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Economia

Evento para conscientização e luta por direitos

Agricultura Familiar

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Por Ígor Dalla Rosa Müller

 

Promover a igualdade de gênero e combater a violência contra a mulher do campo, este foi objetivo do 2º Encontro Regional de Mulheres Agricultoras Familiares promovido pelo Coletivo de Mulheres por meio do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU), na manhã de sexta-feira (24) no CTG Galpão Campeiro. O evento terminou com caminhada pelas avenidas centrais da cidade até a Praça da Bandeira.

O foco da palestra da delegada Raquel Kolberg, foi motivar as mulheres a fazer uma reflexão sobre o assunto, que ela reflita e entenda seu papel e consiga reconhecer o que é violência psicológica, física, sexual, patrimonial, e quando isso ocorrer que a mulher consiga reagir.

Raquel enfatiza que o Alto Uruguai tem um número considerado de casos, mas não se sobressai a média estadual. “Nosso maior problema é não levar o crime a conhecimento da polícia. Nas mulheres do campo este problema é ainda maior. O que mais as impede de denunciar nem é o medo, mas muitas vezes, a vergonha. Tem registro desses casos de violência, mas na realidade o problema é maior do que os números apresentam”, observa.  

Segundo Raquel o papel da policia civil é repressivo no sentido de dar resposta ao crime cometido contra a mulher. Mas também preventivo, buscando esclarecer o que é violência e como reconhecer e reagir.

“A orientação principal é que notifiquem os casos, façam registro de ocorrência policial na delegacia mais próxima, ou que chegar mais facilmente. As denúncias podem ser feitas pelo número 197 ou 180 no disque denúncia contra mulher”, ressalta.  

 

A painelista Cecília Bernardi abordou o tema lutas, conquistas e organizações. “A violência contra mulher é uma preocupação durante toda a vida, é a expressão máxima da opressão”, explica.

Segundo a agricultora Iria Baldissera o evento é muito importante para valorizar o trabalho da agricultora familiar. “Isto ajuda muito a conquistar os nossos direitos. A mulher precisa ser valorizada. Me sinto bem participando do encontro, a gente se fortalece, estímulo para continuar o trabalho e ter uma melhor condição de vida”, explica.

O coordenador geral do Sutraf Alto Uruguai, Douglas Cence, afirma que o encontro serve para denunciar a violência física, econômica, moral, a retirada de direitos e preconceitos que recaem sobre a mulher. Como também, a busca pela qualidade de vida ajudando a enfrentar as dificuldades.

“Evento satisfatório, mas os resultados vêm em longo prazo. A luta é cumulativa, precisamos fazer o processo de conscientização e mobilização”, destacou.

Para a coordenadora do Coletivo de Mulheres Juraci Zambon, o segundo encontro regional das mulheres da agricultura familiar envolveu 22 municípios e público aproximado de mil agricultoras. “O lema é Mulheres Lutando por seus Direitos, Igualdade e Respeito, e por mais que já ocorreram conquistas, temos muito para colocar em prática”, observa.

Juraci cita como exemplo a proposta da reforma da previdência, em que as mulheres serão prejudicadas, e a questão da violência contra mulher, que mostra números assustadores. “Por mais que tenha a Lei Maria da Penha e a Delegacia da Mulher, mesmo assim tem muitos casos acontecendo e mulheres que não denunciam seus agressores”, destaca.

Outra questão levantada pela líder é a igualdade de gêneros, em que as mulheres ocupam o mesmo espaço de trabalho que o homem, mas a diferença salarial em muitos casos chega a 30% menos.

Segundo Juraci é um evento de conscientização, mas também de luta. “Há uma série de questões para ficar atenta e não acomodada, achando que está tudo bem, tudo certo, enquanto coisas ruins acontecem.  Precisamos lutar para conseguir ajudar as mulheres que estão passando por estes problemas”, conclui.

 

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