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Erechim

Asfalto derretido resulta em sindicância

Prefeitura quer esclarecer possíveis erros no preparo da massa de pavimentação asfáltica

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Asfalto com aspecto de derretimento causou estranheza aos moradores de Erechim
Por Karine Heller
Foto Leandro Zanotto

Em entrevista exclusiva ao Jornal Bom Dia, o secretário de Obras Públicas e Habitação, Vinicius Anziliero explica a problemática do asfalto derretido em Erechim. Anziliero confirmou que houve um erro no preparo da massa asfáltica nas obras de pavimentação realizadas pela prefeitura. “Temos alguns pontos onde o asfalto izodou. São situações diferentes. Em um caso, a massa estava com problema. Foi colocado pouco agregado e muito betume, além de misturada muita água nessa emulsão”, explicou o titular da pasta.

Anziliero também declarou que a emulsão adquirida pela prefeitura direto de fábrica, vem com 40% de água, então acrescentar mais água é só para uma pequena correção. “Realmente saiu um lote durante uma semana que o pessoal errou na dosagem do asfalto, principalmente no Bairro Três Vendas onde o asfalto praticamente derreteu. Então era muita água e pouco agregado. Ele não compactou direito porque ele tinha pouco agregado para compactar. O resultado é que acabou izodando depois e tivemos que refazer”, relatou.

Abertura de sindicância

O secretário de Obras afirmou que o derretimento do asfalto que aconteceu no Bairro Três Vendas foi realmente um problema quando foi feita a massa de pavimentação. “Agora nós averiguamos o fato, temos sindicância aberta no município para verificar de quem foi a responsabilidade, porque isso também gera um ônus de ter que fazer e refazer obra. Então tem se achar o responsável, saber porque ocorreu aquilo e se apurar até o final o que for necessário”, pontuou Anziliero.

Problemas de equipamento

O secretário de Obras também relatou outro problema apresentado por falhas no equipamento utilizado. “Essa é outra situação onde em alguns buracos fica aquela mancha ao redor. Quando se faz a aplicação tem que fazer uma pintura de ligação, ou seja, entre a massa nova e o asfalto velho existente. Em alguns casos quando é pintado em cima se passa demais para fora da massa onde ela está e o asfalto acaba izodando. Isso também é um problema para o asfalto que está ali. Porque ele vai grudando no asfalto existente, vai soltando e vai criando o buraco”, disse Anziliero.

Para resolver essa situação, o titular da pasta afirmou que a prefeitura está fazendo a manutenção do equipamento de pintura. “Esta é uma questão do equipamento que tem quase 30 anos e é meio deficitário. Então nós estamos fazendo a manutenção e trocando as canetas de pintura para que seja feita uma pintura mais uniforme e não fique aquelas manchas ao redor do buraco. O problema é resultado de excesso de emulsão na pintura de ligação entre o asfalto velho e o asfalto novo”, afirmou.

Buracos que se multiplicam

Sobre as ruas de Erechim, o secretário de obras foi categórico ao afirmar que existe um grande problema em toda malha viária do município. “Temos uma malha asfáltica de bastante idade e ela está aos poucos se deteriorando como em toda obra física. Nós chegamos em um estado muito crítico da nossa malha viária, onde em muitos lugares o tapa buraco não resolve mais. Se faz o tapa buraco numa semana e na outra semana abre um novo buraco ao lado”, frisou o secretário.

“No início do ano a Secretaria de Obras começou a fazer operações tapa buraco mais localizadas com uma equipe de trabalho e com uma outra equipe atuando em obras com planos maiores, como por exemplo a Rua Severiano de Almeida. Lá não tinha mais condições de fazer tapa buraco, então foi feito asfalto na via inteira. Também foi feito um trabalho grande no Bairro Koller”, explicou Anziliero.

Trabalho terceirizado

Segundo o secretário de Obras, com a intensificação das chuvas e com a expansão dos buracos, foi preciso tirar essa equipe que fazia os planos maiores e concentrar os trabalhos das duas equipes nas operações tapa buracos.

“A cidade é muito grande. Nós temos somente duas equipes de trabalho, por isso estamos atuando na contratação por licitação de obras de tapa buraco de calçamento e de tapa buraco de asfalto. Estão sendo licitados dez mil metros de tapa buraco de calçamento e também dez mil metros de tapa buraco de asfalto com equipe terceirizada, onde a prefeitura fornece o material”, disse o titular da Secretaria de Obras.

Anziliero explicou que será usado o material da prefeitura e a empresa contratada entrará com a mão de obra. “Isso visa também o barateamento do custo, visto que o maior gasto é do material empregado. Então como a prefeitura tem a sua própria pedreira, tem a sua usina de asfalto, tem o material necessário para fornecer essa emulsão à empresa contratada, nós vamos fazer com o nosso material e a empresa apenas vai executar”, pontuou.

Investimento de R$ 6 milhões

“Nós vamos investir agora cerca de R$ 6 milhões com a licitação e contratação da empresa para as obras de tapa buraco. Infelizmente não posso dizer a precisão de quando o processo licitatório vai sair. O que nós queríamos é que agora estivéssemos com as ruas em execução, as obras de tapa buraco em calçamento e asfalto terceirizadas e a Secretaria de Obras colocaria as duas equipes para atuar como estávamos fazendo antes, com a realização de asfaltamento nos locais necessários. E fazendo um serviço de qualidade para não precisar refazer daqui há dois ou três anos. Fazer uma coisa que dure, pois além do retrabalho é custo para o município”, disse Anziliero.

Orçamento de R$ 30 milhões

Quando questionado sobre o que impedia a prefeitura de asfaltar ao invés de fazer tapa buraco, Anziliero foi enfático ao afirmar que o problema é a falta de verba. Com orçamento estimado em R$ 30 milhões para a pasta em 2018, o secretário declarou que na projeção do município não há verbas para investimento na secretaria.

“A Secretaria de Obras não é uma secretaria de investimentos. O investimento parte do Planejamento. A Secretaria de Obras é uma secretaria de manutenção. É manutenção dos cemitérios, é manutenção da frota, projetos de habitação, manutenção do asfalto, tapa buraco, manutenção do britador. É só manutenção que tem. Não tem investimento. Tem investimento quando parte do Planejamento ou quando sobra dinheiro. O custo de manutenção da frota é mais caro do que comprar uma máquina. Para renovação da frota precisaria de no mínimo uns R$ 10 milhões disponíveis e para dar um ‘baque’ na cidade em torno de R$ 30 milhões livres para investimentos”, finalizou Vinicius Anziliero.

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