Entidade criada em 1998 tem sua trajetória marcada pelo apoio a pacientes em tratamento oncológico
“Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa, que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade”. O trecho da obra da poetisa Cora Coralina mais do que servir como lema, reflete a trajetória e os objetivos do Centro de Apoio Oncológico Luciano (Caol), que completa nesta sexta-feira (4), seu 19º aniversário. A entidade chega a esta data consolidada pelo seu trabalho de quase duas décadas atuando no acolhimento e auxílio a pessoas acometidas por câncer e seus familiares.
Desde sua fundação, a trajetória do Caol é marcada pela empatia, visto que foi partindo da história e do desejo do jovem Luciano – que dá nome à entidade – que a família iniciou a trajetória do Caol. Sua mãe, Marilene Rigo, atualmente presidente do centro, explica que tudo começou no ano de 1995, quando o filho foi diagnosticado com tumor de Askin. Após dois anos de luta, em 1997 Luciano faleceu aos 15 anos. “Durante seu tratamento, Luciano comentava com seus familiares a importância de fazer algo em prol dos necessitados e portadores de câncer. Uma de suas sugestões era que houvesse um local de abrigo a essas pessoas”, relata.
Sua vontade foi atendida no ano seguinte. Os primeiros passos foram dados em 15 de abril de 1998 em uma reunião realizada no Prédio do Relógio. “Desde o primeiro encontro com a meta de criar uma entidade de apoio aos pacientes em tratamento quimioterápico, a sugestão do nome foi Centro de Apoio Oncológico Luciano, para homenagear o jovem Luciano Rigo Berndsen que sugerira a sua família, durante o tratamento, que fosse criado um local para abrigar pessoas que viessem a Erechim em busca de tratamento específico”, explica Marilene.
No mês seguinte foi constituída a primeira diretoria da entidade, bem como registrado seu estatuto. “Alugamos uma casa para dar início ao sonho da casa de passagem. Entre as diversas atividades iniciais, surgiram os slogans “Faça parte da turma do bem” e “Seja solidário, seja voluntário”. A partir deles a comunidade passou a identificar a entidade e suas causas nobres. Também foi criado o logotipo com bandeirinhas, para representar força e coragem em prol dos necessitados”, completa. Assim, 19 anos atrás, o Caol abria suas portas para receber seus primeiros acolhidos. “Isso foi em meio a muita expectativa e ansiedade, pois toda a equipe de voluntários sabia o papel importante que a entidade teria a desenvolver a partir daquele momento”, relembra.
Mais tarde o Caol sentiu a necessidade de uma sede própria, sonho conquistado em 2005, depois de muitos anos de dedicação por meio de promoções como jantares, bailes, venda de alimentos, rifas, pedágios e outras ações. A inauguração da sede foi em 28 de outubro de 2005, tendo o espaço capacidade para 100 pessoas.
O importante papel do Caol
Desde sua inauguração, milhares de pacientes já passaram pelo Caol. A casa fica disponível de segunda a sexta-feira, podendo o paciente, se necessário, estar acompanhado por um familiar. Conforme Marilene, o Caol conta com um quadro de voluntários que assessora os pacientes, nos mais diferentes setores, apoiando e doando solidariedade. “ Destacamos na trajetória do Caol o apoio da comunidade erechinense e regional, a dedicação dos voluntários nas mais diversas parcerias”, pontua a presidente.
A entidade hoje destina-se a oferecer abrigo para pacientes de câncer, os quais vêm até Erechim para tratamento. “Entendendo que a doença faz com que o paciente passe por dificuldades, tanto físicas quanto emocionais, procura-se, através de seus voluntários, proporcionar a esse paciente momentos de distração, reflexão, em que possam dividir suas dúvidas, medos e conquistas, visando ao fortalecimento e auxilio na recuperação da doença”, explica Marilene.
O Caol também busca desenvolver atividades para ocupação do tempo ocioso do paciente, através de atividades lúdicas, leitura, teatro, passeios, conversas, oficinas e confraternizações. A entidade, segundo Marilene, também é o referencial no repasse das informações do Instituto Nacional do Câncer, sobre a doença, direitos dos pacientes oncológicos do município e da região, perante os órgãos públicos. Proporciona, ainda, a integração entre os pacientes de Erechim e outros municípios, a fim de se fortalecerem entre si, buscando encorajamento e alternativas para superarem o momento difícil que estão passando.
Marilene destaca que o Caol está à disposição para visitas, integração de novos voluntários, sejam para atividades na casa, como para doações, aquisição de produtos e contribuições financeiras. A entidade está localizada na Rua XX de Setembro, 68, Erechim. O telefone para contato é o (54) 3519-3344.
Projetos desenvolvidos no Caol
Quanto ao funcionamento da Entidade, a fundamentação básica é acolher com amor os que procuram a casa, disponibilizando estrutura física, alimentação, integração com atividades que proporcionam acalento e bem estar aos que nela se abrigam. Os projetos e programas desenvolvidos são adequados conforme os grupos de usuários, mas basicamente é oferecido: Programas de Apoio ao Usuário: Programa de Reiki e Deekcha; Programa de Atendimento Psicológico; Programa de Reflexão e Oração; Programa de Ajardinamento e Horticultura; Cão Terapeuta; Bazar Solidário (gratuito), integração lúdica e oficinas. “Importante salientar que as atividades desenvolvidas não têm custo para os usuários, pois são realizadas com doações dos voluntários e também da comunidade em geral”, completa Marilene.