A aposentada Edir Goelzer é considerada a super mãe no Lar da Criança de Erechim
Antes mesmo de completar 28 anos de trabalho como professora e encaminhar a aposentadoria, Edir Goelzer já havia decidido que iria continuar trabalhando e encontrou rapidamente o local: Lar da Criança de Erechim. No espaço ela exerce muito mais que as atividades administrativas, mas representa também, o papel de mãe.
Uma atividade desafiadora e que proporciona satisfação e bem-estar à aposentada. “Ao chegar aqui, na época, tive um choque emocional, muitas crianças não tinham roupa para usar no inverno, nem calçados. Iniciei aos poucos, auxiliava as crianças com as lições da escola, trazia lanches. Aos poucos fui buscar recursos para adquirir roupas, mantimentos e até mesmo realizar obras de ampliação da entidade”, relatou.
Em entrevista ao Bom Dia, ela destacou que o “Ser mãe” é muito importante, pois segundo Edir, os filhos dependem das mães, são elas que deveriam dar mais atenção a eles. “No meu caso, nunca tive problemas com filhos, netos e agora também, com os bisnetos”, afirmou com alegria.
No entanto, o carinho, o apreço e atenção maternal vão muito além da própria casa, dos laços genéticos, e se estendem para o âmbito profissional. No Lar da Criança de Erechim que Edir se tornou a “super mãe” e também a “tia” das muitas crianças. Carinho que é reconhecido até hoje, principalmente por muitos adultos. “Tenho uma família muito grande, com filhos espalhados pelo mundo inteiro. Pessoas que estiveram aqui na entidade, passaram pelas atividades, e os que foram adotados, sabemos que estão muito bem. As famílias nem dizem que foram adotados, falam: meus filhos de verdade”, comentou, citando que essa expressão a deixa muito feliz.
As mães que vêm visitar a entidade ficam encantadas em ter um filho. Na entidade há um grupo de mães no Lar da Criança, sendo que atuam em três casas, cada uma com uma mãe social e uma auxiliar. “Temos um ambiente de família. Há crianças que entram com dois anos de idade, por exemplo. Quando completam 18 anos, geralmente já possuem um encaminhamento para o mercado de trabalho”, explicou. O Lar atende crianças e adolescentes na faixa etária de zero a 18 anos e atualmente conta com 36 crianças, tendo sua lotação completa.
No espaço, as crianças recebem orientações sobre qual o melhor caminho seguir, a importância de ir à escola, é disponibilizado o transporte, tudo de forma organizada. Há outra profissional que auxilia nas dúvidas dos estudos.
Edir revela que ali é a extensão da própria casa. “Para mim não é uma obrigação, é uma satisfação. Venho todos os dias, cumpro os horários e também trabalho fora dos horários. Tenho muita satisfação. A integração com essas crianças é algo mágico, tem um carinho recíproco. Mesmo quando saem da entidade e nos encontramos na rua, eles vêm abraçar. Esse retorno é muito gratificante, percebemos que essas crianças estão seguindo um caminho correto”, ressalta.
Na opinião de Edi, muitas mães estão deixando o compromisso para as escolas. “As crianças vão para as instituições de ensino muito cedo, permanecem por oito horas, e quando acontece algo, algumas não sabem como agir. É um compromisso, acompanhar, participar da vida, da rotina dos filhos. Procuro ser uma super mãe na entidade. Deixo uma mensagem para que as mães se preocupem mais com seus fihos, dêem carinho, acompanhem o celular e com quem os filhos estão conversando, porque aqui na entidade realizamos o trabalho de mães de verdade”, reiterou.