Uma programação especial sobre o atual cenário da cadeia produtiva da erva-mate. Desse modo está estruturada a sétima edição do Congresso sul-americano, III Simpósio Internacional de Erva-Mate e Saúde, além da I Feira de Tecnologia na Indústria Ervateira (Tecnomate). O evento, que ocorre a cada três anos, teve início da manhã de ontem (16), na URI de Erechim e prossegue até a quinta-feira (18), com paineis, palestras, mesas-redondas e exposições científicas. O tema desta edição é “Integrando ciência e tecnologia para promover avanços na cadeia produtiva de erva-mate”.
O Congresso se destina a divulgação de trabalhos científicos e também a interligação entre os aspectos técnicos, a área científica, o campo da produção, da industrialização, e comercialização.
A última edição do evento havia sido realizada no Uruguai e as outras duas anteriores, na Argentina.
A cerimônia de abertura contou com a presença de autoridades e lideranças locais e regionais. Também participam do evento, pesquisadores, empresários e produtores de erva-mate.
A coordenadora geral do congresso, professora Alice Teresa Valduga, do curso de Engenharia de Alimentos e do Programa de Pós Graduação (PPG) em Ecologia da URI, reforçou a importância de uma ampla oportunidade de debate e compartilhamento de experiências. “As pessoas podem tomar conhecimento sobre as possibilidades de uso da erva-mate, muito além do chimarrão”, destacou.
Professora Alice citou ainda, que comumente temos uma concepção um tanto equivocada de que o Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de erva-mate, em relação a outros Estados. “No entanto, o maior produtor é o Paraná, seguido de Santa Catarina. Mas o RS é um maior consumidor, por isso, temos cinco polos ervateiros espalhados por várias regiões”, explicou.
Para o professor e diretor da URI, Paulo Sponchiado, anfitrião do evento, eventos como este se tornam marca para quem busca ser a referência em inovação tecnológica e em desenvolvimento sustentável. “O Congresso oportuniza o intercâmbio e a expansão do conhecimento”, reitera.
O prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt destacou em seu discurso, que por muitas vezes o país registrou conflitos com alguns países e dessa vez, um grupo está reunido por um objetivo comum, em prol do desenvolvimento da cadeia da erva-mate. “Quem se interessa pelas potencialidades da erva mate está participando deste evento”.
O Dr. José Roberto Delalibera Finzer (Uniube/MG), foi um dos conferencistas da manhã de ontem e concedeu entrevista ao Bom Dia. Segundo ele, a produção é uma prática que deve ser constantemente aperfeiçoada em termos de qualidade. Ao tratar a questão da fenomenologia na secagem de erva-mate, que se refere ao sistema de transferência de calor e massa. Contudo, a folha é bastante complexa, sendo que há um processo de retirada de água, eliminação pelas células, entre outros. Nesse contexto há de se considerar a variação de temperatura da folha. Dr. José também orientou sobre o modo de organizar um projeto para construção de um secador.
Sem limites para o conhecimento
As pesquisadoras da Argentina, Andrea L. Onetto e Iliana Cortese prestigiam a programação em Erechim. Elas aproveitam para expor um trabalho e ampliar os conhecimentos sobre a temática que envolve a erva-mate. O poster está relacionado a uma pesquisa sobre bactérias denominadas endofitos que vivem na erva-mate. Em particular elas abordam o que pode gerar um efeito benéfico para o crescimento da planta e até mesmo contribuir no aumento da produtividade.
Segundo Andrea, o principal destaque no cenário da erva-mate na Argentina é a preocupação no que se refere ao próprio cultivo e uma das problemáticas está interligada à recuperação e melhoramento do solo para ampliar a produtividade.
A programação do evento também atraiu a atenção do produtor de erva-mate e consultor em seguranca de alimentos, Adinãn Pereira. Ele veio de Canoinhas/SC para participar do Congresso. Com formação nas áreas de História, Administração e Ciência e Tecnologia de Alimentos, Adinãn comentou à equipe de reportagem que o evento é interessante pois possibilita a troca de conhecimentos de vários lugares.
De acordo com o consultor, um dos desafios visualizados na região em que trabalha é diversificar a linha de produtos, tendo a erva mate como matéria-prima. “Por outro lado a erva-mate de Canoinhas é muito apreciada pelos uruguaios, sendo esta uma característica diferenciada”, ressaltou.