Com um violão usado deixado em penhora e sem muita pretensão, nascia há mais de meio século um dos conjuntos musicais mais antigos em atividade de Erechim: o Musical Ipanema. Passados 52 anos, o grupo se reúne no dia 17 de novembro para celebrar sua história em um jantar com apresentação musical a ser realizado no Piscina Clube. Os ingressos serão comercializados pelos próprios integrantes, pelos telefones (54) 2106-1397 e (54)99197-9434. Na ocasião, passado e presente do grupo se encontrarão em um momento de confraternização e amizade entre atuais e ex-integrantes da banda, que iniciou sua trajetória de uma maneira um tanto inusitada.
Os músicos Santa Maria e Jaime Simone relembram a trajetória do conjunto, destacando que tudo começou em uma casa na Rua Pernambuco, esquina com a Duque de Caxias, em Erechim, onde moravam os Taglietti. “Nesta casa, funcionava a sapataria do Claudir e um pequeno armazém de secos e molhados, lógico, incluindo bebidas, mercado este do senhor Ricieri Taglietti. Um freguês da casa, a troco de bebidas, penhorou um violão meio usado e nunca mais retirou. De posse do violão e tendo os Taglietti a veia musical, foi um passo para a formação do musical Ipanema”, relembra.
A primeira formação do musical era composta por Normides Taglietti no sax, João Davi na bateria, José Carlos Viteck na guitarra solo e Lauri Peroti na guitarra base. Santa Maria, foi o segundo baterista do Ipanema, que teve seu primeiro baile realizado na Associação AABB em maio de 1966, ano em que o grupo também tocou na primeira edição da Frinape. “Nas inúmeras formações que o conjunto Ipanema manteve nestes 52 anos de atividade, a maioria dos músicos que o integraram, tinham sua origem na cidade ou região. O Ipanema tocou em quase todos os eventos que aconteceram em Erechim e região: festas, festivais, casamentos, bailes tradicionais (debutantes e fins de ano), carnavais, as inesquecíveis reuniões dançantes nos colégios Industrial e Agrícola”, recordam, ao destacar ainda a participação do Musical Ipanema nos programas de auditório da Rádio Difusão e da Rádio Erechim, com acompanhamento ao vivo dos calouros. “O Ipanema participou também do programa Cidade Contra Cidade, na antiga TV Piratini, pelo final da década de 1960”, pontua Santa Maria.
Momentos importantes
Conforme os músicos, muitas coisas marcaram a vida do Ipanema. Entre elas, um acontecimento que eles consideram trágico, quando foi comprada a sua primeira aparelhagem completa para o conjunto em São Paulo. “Foi comprado um aparelho de voz com duas colunas, um aparelho para contrabaixo e dois aparelhos para guitarra, todos da marca Phelpa. Mais dois microfones da marca Aiwa. Por falta de conhecimento e também pouco dinheiro, foi feito um seguro dos aparelhos num valor relativamente baixo. O caminhão da transportadora que trazia os aparelhos, quando passava pela Balsa do Porto Brum, no Rio Uruguai, afundou e perdemos toda aparelhagem. Resultado: tivemos que comprar outro equipamento” pontua Santa Maria.
Por outro lado, eles destacam a influência musical do Ipanema nos bailes de carnaval nos clubes de Erechim entre os anos de 1968 e 1980. “O Ipanema conseguiu fazer uma tradição carnavalesca até hoje não esquecida por muitos foliões da época”, reforçam. No ano de 1975, uma grande mudança ocorreu no musical, passando de um conjunto caseiro que tocava quase sempre em Erechim e nossa região para um conjunto mais profissional, se apresentando então nos três estados do Sul do Brasil. Nesta época o conjunto Ipanema teve a direção de Clóvis Stanisçuaski, o Tatu. Em 1989, profissionalmente, a Banda Ipanema, como era conhecida na época, parou, mas não a vontade de seus músicos em continuar mantendo a tradição do conjunto. A banda Ipanema transformou-se no Pequeno Ipanema.
Segundo Santa Maria, nas suas primeiras apresentações, o Pequeno Ipanema era composto por Algenir Flores (Neinho), contrabaixo e vocal; Jaime Simone na guitarra e voz, e na bateria, Santa Maria. Também houve outras mudanças nas formações do Pequeno Ipanema, que chegou a ter Jaime Simone e Santa Maria, como também Jaime Simone, Santa Maria e Gabriel Skrabe.
Atualmente a formação é entre Jaime, Wilson Taglietti no baixo e Santa Maria. “A prova da existência do Pequeno Ipanema está registrada nas suas últimas apresentações, no Desfile dos 100 anos de Erechim e aniversário de uma amiga do conjunto. A alegria, a amizade e o amor pela música sempre marcaram a Banda Ipanema, nestes 52 anos de existência, talvez uma centena de músicos tenham passado pelos palcos levando a alegria para muita gente. Tudo ainda se conserva ainda com o Pequeno Ipanema, muitos dos nossos amigos e músicos partiram antes do combinado mas, de algum lugar ou modo, nos ouvem e nos dão forças para que o nome, o som e a vontade de ser feliz e Ipanema, não acabem. Enquanto o Ipanema, o Pequeno Ipanema, tiver um, dois ou três componentes, a nossa parte fizemos para que a música não pare”, finaliza Santa Maria.
*Com informações da crônica “A música, o Ipanema e a Capital da Amizade”, de Santa Maria