Nesta quarta-feira (26), a mobilização do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (SUTRAF-AU), realizou pela manhã um debate sobre a Previdência Social e Agricultura Familiar no Acampamento em Defesa da Previdência, montado as margens da BR 153 em Erechim. De acordo com o coordenador geral do SUTRAF-AU, Douglas Cenci, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo tempo, a mobilização continua. “Enfrentamos toda aquela chuva, mas conseguimos montar a estrutura do acampamento na terça-feira, onde tínhamos em torno de 200 pessoas que participaram do trabalho. O pessoal ficou acampado durante a noite também, choveu bastante o que foi bem difícil. Contudo tivemos um bom início de acampamento e continuaremos mobilizados”, destacou.
Aproximadamente 150 pessoas estão participando das atividades no acampamento nesta quarta-feira. Sendo que de acordo com Cenci, a mobilização vem recebendo apoio da população e motoristas que trafegam pela rodovia. “Muitos manifestam apoio, buzinam nos apoiando e aplaudindo nossa iniciativa que é de lutar pelos direitos dos trabalhadores, contra esse retrocesso das leis da Previdência que o governo federal vem propondo”, destacou.
No período da tarde, outro debate sobre a conjuntura política atual ocorreu com um painel sobre o crédito rural, com a participação das cooperativas de crédito, levando a reflexão sobre a situação das cooperativas ligadas a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes). Há noite a programação segue com apresentação cultural
Porque os agricultores estão acampados?
A PEC 287/2016 de Reforma da Previdência altera as regras da aposentadoria de todos os trabalhadores. Entre as medidas que são vistas como um retrocesso pelos trabalhadores, está o fim da aposentadoria especial para Agricultores Familiares, aumento a idade de aposentadoria e o fim da contribuição por unidade familiar.
A luta dos agricultores familiares é contra a retirada de direitos proposta pelo Governo Temer, que inicialmente queria igualar a idade para homens e mulheres para aposentadoria aos 65 anos. Atualmente as mulheres se aposentam aos 55 anos e os homens aos 60 anos. Outra questão, é que a contribuição que atualmente acontece por unidade familiar, pela proposta passará a ser individual, para cada membro da família de agricultores. O governo também estava propondo o fim do acumulo de pensão por morte. Na última semana o relator do projeto apresentou algumas alterações nas propostas, contudo não houve mudança para os agricultores na questão de segurado especial e de contribuição individual e não mais familiar. “O governo novamente quer mexer nas pequenas aposentadorias para pagar juros da dívida para os bancos. Lembrando que não propõe mudanças nas grandes aposentadorias ou na isenção de impostos aos empresários, bem como não combate os grandes sonegadores. Por esse motivo a nossa luta”, finalizou Cenci.
Confira a programação do Acampamento em Erechim:
27/04
7h30 - Ato de apoio à luta dos agricultores e agricultoras em conjunto com a AMAU
10h- Debate sobre a previdência e agricultura familiar
14h- Painel e debate: extinção das políticas públicas e perda de direitos na agricultura familiar
19h - Atividades culturais
28/04
8h: Ato do dia: GREVE GERAL
13h- Caminhada: saída no Seminário Nossa Senhora de Fátima
14h- Ato unificado dos trabalhadores da agricultura familiar e trabalhadores urbanos na Praça da Bandeira
17h - Encerramento