A Rua Uruguai em Erechim conta com um canteiro diferenciado. É que o local foi adotado pela aposentada, Leli Kuchta, de 80 anos, que cultiva flores com muito carinho e cuidado. Além de embelezar a via no centro da Capital da Amizade, a atividade é tratada por ela como terapia alternativa.
“Mexer com a terra, plantar e cuidar das plantas faz um bem imenso para a saúde”, contou a aposentada, que lutou contra um câncer e hoje atribui 80% da sua recuperação, graças ao trabalho voluntário que realiza no canteiro central, bem como no canteiro em frente ao prédio que reside.
Como sempre gostou da lida com a terra, Leli relatou que o espaço em seu apartamento era pequeno comparado ao tamanho de sua vontade em cultivar plantas. Foi aí que a aposentada decidiu fazer a diferença e colocar as mãos na terra, deixando a Rua Uruguai mais bela e colorida.
“Esse amor pela terra vem de raiz. Meus pais eram agricultores e herdei essa paixão pelas plantas. Quando percebi o canteiro praticamente sem plantas resolvi mudar esse cenário. Comecei pelo adubo e por pequenas plantinhas e hoje temos um canteiro lindo e florido. Isso com certeza traz mais vida para a nossa cidade. Esse serviço é realizado para toda a população que tem o dever de cuidar. Afinal, o canteiro é de todos e o nosso papel como cidadãos é cuidar da nossa cidade”, disse a aposentada.
Regulamentação municipal
O projeto de adoção de espaços públicos teve início ainda em 2004, na gestão do ex-prefeito, Elói Zanella e está fundamentado na Lei 3.755. Através do Programa de Embelezamento dos Espaços Públicos, as pessoas físicas ou jurídicas podem fazer um protocolo solicitando o referido espaço público para adoção. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente entra em contato, confecciona o projeto, e o requerente deve arcar com os custos de execução e com a manutenção periódica. A adoção será formalizada através de Termo de Adoção Administrativa a ser celebrado com o município.
Layout padronizado
Após a reforma paisagística das avenidas Sete de Setembro e Maurício Cardoso, a vegetação dos canteiros foi padronizada, devendo os interessados em adotar um canteiro seguirem o padrão definido pela pasta resposável do Executivo municipal.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, houve épocas em que foram adotados até 60 espaços públicos entre canteiros e áreas verdes, porém, o funcionamento correto do acordado não acontecia. “Muitos não forneciam manutenção, tendo que a Secretaria de Meio Ambiente arcar com cortes de grama e fornecimento de vegetação. Outros casos, como de áreas verdes, os requerentes acabavam por fazer cultivo de lavoura e até faziam o cercamento da área que impedia outros contribuintes de utilizar o espaço”, disse a prefeitura em nota.
Hoje, segundo a assessoria do poder Executivo, restaram alguns locais que ainda mantêm esses espaços: Livraria JR (canteiro central da Rua Nelson Ehlers), e Escritório Rural, na luminária-pétala entre as ruas Itália, Nelson Ehlers e Maurício Cardoso.
Cercamento não é permitido
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Cláudio Silveira, a atividade é nobre e vista com bons olhos, já que as pessoas exercem a cidadania quando cuidam da cidade. “Vale destacar que essa adoção tem um limite. É permitido adotar o canteiro, plantar, realizar a manutenção, porém não é legal perante a lei que as pessoas tomem o espaço para si. Por isso que o cercamento não é permitido. Os locais são públicos e devem permanecer dessa forma. Quem quiser adotar um canteiro deve estar ciente das responsabilidades de manutenção e ter a consciência de que o local é publico e pertence a toda população de Erechim”, declarou o titular da pasta.
Em campo, a reportagem encontrou dois locais na Avenida Tiradentes que foram adotados, porém esses jardins apesar de muito bem cuidados, estão cercados, restringindo o acesso à população. De acordo com a lei “a adoção não gera qualquer direito de exploração comercial da área, tampouco implica alienação de bem público para o adotante, não alterando a natureza de uso e gozo universal deste”. O cumprimento irregular do Termo de Adoção pode resultar em penalidades administrativas, civis ou penais.
*Colaborou Ragnara Zago