Rafaela Gromann e Jorge Popelnitski Junior morreram em acidente de carro no quilômetro 46 da Freeway
A quarta-feira (2) foi marcada pela emoção nas capelas A e B do Hospital de Caridade de Erechim, onde foram velados os dois jovens que morreram em acidente que ocorreu na terça (1°), em Glorinha, na região Metropolitana de Porto Alegre. A estudante Rafaela Gromann, de 15 anos foi sepultada em Paulo Bento, e o cinegrafista, Jorge Popelnitski Júnior 27 anos, será enterrado hoje (3), às 9h30, em Erechim.
O acidente aconteceu no quilômetro 46 da Freeway, em Glorinha. Jorge dirigia o veículo, que teria derrapado, capotado e em seguida caído em um córrego, de acordo com a Polícia Rodoviária de Erechim (PRF). Além de Rafaela e Jorge os outros dois jovens que morreram, Érica Asquidamini, de 16 anos (residente em Nonoai) e João Pedro Fávero, de 14 anos (residente em Nova Bassano), participavam do filme "A imortalidade", com parte das gravações realizadas ao longo de 2015, no Hospital Velho de Nonoai, que estava desativado.
Sonho interrompido
Rafaela estava cursando o terceiro ano do ensino fundamental da Escola Haidée Tedesco Reali. A madrinha de batismo e amiga, a cabeleireira Silvava Simonetto, diz que a menina tinha o sonho de ser atriz e, desde os sete anos, fazia aulas de teatro na Escola Belas Artes. Em 2014, conquistou diversas etapas de uma seleção no RS e agora estava retornando do Rio de Janeiro, onde fez o último teste na sexta-feira (27). Um sonho que estava se realizando.
"Apesar de sempre dedicada aos estudos, e passar sem exames, nunca deixou o sonho de lado. Era muito alegre, sorridente, simpática e tinha uma beleza natural. Era parceira nas horas boas e nem tão boas. Uma menina diferente, nunca trouxe incômodo, não teve namorado e nem gostava de baladas".
Para Silvana, a vida sem a afilhada não vai ser fácil, já que eram companheiras de caminhadas e passeios nos fins de semana.
O padrinho de Rafaela, Pedro Lorenzi, prefeito de Paulo Bento, diz que apesar de a situação estar dramática nas estradas do país, o choque foi grande para todos os familiares. "Uma menina que tinha um futuro brilhante, passou em vários testes para a profissão de atriz e modelo e logo viria a consagração. A menina tinha muito potencial, mas infelizmente aconteceu, só temos a lamentar e torcer para que outras famílias não passem pela mesma situação", afirmou.
A professora Michele Couto, acrescentou que foi um dia de luto na escola. "No momento que eu soube da notícia, me faltou o chão, eu pensei primeiro na mãe da Rafaela, porque mãe nenhuma merece sentir esta dor." A professora de artes, Rita de Cássia, falou que a Rafaela era meiga, decidida e tinha uma personalidade bem formada, sabia o que queria, tanto que estava indo atrás do sonho. A colega de Rafaela, Gabrieli Bischoff, de 15 anos, diz que ela alegrava a sala e conseguia fazer os demais se sentirem bem, mesmo ela não estando tão bem assim.
Um jovem apaixonado pelo trabalho
"Simpático, sempre alegre, apaixonado pelo que fazia". O pai conta que Jorge Popelnitski Junior, depois que entrou na carreira de filmagem e fotografia, decidiu se dedicar de corpo e alma ao trabalho. "Ele fez o roteiro e estava gravando o curta a Imortalidade e tinha ainda dois projetos, um deles era fazer uma minissérie de quatro capítulos na região serrana em Bento Gonçalves, que ia começar em fevereiro. E depois disso, o maior projeto, era um longa-metragem sobre as etnias que participaram da colonização de Erechim.
O filme estava sendo gravado em diversas locações de Nonoai, inclusive em uma escola. O pai de Jorge vai tentar recuperar as filmagens que estão no computador para dar prosseguimento ao sonho do cinegrafista.
A viagem para o Rio de Janeiro era para buscar subsídios técnicos e financeiros para as produções.
De acordo com Daniela Carine Teres, agente de publicidade, Jorge era uma pessoa muito boa de trabalhar. Bastante criativo ao trabalhar com imagens. "Ele vai fazer muita falta, eu já trabalhava com ele há três anos, além de ótimo colega de trabalho, ele era muito amigo" concluiu.
Já para o empresário Márcio de Sá, da produtora Vídeo e Verso, Jorge trabalhava como cinegrafista e editor há dois anos e tinha pelo menos seis anos de experiência no ramo. "Ele estava correndo atrás do sonho de fazer cinema e infelizmente não pode realizar".