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Aos 91 anos, Dilletta Gaiki vê no seu trabalho motivação para comemorar a vida

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Diletta Gaiki
Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Aos 91 anos, Dilletta Gaiki vê no seu trabalho motivação para comemorar a vida

Auxiliar na produção da fábrica, dar conta dos afazeres domésticos, administrar funcionários, cuidar do caixa... Estas são algumas funções que fazem parte do dia a dia de Dilletta Gaiki. Proprietária da indústria de sorvetes que leva o seu sobrenome e na qual trabalha com os dois filhos – Isaías e David - ela tem sua rotina dividida entre os cuidados com a sua casa e o trabalho realizado na empresa.

O cotidiano pode ser comum a qualquer trabalhadora das mais diferentes profissões, entretanto, surpreende quando se conhece a idade de sua protagonista: no auge dos seus 91 anos recém completados, sobra disposição e alegria em Dilletta, que apesar da idade avançada nem cogita deixar de lado a profissão que desempenha desde a década de 70, quando junto com seu esposo fundou a fábrica de sorvetes Gaiki.

Lúcida, ativa e simpática, ela vê com naturalidade o fato de nunca ter deixado de trabalhar, mesmo tendo pelo menos 30 anos a mais do que a idade mínima para se aposentar. Embora surpresa com o contato da reportagem para contar sua história, disse já estar acostumada com as manifestações de admiração pela sua vitalidade e disposição. “Os clientes chegam aqui e brincam comigo, perguntam o que eu estou fazendo na fábrica mesmo sendo tão velhinha, dizem que eu deveria estar em casa descansando. Ficam de boca aberta quando falo a minha idade”, conta orgulhosa.

A alegria pelo que faz é visível em seu sorriso enquanto comenta sua rotina na indústria. Também se revela no olhar carinhoso com que olha o filho Isaías, enquanto ele relatava ao Bom Dia a história da empresa familiar, que iniciou no ano de 1968 e se instalou em Erechim no ano de 1970. “Desde que começamos nunca paramos. Estamos até hoje aqui e temos clientes maravilhosos”, salienta Dilletta.

Atualmente com a indústria em pausa em razão do inverno – visto que o sucesso do sorvetes e picolés se dá no auge do verão – ela afirma que se sente perdida. “Fico pensando no que vou fazer, parece que falta alguma coisa, não consigo ficar parada”, afirma, enquanto desce a escada de cerca de dez degraus que dá acesso à fábrica, instalada na parte inferior da casa. “Essa escada aqui eu desço e subo umas 200 vezes por dia”, comenta demonstrando mais uma vez sua vitalidade.

Entre os filhos, o respeito e o carinho pela trajetória da mãe e pela sua contribuição no sucesso da empresa é notável, principalmente pela maneira como a tratam. “As pessoas até nos questionam sobre o trabalho, perguntam se não seria melhor deixá-la mais tranquila em casa, mas a gente sabe que a vida dela é essa empresa, ela gosta de fazer o que faz, seria um erro impedí-la de fazer o que gosta”, pontua Isaías.

A afirmação é complementada por Dilletta, que destaca que atualmente, só “auxilia” na empresa, que tem a parte comercial assumida por Isaías e a produção por David, que conta ainda com outros oito funcionários. “Eu ajudo apenas, cuido do caixa, auxilio os funcionários se eles precisarem. Mas se precisar ficar à frente de uma das máquinas, eu fico e me viro sem problemas”, garante.

Questionada sobre a importância do trabalho em sua vida, ela aconselha todos a se dedicarem ao trabalho, independente da área em que atuam. “Eu gosto do que eu faço, amo a fábrica, gosto muito dos nossos funcionários. Acho que com todo mundo deveria ser assim: é preciso trabalhar com gosto, com vontade e com amor. Assim o trabalho fica bom e as pessoas ficam felizes”, finaliza. 

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