Você já parou para pensar na qualidade dos alimentos que está consumindo? Se não, saiba que é importante observar alguns aspectos simples do dia a dia e que interferem diretamente na qualidade da saúde e do bem-estar. Isso porque, muito além do visível nas prateleiras dos mercados, nos buffets dos restaurantes e nos expositores de padarias e lancherias, há alguns cuidados que merecem atenção redobrada. Tais fatores definem o chamado “próprio ou impróprio” para o consumo.
A promotora de Justiça de Erechim, Karina Denicol, explica que operações relacionadas à segurança alimentar vêm sendo realizadas em todo o Estado, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado - Gaeco. “As ações iniciaram no litoral devido a denúncias recebidas em que alimentos estariam sendo oferecidos à população e estariam impróprios para o consumo e de fato foram encontrados muitos produtos, tais como alguns peixes estragados”, recorda.
A partir disso, as ações se intensificaram em outras regiões. Em Erechim recentemente foi realizada a quarta operação, com muitas apreensões, sendo que houve um aumento em relação à primeira vez. A força-tarefa conta com o trabalho de mais de 20 pessoas, entre agentes do Ministério Público, do Governo do Estado, da Secretaria de Saúde, da Vigilância Sanitária municipal, Polícia Civil, Polícia Militar, para averiguar a qualidade da comida que está sendo oferecida à população. “Diante das apreensões há uma preocupação muito significativa, pois mesmo sendo feita de maneira recorrente, observamos que não está havendo uma compreensão por parte das empresas em relação a uma melhoria da qualidade desses alimentos. É interessante observar que se olharmos para o alimento, ele pode estar bom, porém, pode não estar próprio para o consumo, devido à validade, temperatura de conservação. Isso pode causar problemas intestinais, dor na barriga, vômito, entre outros”, alerta a promotora.
Segundo Karina, o município de Erechim vem demonstrando muita necessidade de realizar as operações, principalmente porque ocorreram duas reincidências na última operação. “Isso nos preocupa, pois como as pessoas vão ficar seguras para consumir os alimentos? Destacamos que deve ocorrer a consciência por parte dos empresários. A população também deve estar atenta e informe a promotoria quando perceber alguma irregularidade”, enfatiza.
Em busca de melhorias
O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Erechim, Charles Oldoni, pontua que há muitos aspectos a serem observados e que, tanto o sindicato quanto os restaurantes possuem a preocupação de orientar. “As vezes não há a orientação necessária e estamos procurando oferecer mais alternativas como aulas de boas práticas de alimentação e agora iremos firmar uma nova parceria com o Sebrae. Mas as vezes, por esquecimento ou em razão da crise, podem ocorrer deslizes”, declara.
Contudo, segundo Charles, a entidade sindical orienta porque considera importante que haja um controle. “Por outro lado, os restaurantes de Erechim são muito bem falados fora daqui e por isso precisamos manter, mas acredito que estamos no caminho certo e que aos poucos irão diminuir os problemas”, comenta.
Medidas preventivas
A equipe de Vigilância Sanitária do município de Erechim realiza essencialmente ações preventivas no âmbito da segurança alimentar, no sentido de evitar agravos para quem consumir determinado tipo de alimento, como por exemplo, as doenças de transmissão hídrica e alimentar, que podem ocorrer pela ingestão de água ou comida contaminada.
Vale destacar que os alimentos que podem oferecer alguns tipos de contaminação, tais como: física, química ou biológica.
Sendo assim, o diretor da Vigilância em Saúde, Aldo Diligenti destaca que são realizadas inspeções nos estabelecimentos relacionados à alimentação, fazendo com que sejam seguidas as medidas preventivas. “Há indicadores que são fundamentais em meio às inconformidades encontradas. Algumas, em torno de 10, são consideradas de risco, tais como as relacionadas à higiene (que vão desde as instalações, equipamentos, utensílios, higiene pessoal), modo de conservação do alimento (temperaturas adequadas) pois existe uma zona de conforto do microorganismo, sendo que de 5ºC a 60ºC ele sobrevive. Por isso, toda vez que um alimento passa por um processo térmico de calor, deve ser consumido imediatamente ou guardado em refrigeração para evitar uma contaminação ou intoxicação alimentar”, explica.
Aldo também cita as condições que definem se um alimento e é impróprio ou não para o consumo:
* Não pode haver sequer o vestígio de pragas em ambientes que lidam com alimentos.
* O controle da qualidade da água também é imprescindível.
* A condição de procedência também é algo fundamental, sendo que deve ser feita uma “rastreabilidade” do produto, sabendo aonde foi feito, quem controlou a maneira de produção, como foi transportado, armazenado e como está sendo consumido.
Trabalho intensificado
Conforme o diretor, atualmente as inspeções foram intensificadas, com mais periodicidade, e dependendo do tipo de atividade desenvolvida. São 11 fiscais sanitários sendo que há em torno de 3 mil estabelecimentos no município. “Há casos em que não basta orientar, deve haver uma ação fiscalizatória imediata para evitar o risco sanitário”, reforça.
No entanto, além do cuidado por parte dos empresários deve ocorrer, ao mesmo tempo, a contribuição por parte dos consumidores que devem observar alguns cuidados:
Não consumir um alimento que não esteja visivelmente adequado;
Não adquira um alimento vencido (cuja responsabilidade inicial é do comerciante);
Não adquira um alimento que esteja exposto de maneira inadequada;
Procure obter informações sobre a fabricação do alimento, a procedência, se o rótulo indica o modo de conservação.