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Erechim

Polêmica na feira do produtor

Produtores e consumidores contestam proposta do Executivo para o funcionamento diário da feira

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Mais de 30 feirantes comercializam seus produtos na feira do produtor
Por Karine Heller
Foto Karine Heller

A prefeitura, através da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar trabalha na elaboração de um projeto para que a feira do produtor, localizada na Rua JB Cabral, sem nº, no centro de Erechim, esteja aberta à comercialização de produtos durante todos os dias da semana. Conforme explica o secretário da pasta, Leandro Basso, o projeto prevê a ampliação dos dias e a utilização do espaço, que hoje funciona nas terças e sextas-feiras, das 10h às 18h e aos sábados, das 7h30 às 12h, apresentando – conforme o Basso – ociosidade de espaço público nos dias em que está fechada.

“Hoje em Erechim temos cerca de 110 feirantes e queremos possibilitar que estes, que estão nos bairros da cidade e que só tem um dia para comercialização, que possam utilizar o espaço da feira do produtor, que é público e foi cedido pela prefeitura, que também mantém os custos com água e energia no local”, declarou o secretário. Com isso, Basso garante que haverá o fortalecimento dos pequenos feirantes, da qualidade da cadeia produtiva, além de potencializar a marca Feira do Produtor.

Utilização do espaço

O secretário de Agricultura também aponta que, com a iniciativa de se trazer os feirantes dos bairros de Erechim, o local será melhor aproveitado e a comunidade poderá usufruir da feira durante todos os dias da semana. “Estamos propondo uma política de igualdade para o tratamento com os feirantes. Para isso iremos elaborar um projeto de lei que será encaminhado à Câmara de Vereadores para que as mudanças sejam aplicadas. Vale lembrar que quem já está na feira não irá perder o seu espaço, somente estamos propondo que nos outros dias o local seja ocupado por feirantes que estão com pouco espaço para comercialização nos bairros e também para aqueles que novos produtores que não tem nenhum espaço nas feiras existentes. Além disso, o espaço também poderá ser utilizado para exposições, eventos, a exemplo da Festa Di Bacco, onde a prefeitura teve que pagar para a utilização do Seminário de Fátima”, conclui o secretário, afirmando que esta proposta é trabalhada em conjunto com a Emater, poder Legislativo e Secretaria de Planejamento.

Produtores se manifestam contra

De acordo com o conselheiro da feira do produtor, Ari Guarnieri, a proposta da prefeitura não é bem aceita entre os 35 produtores que comercializam seus produtos na feira do produtor. “Somos unânimes na decisão de que esta proposta não é viável. A nossa feira do produtor, que já foi considerada cartão postal da cidade, teve esse mérito graças aqueles que estão aqui, assim como eu, há 38 anos”, declara o conselheiro.

Ari também lamenta que o Executivo municipal não veja as reais demandas do local. “A nossa feira precisa de uma reforma estrutural. É só olhar para a faixada do prédio e ver. Fora isso, a feira atende à necessidade dos consumidores, oferecendo produtos de qualidade. Essa proposta da prefeitura não é válida, nem necessária. Não temos nada contra os feirantes que atuam nos bairros, mas pelo que vejo querem transformar o nosso local em um mercadão. Além disso, é preciso um levantamento se esses outros produtores terão estrutura para comercializar aqui. Ainda, é importante dizer que a maioria das pessoas que frequentam a feira vem até aqui em média duas vezes por semana, contabilizando cerca de cinco mil pessoas por dia e mesmo assim temos sobra de mercadoria”, avalia Ari.

Clientes aliados aos produtores

Para o empresário, Mário Zanardo que frequenta a feira do produtor duas vezes por semana, a proposta do Executivo não condiz com a realidade. “Acredito que a feira atenda a demanda dos clientes, que não são poucos. A satisfação das pessoas que frequentam o local é ótima, além do bom atendimento, a oferta de produtos de qualidade é condizente com aquilo que os consumidores procuram. Outra questão que vejo desnecessária a abertura durante todos os dias, é que não haverá público suficiente, o que acabará revertendo negativamente na renda dos nossos feirantes. E em tempos de crise econômica, apresentar uma proposta que irá reduzir a receita dos que trabalham nesse local não é adequada”, detalha o empresário.

Os aposentados, Abel Sartori e Rosângela Pigozzo foram unânimes em suas declarações. “Temos que valorizar o que temos aqui. Dar incentivo para esses produtores que fizeram a feira do produtor ser o que é. Ela já é aberta três vezes por semana e isso é mais que suficiente. Haverá desperdício de alimento e os bairros ficarão desassistidos. Seria muito mais válido se ampliassem os dias e horários de atendimentos nas feiras dos bairros para valorizar todas as áreas da cidade do que trazer os feirantes de outros locais para esse”, declararam.

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