Um clássico recheado de emoção, futebol e muitas lembranças. O duelo entre o Atlântico e Ypiranga marcou a história da Capital da Amizade entre os anos de 1937 e 1977, e ganhou um novo capítulo por meio de uma obra escrita pelos jornalistas José Adelar Ody e Marcos Aurélio Castro.
O livro “Atlanga: 40 anos de emoções” foi lançado oficialmente na sexta-feira (28) no Salão Nobre da Prefeitura Municipal, e reuniu autoridades municipais, ex-jogadores e os atuais presidentes dos clubes. A obra teve início no fim da década de 90, quando os dois jornalistas realizaram um especial sobre o clássico em um jornal impresso. “Depois dessa reportagem, teve um dia que pensei em transformar em livro. Quando fomos rever o material, descobrimos que algumas coisas ficaram fora das matérias que foram publicadas na época e, que poderíamos ampliar a pesquisa”, destaca Ody.
Para o jornalista Marcos Aurélio todos os clássicos são inesquecíveis, isso porque eles relatam momentos diferentes a cada vez que a bola rola. “O livro relata com números exatos tudo o que aconteceu em cada partida. Onde que o jogo ocorreu, os resultados e o local de cada partida”.
Foram quase três anos de pesquisas e entrevistas com ex-jogadores. Entre os nomes estão do ponta-esquerda, Reinaldo Gressana, mais conhecido como Nini. A chegada do jogador foi em uma época em que o Ypiranga estava renascendo em Erechim. O Canarinho reuniu alguns veteranos e juntaram os várzeanos para remontar o time e recomeçar. “Faço parte do time dos várzeanos, jogava no Brasil das Três Vendas e me convocaram para jogar no Ypiranga. Fiquei cinco anos no Canarinho, joguei tantos clássicos e perdi quase todos”.
As memórias também fazem parte da vida do atacante do Atlântico, Milton Ariolli. “Foi uma satisfação muito grande. Nos quatro anos que defendi a camisa do clube, joguei em quatro Atlangas. Venci um, perdi um e empatei dois. Foi uma satisfação muito grande”. Indagado sobre o lançamento do livro e a importância do clássico para a história do futebol erechinense, Milton destacou é importante fazer esse resgate histórico. “Sei que foi um trabalho muito difícil e pude ajudar com algumas informações”, acrescentou. Ariolli balançou as redes nos dois clássicos que terminaram empatados em 1 a 1. “Marcava muitos gols, não era um jogador bom, mas sabia marcar (risos). Foi uma alegria muito grande poder fazer parte desta história”.
A história do clássico se interliga com a trajetória da Capital da Amizade. “É um livro de memória que envolve a história que deve ser preservada, e aqueles que fizeram parte dela, mesmo não estando aqui, merecem ser lembrados. E aqueles que estão aqui, homenageados”, destaca Jaci de Lazzari, patrocinador da obra e presidente do Instituto que leva o seu nome.
Com uma história centenária, o presidente do Clube Esportivo e Recreativo Atlântico, Julio Brondani, destacou a valorização e a iniciativa dos autores em lançarem um livro relembrando os clássicos que foram realizados. “Costuma-se lembrar nesses momentos de que, um povo que não cuida, guarda e não registra o seu passado, não merece ter futuro. Espero que a partir de hoje, se tenha o hábito de se registrar para a história esses eventos, de pessoas que deram suas vidas e que construíram o Erechim de hoje”.
O presidente do Ypiranga, Adilson Stankiewicz, relembrou a rivalidade que existiu entre as duas equipes e também como ambas, projetam o nome de Erechim. “No aspecto esportivo, foram duas entidades que projetaram e projetam a cidade. Essa rivalidade fortaleceu os dois clubes. E se hoje são grandes é devido a essa rivalidade”.
Durante o evento, também foi anunciado de que todas as bibliotecas das escolas da rede pública municipal de ensino e Biblioteca Gladstone Osório Mársico receberão um exemplar do livro.