Nesta quarta-feira (27), data em que é celebrado o Dia Nacional do Idoso, nada melhor que contar um pouco da história de um senhor que tem uma vida repleta de fatos marcantes. Nos gestos simples, ele se torna exemplo de superação, força e alegria. Isso porque aos 84 anos de idade, o aposentado Isidro dos Santos Lima comemora a fase em que vive rodeado por familiares e muitos amigos. Natural de Tupaciretã (na época localidade de Vila Joia) casou-se em Santa Maria com Maria José, aonde residiu por 10 anos. Junto à esposa teve nove filhos e atualmente é viúvo e reside em Erechim há mais de 40 anos.
O dia a dia tranquilo
O aposentado disse que não tem inimizades e mantém um relacionamento bom com as pessoas. "Gostei daqui de Erechim e acho que vou ficar até o fim", destacou.
À reportagem ele comentou ainda, que toma alguns remédios, faz acompanhamento médico e vive com tranquilidade.
Questionado sobre os "segredinhos" para apresentar essa qualidade de vida aos 84 anos, Isidro diz que alguns fatores como, não beber em excesso, trabalhar bastante e cuidar da saúde, são fundamentais.
Atualmente ele faz caminhadas, se alimenta e dorme bem, além de se reunir com os amigos e visitar os familiares.
O tradicionalismo e o apreço ao país, também possui uma importância imensa no dia a dia do idoso. A reportagem do Bom Dia encontrou o aposentado apreciando o Desfile de Sete de Setembro. Ele estava nas proximidades do palco em que estavam as autoridades, pilchado e demonstrando o orgulho pela pátria.
"Gosto muito de cavalos, andar pilchado e cultivar as tradições", afirmou.
Perseguição e prisão
Em entrevista ao Bom Dia, Isidro recordou a época em que ocorreu a revolução de 1964, fase que teria sofrido perseguição em razão de motivos políticos. Em um período de ditadura militar, em que haviam muitas censuras, o aposentado defendia o antigo Partido Trabalhista Brasileiro - o qual pertencia Leonel Brizola. Do outro lado havia os membros do partido denominado Arena.
Devido à rivalidade política, Isidro chegou a ser preso durante uma madrugada, quando estava em casa. O aposentado teria ficado 15 dias em uma espécie de gabinete, com escolta, em Santa Maria. Depois foi encaminhado para Passo Fundo, Marcelino Ramos e na sequência à Viadutos. "Quanto mais longe ele ficasse, melhor era para eles. Isso porque o pai era um auxiliar do comandante. Isso intrigava muito a eles", relatou a filha Luza, citando ainda que, como o pai falava e defendia Brizola, eles chegaram a pensar que o militar estaria organizando um esquadrão. "Só porque defendia um partido político. Não foi uma tortura física, mas psicológica", comentou. Segundo ela, ele foi perseguido e não ganhava promoções dos cargos que exercia, as quais só foram recebidas após a aposentadoria.
Isidro afirmou que nunca fez nada contra a entidade. "Eles que vieram contra mim na época. Homens vestidos de preto bateram na janela e falaram que minha cunhada estava passando mal. Na verdade, me levaram para a prisão", recordou.