o objetivo é conhecer a cobertura vacinal, e se for necessário, fazer uma campanha de multivacinação em agosto para febre amarela. As ações terão como foco principal a área rural por ser a febre amarela uma doença silvestre.
Urgência
Conforme Luciana, a urgência agora se dá em função da morte de uma pessoa em Santa Catarina. “A febre amarela mata, é uma doença que tem letalidade acima de 30%, o vírus causa uma infecção no fígado, rins, até levar a falência de múltiplos órgãos. É uma doença bem grave”, afirma.
Ela lembra que a doença começou com surtos no norte do país, sudeste e já tem casos registrados no Paraná e Santa Catarina. “Então, a sequência lógica é que chegue também ao Rio Grande do Sul”, observa.
A chefe do Serviço de Vigilância Epidemiológica de Erechim ressalta que em função do caso de febre amarela em Santa Catarina, muito provavelmente, o estado também vai ter casos. “Há risco da doença ocorrer na nossa região, a partir de setembro”, afirma.
O que está sendo feito
A chefe do Serviço de Vigilância Epidemiológica ressalta que é muito importante os moradores da área rural se dirigirem as unidades básicas de saúde e levar a carteirinha de vacinação de todas as pessoas da família. “Quem não tem a vacina já vai fazer, se não houver contraindicação”, observa. Ela acredita que a cobertura vacinal da população de Erechim esteja acima de 60%. Segundo o IBGE, acrescenta, Erechim tem mais de 5.700 pessoas morando na área rural.
Vacinas
De acordo com Luciana, até o momento tem vacinas para atender a toda área rural de Erechim. “Não tem como disponibilizar vacinas para toda a população da área urbana, que não é o foco agora”, observa.
Urbana
A chefe da Vigilância Epidemiológica enfatiza que as pessoas que vivem na área urbana não devem se preocupar tanto, porque a febre amarela urbana não é registrada desde 1940. “Então não há risco maior. O caso de Santa Catarina foi de uma pessoa de Joinville que havia ido pescar na área rural, é ali que está o maior risco às pessoas”, diz.
11ª Coordenadoria Regional de Saúde
Segundo a coordenadora regional de Imunizações, Florisa Grzybowski, da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), o censo vacinal está sendo feito em todo o estado nas áreas rurais. Dentro da área de abrangência da 11ª coordenadoria, os 33 municípios da região estão desenvolvendo diferentes estratégias para cumprir essa tarefa.
“Temos que fazer 100% da área rural, o que será difícil porque o período é curto, mas estamos trabalhando junto com os municípios”, observa. Os dados de como está a realidade na região devem ser divulgados a partir do dia 26 desse mês.
Florisa enfatiza que esse não é um momento de vacinação em massa porque não há o vírus da febre amarela no Rio Grande do Sul, e nem casos registrados, mas o estado está se preparando para uma futura sazonalidade e para saber como está a cobertura vacinal. “O maior risco está na área rural, porque o hospedeiro é o macaco e o vírus é transmitido pelo mosquito infectado. O ser humano entra na mata e se for picado por um mosquito infectado pode desenvolver a doença”, diz.
Sintomas
Conforme Florisa, entre os sintomas da febre amarela estão febre alta, calafrios, dor no corpo e nas costas, náusea, vômitos, icterícia e pele amarelada. “A partir daí, se a pessoa não procurar atendimento médico ela pode desenvolver as formas mais graves”, diz.
Macacos doentes
Ela explica que se alguém observar macacos mortos ou doentes - esse é o primeiro indício da doença, é importante que leve essa informação a unidade básica de saúde do município ou a Coordenadoria Regional de Saúde para que os órgãos públicos tomem as devidas providências.
A coordenadora afirma que a única forma de prevenção é a vacina, e se a pessoa não estiver vacinada a doença pode levar a morte em uma semana.