Mobilização reuniu lideranças políticas, sindicais, sociais, populares e estudantis contrárias ao pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff
Com bandeiras de diversos movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos, ao som de cantores da Música Popular Brasileira e Sertanejo, aproximadamente 1,5 mil pessoas se concentraram na Praça Jaime Lago, na noite de quinta-feira (31), em protesto contra o pedido de impeachment da atual presidente da República. A mobilização nacional, organizada pela Frente Brasil Popular, também defendeu a manutenção da democracia e alertou para um suposto golpe político que pode destituir Dilma Rousseff da chefia do poder Executivo brasileiro.
O movimento não interferiu no trânsito e foi conduzido por diversas lideranças que incentivaram o acesso ao palco e ao microfone. Manifestações culturais também integraram o evento.
O vereador Jorge Psidonik (PT), de Erechim, citou o nome do vice-presidente Michel Temer para fazer analogia ao momento político vivido no país. "Temer ou não temer (Michel) Temer?" e cantou, "Não vai ter golpe. Vai ter luta".
Agricultores e índios
Além de políticos, sindicalistas e estudantes, o protesto uniu indígenas e agricultores. Um dos integrantes do movimento Frente Brasil Popular, o agricultor Douglas Cenci, que também é coordenador da Juventude da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT), afirmou que, "os dois grupos estão aqui unidos, independente das divergências, pois a manutenção do atual governo é de interesse de ambos".
O vereador de Benjamin Constant do Sul, Elizeu Garcia (PT), que também é cacique da tribo Kaingang, participou do protesto, junto com outros 150 indígenas do município. Garcia disse que o objetivo é defender o governo, que segundo ele, foi o único que oportunizou uma melhora na qualidade de vida dos grupos mais marginalizados socialmente - índios, negros e pobres.
"Nossos antepassados sofreram muito para trazer o alimento para a família. Apenas o governo do PT deu oportunidade para que o indígena, o negro e o pobre tivessem acesso à universidade, ao mercado de trabalho e a uma moradia. Nunca, na história do Brasil, a minha tribo teve oportunidade de ter emprego. Hoje, mais de 70% dos jovens da comunidade estão trabalhando", explicou.
Manutenção da Constituição
O movimento também reuniu profissionais da área do Direito, que militaram em defesa da Constituição Brasileira. O advogado Éverton De Ré, considera que o processo de impeachment, que revoga a vontade de mais de 54 milhões de brasileiros, tem de ser realizado por um crime efetivamente comprovado de responsabilidade fiscal. De Ré ressalta que, "da maneira como está sendo levado o processo, cheira muito a golpismo. Uma vez que, um dia após o Conselho de Ética aprovar uma denuncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), ele colocou em votação um pedido de impeachment contra a presidente Dilma".
O advogado ainda salientou que o protesto realizado em Erechim foi pelo respeito dos direitos e garantias fundamentais de qualquer pessoa e processo judicial. "O que está em jogo é o respeito à Constituição e não retirar uma presidente por ela ser do agrado ou desagrado das pessoas", pontuou.
Participação estudantil
O ato contou com a participação de movimentos estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e União da Juventude Socialista (UJS). A universitária de Ciências Sociais, Silvia Maria Poletti, que é militante do Levante Popular da Juventude, foi ao protesto em defesa do estado democrático que, ao ver dela, é de extrema importância zelar.
"A nossa democracia é algo muito recente e é fundamental lutar por ela, para que possa se manter viva a liberdade de expressão. Estão aqui, não só movimentos partidários, pois essa luta é contra o retrocesso conservador e moral que está em curso hoje no Congresso Nacional", concluiu.
Presenças
O ato do dia 31 de março remete a mesma data do ano de 1964, que marca o início do Regime Militar, através de um golpe, no Brasil. O dia foi marcado por protestos em diversos locais do país, que foram definidos como 'Golpe Nunca Mais'.
O movimento contou com a presença dos deputados estaduais Altemir Tortelli e Edgar Preto, prefeito de Barão de Cotegipe, Fernando Balbinot, o presidente do poder Legislativo de Erechim, Lucas Farina, vereador Anacleto Zanella, ex-deputado Ivar Pavan, além de outros integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Sem Terra (MST), entre outros.