O Plenário da Câmara Municipal de Vereadores foi o grande palco, na tarde da última quinta, da Palestra Pública que teve como tema a conscientização da doação de órgãos e tecidos, proferida pela equipe do Hospital de Caridade e que teve a presença de vereadores, parlamentares, direção da Fundação Hospitalar Santa Terezinha e do Hospital de Caridade, alunos do SESC e comunidade em geral. A iniciativa foi dos gabinetes dos vereadores Ale Dal Zotto e Emerson Schelski, autor do Projeto de Lei que determina o Dia Municipal do doador de órgãos, comemorado junto com o nacional.
De acordo com as palestrantes, no Brasil, para ser doador de órgãos e tecidos não é necessário deixar nada por escrito. Basta avisar a família. A doação só acontece após a autorização familiar documentada. Pela Lei Brasileira, a decisão é da família, por isso é fundamental conversar bastante em casa sobre a sua vontade.
Para a doação é necessária a morte encefálica, que é a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. “Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas”.
Com relação ao que pode ser doado, estão as córneas, coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas, ossos, medula óssea e pele. Também existe a possibilidade de doação em vida, momento em que o médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos.
Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. “Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo, como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém da família ou um amigo. Este tipo só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa”, pontuam.
Para ser um doador é necessário ser um cidadão juridicamente capaz, estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais, apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante a doação. Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim e não impeça o organismo do doador de continuar funcionando – ter um receptador com indicação terapêutica indispensável de transplante e ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.
Como pode ser identificado
As Centrais Estaduais também tem um papel importante no processo de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas gerais, a inscrição e classificação de potenciais receptores, o recebimento de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para outros estados.
Cabe ao coordenador estadual determinar o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão que determinam a posição na lista de espera. Isto é realizado com o auxílio de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.
No final, os presentes tiveram a oportunidade de realizarem os mais diversos questionamentos com relação as suas dúvidas. Erechim tem sido, ultimamente, ume referência na doação de órgãos do Estado.