Aproximadamente três mil pessoas participaram da mobilização que deixou mais de 12 mil usuários sem transporte coletivo em Erechim e bloqueou rodovias no Alto Uruguai
O dia de protestos contra os projetos de reforma trabalhista e Previdência Social, mobilizou trabalhadores, paralisou serviços e bloqueou rodovias no Alto Uruguai. Em Erechim, segundo os organizadores do movimento, mais de três mil pessoas participaram dos atos realizados na ERS 135, BR 153, Praça Prefeito Jaime Lago, Praça da Bandeira e ruas centrais da cidade. Nenhum incidente grave foi registrado, apenas um acidente com danos materiais nas proximidades do bloqueio realizado por índios de Ventara Alta, interior de Erebango. No comércio o movimento foi inferior ao esperado para uma sexta-feira, véspera de feriadão, conforme informou a Câmara de Dirigentes Lojistas de Erechim.
O maior número de manifestantes se concentrou na BR-153, nas proximidades do Bairro Frinape, local onde desde terça-feira (25) foi montado um acampamento pelo Sindicato Unificadores dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sutraf-Alto Uruguai. Na sexta-feira (28), cerca de dois mil agricultores familiares bloquearam a rodovia por volta das 10h da manhã, impedindo o tráfego de veículos por mais de três horas. O grupo caminhou pela rodovia federal carregando um caixão que simbolizava o sepultamento enterro das propostas do governo federal. No rosto os manifestantes utilizaram máscaras com nome e fotos dos deputados que aprovaram o texto-base da reforma trabalhista. No mesmo horário professores estaduais se reuniram na Praça Jayme Lago. De acordo com a 15° Coordenadoria Regional de Educação, 42 escolas estaduais suspenderam as aulas e liberaram os docentes para as atividades promovidas pelo Centro dos Professores do Estado (CPERS).
Índios protestam na ERS 135
Na região do Alto Uruguai o maior protesto ocorreu na altura do KM 62 da ERS 135, na altura da reserva indígena de Ventara, interior de Erebango. O trânsito foi bloqueado no início da manhã, sendo liberado a cada 15 minutos o tráfego de veículos. Além das reformas da previdência o grupo cobrou as demarcações e homologações de terras na região.
Transporte coletivo
Embora em menor número de manifestantes, mas de grande impactado sobre a sociedade, o bloqueio na garagem da Empresa de Transportes Gaurama, afetou o cotidiano de aproximadamente 12 mil usuários do transporte coletivo urbano. Aproximadamente 50 pessoas ligadas ao movimento estudantil e ao setor industrial autodenominado "Frente Brasil Popular do Alto Uruguai", colocaram fogo em pneus e impediram a saída dos ônibus da concessionária no fim da madrugada. Mais de 50 linhas deixaram de ser atendidas e os 38 ônibus permaneceram recolhidos durante o dia, voltando a circular apenas na manhã deste sábado. Na Estação Rodoviária Interestudual o movimento foi normal e nenhuma linha foi cancelada.
A mobilização encerrou com uma caminhada pelas ruas centrais de Erechim. Em frente a agência da Previdência Social os manifestaram gritaram palavras de ordem pedindo a não aprovação das propostas do governo. O coordenador geral do Sutraf-AU, Douglas Cenci, comentou que os movimentos conseguiram mandar um recado aos seus representantes. "Encerramos o acampamento com um grande ato e os trabalhadores estão se dando por conta do que está acontecendo. Não vamos deixar que a reforma da Previdência passe. Com certeza superou nossas expectativas", finalizou o líder sindical.