A questão ambiental tem sido cada vez mais abordada na sociedade contemporânea. Tanto que as práticas sustentáveis são essenciais para reverter os prejuízos causados à natureza. Um exemplo a ser seguido é o da família de Jandir e Marli Chiaparini, que plantam seus próprios alimentos, não usam agrotóxicos e mostram que ser sustentável não é tão difícil quanto falam por aí.
Tudo começou há seis meses, quando o casal idealizou a horta sustentável. Jandir e Marli transformaram seu quintal em uma fazenda urbana no Bairro São Caetano, em Erechim.
O espaço, de aproximadamente três mil metros quadrados, abriga hoje uma horta sustentável, onde são produzidas alface, radicci, couve, repolho, beterraba, cenoura, chicória, salsa, cebolinha, manjericão, manjerona, alecrim, osmarim, poejo, hortelã, entre outras plantas, além de árvores frutíferas, como a laranjeira. Parte dos canteiros estão abrigados em uma semiestufa e parte estão ao ar livre, de acordo com o tipo da planta.
“A nossa horta é um local de aproveitamento de espaço. Acredito que outras pessoas também tenham locais assim em seus terrenos e poderiam aproveitar para plantar umas hortaliças, uns temperos. Não existe nada melhor do que colher uma alface, um chá, direto do seu quintal. Além disso, tem o sabor das plantas. Não tem comparação. Com adubos orgânicos, sem o uso de agrotóxicos, temos uma horta saudável e sustentável”, disse Chiaparini.
Adubagem orgânica
Toda a produção de adubo utilizada no local é realizada na propriedade. “Utilizamos adubo de origem animal, feito com dejetos e esterco e de origem vegetal, com o terriço, que é a famosa ‘terra do mato’, onde se utiliza terra virgem, composta com a decomposição de galhos, ramos e folhas, e tudo que se acumula na superfície do solo. Ainda, fazemos a compostagem, com restos de alimentos, cascas e folhas. Tudo é reaproveitado. Nada é colocado fora. E não utilizamos nada de origem química. Até as pragas são controladas com repelentes naturais”, relatou.
Aproveitamento de água
No local, ainda há o aproveitamento da água da chuva que é captada no reservatório construído especialmente para irrigar o quintal e a horta. “Construímos um reservatório de 16,5 mil litros de água da chuva. Aqui, impulsionamos a água para fazer a irrigação através de uma moto-bomba, com sistema de tubulação e uma mangueira”, explicou.
Mãos na terra
Chiaparini é aposentado, porém ainda atua no mercado de trabalho como mediador e conciliador judicial no Fórum da Comarca de Erechim, além de ser voluntário na Cruz Vermelha e no Observatório Social. Marli, que é dona de casa, afirmou com muito orgulho que acumula em seu currículo, além do voluntariado na Cruz Vermelha, a prática da jardinagem.
O tempo dedicado à horta é considerado como uma forma de recarregar as energias pelo casal. “Nos fins de expediente, fim de semana, feriados, em tempo livre, sempre que podemos, estamos aqui trabalhando com as plantas. Procuramos conciliar esse tempo com todas as atividades. Também consideramos uma terapia poder estar em contato direto com a terra. Ainda, a atividade é considerada uma terapia. Eu diria para qualquer pessoa, que mexer com a terra, realizar o plantio é algo que ajuda na saúde física e mental. E essa energia que recebemos é uma retribuição que a planta nos dá. Realmente, é muito salutar e compensador”, relatou.
Nas mãos de amigos
Além do consumo próprio, os alimentos são distribuídos para os amigos e vizinhos. “Os amigos que vem nos visitar nunca saem de mãos vazias”, relatou Chiaparini. E esse foi o caso da reportagem, que foi presenteada com três pés de alface. “Quando temos uma amizade procuramos cultivar como se cultiva uma planta. Também, gosto de retribuir o carinho das pessoas. E nada como um alimento produzido naturalmente para presentear os amigos”, relatou.
Equilíbrio natural
Além da horta, o quintal da propriedade conta com árvores centenárias, exóticas e uma diversidade de flores. Sobre a relação do homem com a natureza, Chiaparini afirmou que tudo na vida é como uma horta. “Tudo que se planta, se colhe. Quando não há a interferência nociva do homem na natureza, o planeta se mantém em equilíbrio. O desiquilíbrio só ocorre, tanto no reino vegetal quanto no animal, quando o homem por ganância ou até por falta de conhecimento das leis que regem a natureza, interfere no meio ambiente de uma forma indevida”, finalizou Chiaparini.