Antigo empecilho na vida dos motoristas que utilizam a estrada, o trecho que liga Erechim a Passo Fundo, é o único que ainda está sem pavimentação asfáltica
Rafaele da Rosa é caminhoneiro há 15 anos e atualmente transporta bobinas de aço. Como a carreta que dirige só possui licença para transitar em rodovias federais precisa passar pela Transbrasiliana nesse trecho para descarregar sua mercadoria em Erechim e lamenta as condições da estrada: “Não tem segurança nenhuma para a gente, não tem sinalização. É praticamente abandonada, se estraga o caminhão aqui não tem a quem socorrer”.
O motorista Silvino Pieroz passa na BR 153 há 10 anos, transportando materiais de construção nos municípios da região. Dependendo da demanda, Pieroz chega a passar até duas vezes semanais na rodovia. “Se tivesse asfalto ia facilitar muito a nossa vida, pois com a estrada de chão, os buracos e a falta de sinalização é preciso dirigir mais devagar, com mais cautela”, frisa.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (STTR) do Alto Uruguai, Gerson Luis Klosinski, conta que os problemas persistem há vários anos e afetam motoristas e produtores rurais que perdem com o escoamento da produção.
“O trecho causa muitos prejuízos para os caminhoneiros, como pneus e a suspensão que não aguentam devido ao excesso de buracos. Além da poeira da estrada, que gera perigo de acidentes. É um trecho de 68 quilômetros que poderia desafogar o trânsito de veículos da ERS 135, mas praticamente está abandonado”, pontua.
Problema para municípios da Amau
O presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau) e prefeito de Campinas do Sul, Milton Cantele, salienta que a inexistência do asfalto no trecho Erechim – Passo Fundo da BR 153 é um dos graves problemas de infraestrutura que afeta diretamente o desenvolvimento econômico, social e cultural dos municípios da região.
“Sabemos que a riqueza produzida pelos nossos municípios são transportadas em sua maioria absoluta por via terrestre, e assim, com a ausência do asfalto nesse trecho, muitos investimentos econômicos que poderiam ocorrer em nossos municípios deixam de acontecer dado o maior custo no transporte de mercadoria e produtos”, pontua o presidente.
Além de afetar o desenvolvimento dos municípios, Cantele explica que a ausência do asfalto gera maiores despesas as cidades. “Para os municípios a ausência do asfalto gera uma conta pesada, pois, o transporte da saúde, e dos alunos encarece e muitas vezes põem em risco a vida dos passageiros e do motorista. Também, a falta de pavimentação asfáltica desestimula o comércio, a indústria e a prestação de serviços, uma vez que, que a chegada e saída de mercadorias sofre além de o frete mais caro, a perda do escoamento da produção, bem como o atraso na chegada e saída de mercadorias. Essa situação pede urgência na sua solução”, finaliza o prefeito.
Um caminho para o desenvolvimento regional
O prefeito de Erechim, Paulo Polis, destaca que a rodovia federal (construída na década de 50) é mais um caminho para o desenvolvimento regional, sendo a principal rota de escoamento da produção industrial e do agronegócio do Norte do RS, e, também, via estratégica entre os países do Mercosul e o centro do Brasil.
DNIT
Através da assessoria de imprensa, o DNIT informou que já concluiu o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da obra de pavimentação da BR-153/RS. Disse ainda que, no momento, o edital de licitação do Projeto Executivo está em fase de elaboração. O valor da obra só será estimado depois de cumprida essa etapa.
A BR 153
Conhecida como Transbrasiliana, a BR-153, que tem extensão total de 4.355 quilômetros, é a principal ligação entre os estados brasileiros, a quarta maior rodovia do Brasil, que liga a cidade de Aceguá ao Sul, divisa com o Uruguai, ao município de Marabá, no Pará.
A BR-153 é considerada atualmente como uma das principais rodovias de integração nacional do Brasil. Algumas capitais brasileiras, assim como Goiânia, Brasília e Palmas, a utilizam como o principal corredor de escoamento. É também muito utilizada para acender a regiões turísticas, tais como a estância de Caldas Novas/Rio Quente - GO, o rio Araguaia e a Chapada dos Veadeiros, além de outras capitais do país, como Belém, Macapá (via balsa), São Luís, Teresina e São Paulo.