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Esportes

Esporte: uma revolução silenciosa

Iniciativa faz da atividade física uma maneira de educar e transmitir valores, buscando formar pessoas conscientes e responsáveis que tem como referência de conduta o respeito, amizade e excelência

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Equipe GEPEF/Estudos Olímpicos é formada por alunos, acadêmicos e professores
Já foi apresentada uma proposta na prefeitura de Erechim para levar esse projeto para todas as escol
Programa de Educação Olímpica é norteado por valores que são vivenciados por meio das atividades
"É necessário pensar, sentir, agir e viver sobre o que se fala, o que se prega”, afirma Nino
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O esporte pode ser entendido de muitas formas, uma delas é como uma ferramenta, principalmente, transmitir valores e pela prática esportiva formar pessoas responsáveis e conscientes, que busquem respeito, amizade e excelência no que fazem. Essa é a proposta de uma iniciativa que está sendo realizada em Erechim com alunos da Escola de Educação Básica da URI e acadêmicos do curso de Educação Física da URI.     

Para explicar um pouco mais desse projeto é preciso voltar alguns anos e contar um pouco a trajetória de um incentivador do esporte local, o professor do curso de Educação Física da URI Erechim, José Luis "Nino" Dalla Costa, que coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física/Estudos Olímpicos/Programa de Educação Olímpica da URI Erechim.

Sua vida sempre foi ligada ao esporte, principalmente, ao voleibol, como jogador durante muito tempo em campeonatos municipais e estaduais. Nesse período inicial, Nino lembra a importância do professor Menotes Costa Conceição do Colégio JB, um grande incentivador do voleibol e a escolinha da professora Silvana Parenti.

Isso o levou a fazer o curso de Educação Física com o objetivo de ser técnico. Em 1988, o professor Gleison Henke o convida para iniciar a escolinha de voleibol no Clube Esportivo e Recreativo Atlântico. Durante 12 anos, de 1988 a 2000, esteve à frente da formação de atletas no voleibol e, posteriormente, também na iniciação ao tênis.    

“Num determinado ano tivemos o melhor trabalho de iniciação ao minivoleibol do estado, por meio dos resultados, fomos campeão estadual no masculino e vice-campeão no feminino. Depois na categoria mirim masculino fomos campeões da Copa Rio Grande do Sul e campeão estadual, disputando com referências no voleibol do estado ainda hoje”, lembra.

Reflexão

Nino ressalta durante todo esse período de trabalho com o voleibol e o tênis sempre esteve muito presente o aspecto educacional do esporte, e isso o fez pensar na questão dos valores na atividade física.

URI

Nos anos 2000 começa dar aulas na escola de educação básica da URI, a convite do professor Ernesto Grégio, então diretor, e além das aulas de Educação Física insere alguns projetos inovadores para a época, como aulas de minitênis, minivoleibol, acantonamento, que continuam até hoje com o professor de Educação Física da Escola de Educação Básica da URI Erechim, Edenir "Chita" Serafini, que coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física/Estudos Olímpicos/Programa de Educação Olímpica da URI Erechim.

Conforme Nino, dentro da URI foram se formando cada vez mais atividades extracurriculares, e em 2004, com o curso de Educação Física e projetos de extensão e iniciação científica, “conseguimos desenvolver um programa de extensão”.

“Uma participação muito importante na época foi da nossa acadêmica, hoje professora, Marília Petzen Ongarato Badalotti, que era bolsista de iniciação científica e começamos a desenvolver o Programa de Educação Olímpica. Conseguimos associar todo esse processo educacional por meio do esporte, não somente no voleibol e no tênis, mas em todas as atividades que envolvem as aulas de Educação Física, atividades extracurriculares e também em sala de aula”, comenta.

Assim, afirma Nino, por meio da educação olímpica se está trabalhando os valores olímpicos, que são: respeito, amizade e excelência.     

Grupo de estudos    

O projeto foi tomando cada vez mais forma e tendo mais visibilidade para área da educação física. Segundo Nino, a partir daí, “conseguimos montar o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física/Estudos Olímpicos (GEPEF/EO), e o professor Chita tem uma grande parcela de responsabilidade, porque foi uma iniciativa também dele, criar um grupo de estudos ligado ao curso de Educação Física, inserindo acadêmicos do curso e mais recentemente alunos da Escola de Educação Básica”, afirma. 

O Programa de Educação Olímpica da URI Erechim e o GEPEF/EO envolvem 15 pessoas, professores e acadêmicos do curso de Educação Física e professores e estudantes da Escola de Educação Básica da URI Erechim.

“São alunos da educação básica de 13, 14 anos participando com acadêmicos de Educação Física com 18, 19, 20 anos, e todos estão inseridos nas diversas ações do grupo”, explica. Nino acredita que esse formato de grupo de pesquisa seja algo inédito. 

Consciência social

Conforme Nino, o objetivo principal do grupo é ampliar o leque de conhecimentos na área da educação olímpica, por meio de estudos, leitura, pesquisas e atividades de extensão participando de ações na comunidade. “Por exemplo, temos a Universidade Sem Limites, projeto que envolve a Terceira Idade com em torno de 50 pessoas que participam ativamente do grupo. Fizemos o 1º Festival Olímpico de Bingo, visitas ao Lar da Criança, Cantinho da Luz, são várias ações sociais com o objetivo de despertar na juventude uma consciência social”, observa.

Vivenciar os valores

O professor Chita explica que o Programa de Educação Olímpica é norteado por valores, que são vivenciados por meio das atividades, ações sociais que demonstram o respeito e a importância de ajudar o outro.

“Em 2018, por exemplo, os alunos da escola do oitavo e nono ano do ensino fundamental dois apresentaram um trabalho num congresso internacional voltado para acadêmicos. Esse desafio e experiência torna eles muito mais preparados para um mercado ali na frente”, salienta.

No entanto, Chita enfatiza que tudo é norteado por valores e nisso se difere do esporte competitivo. “É importante fazer o melhor, mas respeitando as regras, o adversário e proporcionando um ambiente amigável”, diz.

Chita destaca que o trabalho é contextualizado em várias situações do cotidiano com exemplos. “A gente tem exemplos práticos quando os alunos vão jogar uma partida de futebol, e aí o cara que não tem tanta habilidade, facilidade em jogar ele é aceito no grupo. Quando acontece uma falta não necessariamente o árbitro tenha que apitar, mas os próprios alunos para o jogo”, comenta.

O principal cuidado é com a formação de valores em alunos e professores. “Nosso objetivo é fazer com que as pessoas levem a atividade física, o esporte ao longo da vida, não só para socialização, mas também para qualidade de vida e a saúde em geral”, diz Chita.

A única do Brasil

Segundo Chita, essa semente plantada lá atrás por meio dessas ações inovadoras iniciadas em 2000, o Programa de Educação Olímpica, em 2010 veio o reconhecimento internacional, e a distinção, sendo a primeira escola brasileira Pierre de Coubertin, a única do Brasil, sendo somente três na América Latina.

Continuidade  

Nino explica que o projeto olímpico está formando pessoas para disseminar e dar sequência ao trabalho, fazendo com que novas lideranças possam seguir em frente com essas ideias, trazendo propostas novas, conceitos, aperfeiçoando o processo.

“Estamos preparando os nossos futuros profissionais de Educação Física para que tenham essa consciência e conhecimento que o esporte atrelado a educação olímpica pode contribuir cada vez mais com a nossa sociedade”, observa.

No entanto, ele ressalta como fundamental o apoio da escola de educação básica e da universidade como um todo, que são parte integrante dos resultados. “Nosso Programa de Educação Olímpica está institucionalizado na universidade, mas para isso passou por uma série de trâmites para ser aprovado e estar acontecendo na URI Erechim”, observa.

Resultados

Segundo Nino, o principal resultado do projeto é o crescimento dos participantes como pessoa, no sentido de valorizar o ser humano e colocar em prática os valores olímpicos: respeito, amizade e excelência. “Fazer o seu melhor, ter cuidado consigo mesmo, com seu material escolar, respeitar os professores, a família e os colegas”, diz.

Município

Segundo Nino, hoje há um projeto de iniciação científica com a escola municipal EMEF Cristo Rei na Vila Olímpica da URI, que contempla em torno de 50 crianças e se desenvolve o atletismo e a educação olímpica.

“Continua tramitando na prefeitura de Erechim a ideia de um projeto maior, que envolva todas as escolas da rede municipal visando a modalidade de atletismo, educação olímpica e ambiental”, comenta.

Esse projeto realmente pode se tornar maior, mas depende de questões técnicas, que diz respeito ao poder público. “Há um movimento para levar essa experiência para outras instituições e outros professores. Estamos sempre à disposição para quem quiser conhecer o projeto”, observa.

Nino ressalta que o esporte associado aos valores olímpicos de respeito, amizade e excelência é uma excelente ferramenta educacional, que contribui para o desenvolvimento de crianças e jovens de forma integral.

“Não basta falar sobre solidariedade, fraternidade, sobre os valores olímpicos, respeito, amizade e excelência, é necessário pensar, sentir, agir e viver sobre o que se fala, o que se prega”, afirma Nino.

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