"O risco de Erechim estar infectado pelo Zika vírus é o mesmo de qualquer cidade do Brasil que tenha o mosquito Aedes aegypti". A afirmação é do secretário municipal de Saúde, Plínio Costa Júnior, que também confirmou a existência do mosquito Aedes aegypti no município. "Tivemos três casos de dengue, os quais estamos esperando o resultado de um deles e outros dois já retornaram como negativos. Além destes, estamos investigando um caso de chikungunya, em Erechim".
O secretário é enfático quando o assunto é o risco eminente do vírus. "Se encontrarmos o mosquito, é por negligencia das pessoas. Houve essa disseminação da contaminação do aedes aegypti porque as pessoas não cuidaram de seus ambientes". Plínio lembra que a tarefa de fiscalização por parte da secretaria é secundária. "Tudo passa primariamente pela responsabilidade das pessoas. Nossa função é visitar as casas e procurar locais que estão contaminados. Isto nós estamos fazendo na medida do possível, mas é humanamente impossível passarmos todos os meses em 50 mil moradias. Seria necessário um exército de aproximadamente mil pessoas para realizar este trabalho".
Combater para evitar catástrofe
Para o coordenador regional de Saúde, Marcos Moreto, a solução para este problema é o combate, a fim de diminuir cada vez mais os níveis do mosquito aedes aegypti, até não deixá-lo existir e, se possível. "Esta é a única forma de nós controlarmos o Zica vírus, que hoje é uma emergência sanitária gravíssima. Ecredita-se que ocorram até 150 nascimentos por ano com microcefalia, quando na verdade já nasceram 3.820 e a projeção, considerando o crescimento de quase 12% ao mês, é que passássemos o ano de 2016 com mais de dez mil casos. Isto é uma catástrofe, porque não teremos acompanhamento dessas crianças, assistência de saúde adequada para a população microcefálica. É uma situação gravíssima.".
Sinais e sintomas
Febre, coceira, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor no corpo e nas juntas e manchas vermelhas pelo corpo: esses são os sintomas de quem pode ter Zica vírus. Entretanto, o coordenador regional de saúde esclarece que, em relação ao vírus, 80% das pessoas que se infectam não apresentam sinais e sintomas importantes e, inclusive, se reconhecem como saudáveis. "Diante disso, estas pessoas não vão procurar profissionais de saúde, mesmo estando portando o Zica vírus. No entanto, friso que nossa preocupação se dá no fato de um mosquito picar esta pessoa, se infectar e multiplicar essa infecção".
Erechim
equipes com mais de 30 agentes de combate a endemias trabalham de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, passando casa por casa, a fim de buscar possíveis focos e repassar informações aos cidadãos erechinenses. Esse trabalho, comandado pela vigilância sanitária, tem o objetivo de prevenir. No entanto, Marcos Moretto lembra que a possibilidade de infecção vai além da água parada. "As pessoas que se deslocam de outros locais para Erechim portando uma dessas doenças (dengue, zika ou chikungunya) e, se o mosquito daqui picar esta pessoa ele vai se infectar e passar a infectar moradores de nossa cidade".
Erechim entre os municípios infectados
De acordo com esta fala, Moretto sugere que a ideia inicial é identificar qual é a quantidade de mosquito que há na região. "Dos 33 municípios da região de abrangência da Coordenadoria Regional de Saúde, temos seis portadores que estão infestados com o Aedes aegypti que são: Erechim, Getúlio Vargas, Campinas do Sul, Jacutinga, Nonoai e Rio dos Índios, que tem a presença do mosquito. Não há a doença ainda, mas tivemos casos em Erechim que foram detectados, mas não foram confirmados, porque o exame laboratorial deu negativo. Entretanto, a qualquer momento uma pessoa pode chegar em Erechim portando essa infecção"., destaca Moretto.